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informes - ABONG

55102/12/2016

OPINIÃO | Trinta anos depois, ainda é preciso falar de aids?

Por Juny Kraiczyk e Lucas Seara para o Informes Abong*


No Brasil, são registrados por ano, em média, 42 mil casos de aids. Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS), 734 mil pessoas vivem com HIV, mas 144 mil não sabem disso. Muitos motivos podem levar uma pessoa a não realizar o teste de aids e, mesmo com os avanços biomédicos e tecnológicos, o estigma e o preconceito fazem com que muita gente prefira o desconhecimento a se testar. O que nem todo mundo sabe é que ao buscar tratamento especializado no tempo certo e seguir as recomendações médicas, ganha-se em qualidade de vida. Mas, para isso, é preciso reduzir as barreiras de acesso aos serviços de saúde e considerar os contextos e trajetórias de vida de cada pessoa.


Com efeito, o teste é apenas a porta de entrada para os cuidados contínuos que devem ser prestados pela rede de saúde. O problema é que há um descompasso entre o número estimado de Pessoas Vivendo com HIV/Aids, a proporção dos diagnosticados e aqueles que estão vinculados aos serviços especializados em HIV/Aids em tratamento. Das 734 mil pessoas que vivem com HIV/Aids, 80% (589 mil) foram diagnosticadas, enquanto 20% (145 mil) não conhecem o seu status sorológico. Dos casos conhecidos, cerca de 61% (436 mil) estão retidos nos serviços de saúde e, apesar dos esquemas terapêuticos estarem mais simplificados, a adesão permanece um desafio que implica o reconhecimento dos processos de  estigma e exclusões que, combinados, interseccionam e atualizam injustiças sociais.


Nesse sentido, o caso das travestis e mulheres trans parece peculiar, pois se trata de um dos grupos mais vulneráveis e susceptíveis à infecção pelo vírus HIV/AIDS. Dados publicados na Revista Lancet informam que estas pessoas tem 49 vezes mais chances de conviver com o HIV do que a população em geral, indicando que a recusa social em relação a determinadas expressões de gênero e sexualidades, que não repousam sobre uma identidade supostamente “natural” (homem ou mulher), leva a situações de desvantagem e restrições sociais incomparáveis a outros segmentos populacionais considerados equivocadamente como similares, como gays/HSH. Fatores relacionados com a violência transfóbica são determinantes para o acréscimo de vulnerabilidades e risco à infecção para o HIV e adoecimento em decorrência da aids.


Assim, para melhor compreensão da dinâmica da epidemia de HIV, mais do que nunca, é crucial reconhecer que “novas” e “velhas” tecnologias de prevenção, novos e velhos olhares devem se conjugar no entendimento dos contextos intersubjetivos geradores de vulnerabilidades. Para que as ações no campo da prevenção do HIV/AIDS sejam eficazes, é necessário que haja um alinhamento com outras esferas das políticas públicas e da vida social, de modo que as populações mais afetadas possam gozar de cidadania plena, apropriando-se de seus direitos nas diferentes esferas das suas existências.

 


*Juny Kraiczyk e Lucas Seara são coordenadores da ONG ECOS - Comunicação em Sexualidade.


Este é um espaço aberto à opinião de organizações associadas à Abong, entidades, coletivos e redes parceiras e movimentos sociais que atuam pela garantia de direitos e bens comuns. Os artigos publicados não refletem o posicionamento institucional da Abong.

 

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