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informes - ABONG

3796/03/2007 a 12/03/2007

8 de março e humanização do parto

A visão unilateral da humanização do parto a identifica com a promoção do parto natural. Entretanto, este enfoque exclusivo retira dela um de seus eixos centrais, que a aproxima do movimento feminista: ambos promovem a autonomia, cidadania e protagonismo das mulheres.

O movimento pela humanização do parto opera um deslocamento que o feminismo inaugurou: leva para o debate público o evento privado e íntimo do parto. Cerrado no gabinete médico, sujeito ao parecer de especialistas, enclausurado na sala cirúrgica, o parto moderno é oportunamente decorado e transformado num bem de consumo, em que o desnecessário toma o lugar do essencial. O que o glamour deste parto encobre é a desapropriação da individualidade da mulher, o controle sobre seu corpo, a manutenção de sua ignorância a respeito daquilo que está acontecendo, o uso de conhecimentos específicos como instrumento de controle sobre suas emoções, vontades e objetivos.

As mulheres encontram-se, assim, reféns de uma cultura acrítica e daquela médica que não as apóia, que nega sua competência e pretende dobrá-las a conveniências alheias. Sua inquietação é desvirtuada em função de reconduzi-las à docilidade que se espera delas – tudo isso na aparente boa-fé de “cuidá-las” e “salvar a vida de seu bebê” (que ela estaria pondo em perigo irresponsavelmente!). Aqui está uma das raízes do surgimento do movimento pela humanização do parto.

Entretanto, a transição para um novo paradigma de atendimento e abordagem do fenômeno do parto é um processo que requer alguns cuidados, para não repetir o antigo modelo sob nova roupagem. Contribuir para que as mulheres sejam agentes de sua gravidez e parto exige das comunidades médica e não médica envolvidas um tipo de inteligência que permite a distinção entre recriar o modelo de dependência e promover a autonomia.

Apesar de sabermos da excelência do parto natural, é preciso lembrar que, enquanto os/as profissionais de saúde humanizados/as promovem o parto fisiológico, é indispensável que a humanização do parto como movimento social mantenha em seu centro ideal a promoção da autonomia das mulheres antes de mais nada. As mulheres têm o direito de percorrer seus próprios caminhos de amadurecimento, conscientização e aquisição de conhecimentos. Oferecer-lhes esta chance é a verdadeira missão do movimento pela humanização do parto, o que claramente o insere no projeto feminista de emancipação das mulheres de toda subjugação e manipulação política, social, cultura e, agora, médica. (Por Adriana Tanese Nogueira).

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