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informes - ABONG

55102/12/2016

Resistência é desafio para os/as estudantes secundaristas

Para a estudante Ana Júlia, que fez o discurso mais elogiado e repercutido nos últimos dias contra as medidas do governo Temer, resistir diante de falta de apoio e violência policial e psicológica é a maior dificuldade

 

Por Kaique Santos

 

“Ocupar é um novo meio de luta”. É assim que a estudante secundarista Ana Júlia, em entrevista à Abong, resume o movimento dos/as estudantes secundaristas contra as medidas do governo de Michel Temer (PMDB). Ana Júlia, de 16 anos, foi autora do discurso que repercutiu Brasil afora contra a PEC 55, do teto dos gastos, MP 746, da Reforma do Ensino Médio, e contra o Projeto Escola Sem Partido.

 

No fim de 2015, a nova forma de mobilização empreendida por estudantes ganhou força em São Paulo após o projeto de reorganização escolar do governador do Estado Geraldo Alckmin (PSDB). Porém, na conjuntura atual, os/as secundaristas do Paraná são os protagonistas. Gabriel Di Pierro, da Unidade de Juventude da ONG Ação Educativa, explica que São Paulo não está engajado na luta como no ano anterior por causa da rápida atuação do Poder Público contra os/as estudantes. “Os alunos querem fazer ações, reagirem, mas eles estão muito desprotegidos. Há um sistema de repressão que está funcionando neste momento, eles estão sendo sufocados”, afirma. Ele diz ainda que os/as estudantes estão tentando denunciar as violações que estão sofrendo na tentativa de ocupar escolas.

 

Ana Júlia, que fez um discurso na Assembleia Legislativa do Paraná, conta que lá não está sendo muito diferente. “Enfrentamos muita violência. Moral e psicológica. Não somos ouvidos, não somos levados a sério”. A estudante acrescenta a falta de apoio como outra grande dificuldade enfrentada nas ocupações. “Dependemos muito de doações de alimentos e muitas vezes as pessoas não sabem o que exatamente doar para ajudar. Nós, os próprios estudantes, que cozinhamos.”

 

O presidente Michel Temer afirmou recentemente não dar importância para as ocupações. Di Pierro comenta a declaração contrapondo o que Temer disse. “Ele teve um esforço presumível que é diminuir a importância das ocupações. O governo federal, exatamente porque está tentando implementar uma política de cima pra baixo – o interesse não é dialogar com os estudantes -, tem um esforço de abafar estes movimentos obviamente para minimizar o impacto que causam. Está claro que Temer tem preocupações.”

 

Sobre a marginalização dos/as estudantes gerada por parte da sociedade, Ana Júlia apresenta alternativas. “Há falta de compreensão e conhecimento. Quando a mídia começar a passar os dois lados, quando não houver criminalização dos movimentos sociais, este pensamento começará a mudar”, acredita a secundarista. Apesar das dificuldades enfrentadas, ela não desanima. “Resistimos não deixando a ideia morrer, não parando de lutar. A resistência está dentro de nós.”

 

Propostas alvos das ocupações

 

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 55, apelidada pela sociedade civil como “PEC do fim do mundo”, prevê a limitação de investimentos em áreas como educação e saúde por vinte anos e está em tramitação no Senado. Antes era chamada de PEC 241.

 

A MP 746/2016, da Reforma do Ensino Médio, proposta pelo presidente da República Michel Temer, está em discussão no Congresso Nacional e estabelece a possível exclusão de disciplinas como Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia da grade curricular obrigatória.

 

Apelidado de “lei da mordaça”, o Projeto Escola Sem Partido foi criado em 2004 e está em tramitação em diferentes Casas Legislativas do País. O projeto tem como objetivo combater uma “doutrinação ideológica”. O Escola Sem Partido defende que professores/as não são educadores e que "formar o cidadão crítico" é sinônimo de "fazer a cabeça dos alunos". É um projeto de escola que remove o seu caráter educacional, defendendo que os/as professores apenas instruam para formar trabalhadores/as sem capacidade de reflexão crítica.

 

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