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informes - ABONG

38829/05/2007 a 4/06/2007

OPINIÃO: “Son los sueños todavía” Nenhum direito a menos

Movidos pelo sentimento e pela firmeza de propósitos, movimentos sociais e entidades da sociedade civil brasileira saíram às ruas, ocuparam praças, rodovias, represas, praias, para manifestações em torno de direitos.

A Jornada de Lutas do dia 23 de maio é parte de um calendário geral, organizado pela Assembléia Popular, iniciada com as manifestações das mulheres no 8 de março, com destaque para o repúdio ao imperialismo norte-americano. Nesse dia, a Jornada esteve centrada na política econômica do governo Lula e nos direitos ameaçados.

Não é a primeira vez na era Lula que os movimentos sociais realizam protestos, notadamente organizações que têm um vínculo maior com as lutas campesinas. A grande novidade é que de forma articulada, acumularam para enfrentar questões estruturais, determinantes do modelo neoliberal implantado no país. Os movimentos se uniram, respeitadas as diferenças, os tempos e vínculos políticos, para denunciar as graves conseqüências de longos anos de colonização e controle consentido em âmbito governamental, por parte de um sistema financeiro que, além de vir gerando exclusão territorial, social e degradação ambiental, tem servido para impossibilitar a participação de amplos setores da sociedade civil nos rumos do desenvolvimento.

Mais ainda: os movimentos se empenharam fortemente em sensibilizar a população, fazendo de suas ações, processos educativos e de formação de consciência crítica. Essa perspectiva restou clara na escolha do que se tem de mais simbólico como instrumento de dominação do capital: com a ocupação da USP-SP, a denúncia da privatização de setores estratégicos para o desenvolvimento do Brasil; com a ocupação da barragem de Tucuruí no Pará, a denúncia das formas de intervenção do sistema financeiro no nosso país; com as mobilizações dos povos indígenas, a denúncia dos impactos de grandes projetos de infra-estrutura; com a ocupação de 36 BRs, a denúncia do avanço do agronegócio em detrimento de uma política de fortalecimento da agricultura familiar.


“El dolor no há matado a la utopía”

O 23 de maio foi o dia “D”. Fato mobilizador de 1 milhão de sobreviventes. Mais do que isso, provável desencadeador de processos de solidariedade e de auto-identificação por parte de milhares de pessoas que viram, escutaram ou leram que as diversas expressões de um modelo de desenvolvimento, ajustado à ordem internacional, desajustam suas vidas quando lhes negam direitos essenciais.
A ação articulada dos movimentos em torno de setores estratégicos foi fundamental para o fortalecimento de laços urbanos e rurais, para apontar a necessidade de atitudes cada vez melhor organizadas e mais veementes e para mostrar o que estava silenciado, principalmente no que se refere à questão energética.
A hidrelétrica de Tucuruí, erro político de mais de 20 anos, foi resgatado e exposto nas suas contradições.

“Son los sueños todavía
los que tiran a la gente
como un imán que los une cada día”

O dia 23 foi tão importante no seu significado que conseguiu mobilizar o presidente da República. Até então alheio a tantas expressões efetivas dos movimentos em suas lutas por acesso, consolidação e novos direitos, foi dele que partiu a ordem para que o Exército entrasse na barragem para retirar da forma mais truculenta, trabalhadores e trabalhadoras da área.

O dia 23 foi um aviso. Os movimentos, com cuidado, acertaram o passo, com a clareza do que é possível e do que ainda não é. É desse jeito que demandam nossa solidariedade, nosso apoio; demandam ousadia e cumplicidade.

Sejamos, então, cúmplices da coragem; sejamos parceiros/as na luta; sejamos resistentes, como têm sido secularmente as populações indígenas, negras e quilombolas.

“No se trata de Molinos, no se trata de Quijotes”.

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