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informes - ABONG

38722/05/2007 a 28/05/2007

Os homossexuais e suas respostas mobilizadoras

Aconteceu em São Paulo, nos dias 18 e 19 de maio, um encontro promovido por duas filiadas da Abong: o Grupo Pela Vidda/SP e a Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), ONGs históricas, precursoras do movimento de luta contra a Aids no Brasil. O seminário “Homossexuais e Aids no Brasil: esquecer ou enfrentar?” foi chamado diante da gravidade da epidemia entre os gays, que está sendo negligenciada no Brasil nos últimos anos; das poucas ações em curso; da alta incidência do HIV/Aids; e da grande vulnerabilidade desta população.

Mas como redefinir uma política pública de prevenção e controle do HIV/Aids junto aos homossexuais, sem permitir o retorno da discriminação contra este grupo?

O desafio reuniu pessoas e organizações não-governamentais de vários Estados do País, com diversas trajetórias, experiências e campos de atuação. Chama a atenção que o encontro foi além de atingir o propósito de discussão de um problema de saúde pública, foi além de propor novas medidas para conter o recrudescimento da Aids entre os homossexuais. Tratou-se de um momento de diálogo franco e de uma nova aliança estratégica entre dois movimentos sociais, que têm se destacado nos últimos tempos no Brasil: as ONGs de combate à Aids e as ONGs do movimento GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros).

Ao lado de gestores/as públicos/as das três esferas de governo, a retomada de uma pauta conjunta deu clara demonstração de como potencializar respostas comunitárias que guardam afinidades entre si, de como unir esforços e histórias comuns de engajamento.

Partiu-se da autocrítica de que os homossexuais ocuparam até agora um espaço ambíguo no cenário da Aids no Brasil: contribuíram para a formação de um movimento comunitário forte, mas não conseguiram impor como terreno permanente de intervenção da sociedade civil e como agenda governamental prioritária a sua própria vulnerabilidade diante da infecção pelo HIV.

Todos/as falam das peculiaridades, do exemplo e da força do movimento de Aids no Brasil, assim como dos méritos da resposta governamental, atribuída, em grande parte, à mobilização da sociedade civil. Mas quase nunca há o reconhecimento público aos homossexuais, que desde o surgimento da Aids, na década de 1980, foram os primeiros a combater o terror com que a doença era tratada (chamada até de “câncer gay”) pela mídia e pelo meio médico.

Foi mesmo devastador o impacto da epidemia junto à comunidade homossexual, pois além do grande número de infectados e de mortos, via-se reforçado o preconceito em relação à orientação sexual e a supostos comportamentos “desviantes”.

Os primeiros ativistas eram homossexuais diretamente afetados, movidos pelo medo de morrer, pela imposição da morte civil e pela dor da perda de amigos, e companheiros. Logo fizeram da defesa dos direitos e da dignidade das pessoas vivendo com HIV e Aids a causa mobilizadora das suas ações.
Isso permitiu a rápida ampliação da base social do movimento, despertou o interesse de outras pessoas interessadas na luta contra a Aids, que passou a atingir todos e todas, sem distinção; favoreceu a abertura das associações para grupos e outros movimentos (usuários/as de drogas, profissionais do sexo, mães e crianças HIV-positivas, negros/as, mulheres, etc.).

Boa parte das ONGs/Aids no Brasil foram criadas e são até hoje lideradas por homossexuais. Credita-se aos gays o conceito e a prática do sexo mais seguro, dentre outras relevantes contribuições.
Ao longo do tempo, as ONGs contribuíram na conscientização da comunidade homossexual para a mudança de comportamento conducente à prevenção. A este trabalho é atribuída a suposta diminuição da incidência da infecção pelo HIV nesta população, ainda que já existam evidências de um “rebote” da epidemia, sobretudo junto às novas gerações de homossexuais.

Em outra frente, destaca-se a história recente do movimento GLBT, que investiu na formação de novos grupos, na capacitação de ativistas, na luta contra a homofobia, nas ações de visibilidade pela inclusão e na defesa dos direitos humanos.

É inquestionável a relevância, por exemplo, das Paradas do Orgulho GLBT e da aprovação de leis contra o preconceito por orientação sexual, além da implantação de serviços para denúncias sobre atitudes de violência e discriminação. A criação do programa interministerial “Brasil sem Homofobia”, que ainda não se materializou totalmente em ações práticas, é outra resposta ao movimento organizado empenhado na promoção da “cidadania homossexual.”

Neste recente encontro realizado em São Paulo, ficou assim combinado: os movimentos homossexual e de luta contra a Aids, assim como as esferas governamentais, envidarão esforços conjuntos para construir uma nova agenda pública de enfrentamento de um problema identificado pela sociedade civil. Se der certo, mais uma vez os homossexuais estarão à frente de uma bela história de mobilização e de democracia social no país. (M.S.).

Os resultados do encontro podem ser conferidos nos sites do Grupo Pela Vidda – www.aids.org.br, da Abia – www.abiaids.org.br e da Abong – www.abong.org.br – box Artigos e debates.

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