ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Fundação Ford
  • REDES

    • Plataforma Reforma Política
informes - ABONG

38013/03/2007 a 19/03/2007

Meninas, jovens e mulheres da pele preta

A luta das mulheres negras sempre foi intensa diante dos desmandos do escravismo e se perpetuaram no pós-abolição. A sua trajetória no Brasil atravessa séculos, vitimadas pela violência física e racial provocadas pela discriminação. As mulheres indígenas, por sua vez, foram vítimas dos algozes europeus, sendo as primeiras mulheres neste continente a vivenciar os abusos e desmandos não só em seu corpo, mas na sua cultura e religiosidade.

Em busca pelo direito à igualdade, o movimento feminista no Brasil dá seus primeiros passos com a conquista do voto feminino, nos anos 1930. A partir de então, as mulheres negras também começam a se organizar: na década de 1940, com o 1º Congresso Nacional de Mulheres de Cor, no Rio de Janeiro, apoiado por Abdias do Nascimento. Na pauta, a necessidade da inclusão das mulheres negras no mercado de trabalho, bem como a sua participação em cursos como os de alfabetização, corte costura, prendas domésticas e artes culinárias, visando a sua qualificação para o mercado.

Vimos o crescimento e a organização das mulheres negras, durante os anos 1960, e, nos anos 1970, com o surgimento do Movimento Negro Unificado, a luta destas mulheres passa a se intensificar, em busca do fim da violência racial. Elas levam para o interior do movimento as denúncias das múltiplas discriminações sofridas, para chamar a atenção da sociedade brasileira sobre a discriminação racial. Nos anos 1980, surgem as ONGs de mulheres negras, que não apenas passam a denunciar, mas também a propor políticas públicas voltadas para as mulheres negras e jovens.

Agora, mesmo com a grande conquista para todas as mulheres que foi a Lei. 11.340/2006  – a Lei Maria da Penha, contra a violência às mulheres –,  temos visto principalmente crianças jovens adolescentes negras sendo vitimadas pelas chamadas “balas perdidas”, nos confrontos entre policiais e bandidos ou em ações de grupos de extermínio. 

Por isso, falar em 8 de março de 2007 é também falar dessas meninas, mulheres jovens negras da pele preta, dessa violência que entra nas telas da TV e vai para vida real, e sai da vida real e vai para telas da TV,  no cotidiano de cada uma. E, neste momento, que vem à baila a discussão da redução da idade penal, movida pela mídia nacional, as mulheres negras e jovens devem estar atentas e mobilizadas.

Assim, a luta pelo combate ao racismo e a discriminação continua a ser travada diariamente. Isto faz com que o movimento de mulheres negras demonstre, pela sua mobilização, que é necessário impactar a sociedade brasileira, mudar mentalidades e comportamentos e nortear novas praticas capazes  de concretizar o ideal democrático. Para que se viva a plena democracia, sendo menina, jovem e mulher da pele preta. (Por Deise Benedito).

 

 

*Deise Benedito, presidente da Fala Preta Org. de Mulheres Negras, integrante do Fórum Nacional de Mulheres Negras e do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR): deisebenedito45@yahoo.com.br

lerler
  • PROJETOS

    • Fórum Social Mundial

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca