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informes - ABONG

37827/02/2007 a 5/03/2007

Movimento de lésbicas: revisitando conceitos

A polarização dos sexos na sociedade brasileira, como em tantas outras, está naturalizada através das representações sociais, constituídas e reafirmadas por meio de um sistema rígido de discursos, as quais produzem sentidos e norteiam o entendimento sobre as relações humanas. Isso porque a realidade é construída socialmente com base em processos simbólicos dos indivíduos na interpretação do mundo.

As reivindicações políticas de “outros sujeitos sociais”, para além do “trabalhador” (o sujeito hegemonizado pelo discurso revolucionário tradicional), apresentam-se como dinâmicas problematizadoras da dicotomia público e privado, uma vez que inserem aspectos até então desconsiderados – como a sexualidade e as relações familiares – no âmbito das reivindicações políticas. Fornecem, assim, outras perspectivas para o conceito tradicional de movimento social –, tido até então como propulsor da revolução apenas pelas transformações das relações econômicas1.

As palavras e as coisas estão em constante mudança. A fixação de identidade na constituição do sujeito político acaba por encontrar limites ante as diferenças. Os movimentos identitários, nessa correlação de forças, são fundamentais para a instabilidade dos conceitos de humano, de ética e estética.

Nesse contexto, os movimentos de lésbicas, embora fixados em um sujeito feminino e homossexual/bissexual, trazem a denúncia do sistema heterossexual permeado pela violência contra as mulheres (silenciamentos, desvalorização das associações de mulheres, apropriação/mercantilização dos corpos femininos). Uma reação de muitas mulheres organizadas à sociedade representada pelo heterossexual masculino, com lugares construídos pelos discursos, consolidados como determinados e privilegiados. Lugares e práticas reproduzidos inclusive pelo movimento homossexual, que muitas vezes promovem a invisibilidade das lésbicas, tirando-lhes o lugar de fala e promovendo políticas que não as contemplam.

As lésbicas organizadas buscam a visibilidade das relações entre mulheres, reivindicam políticas públicas sensíveis às diferenças, como por exemplo, políticas de saúde, que não partam do pressuposto de que todas as mulheres se relacionam heterossexualmente, e políticas de educação, que não normatizem as meninas nos padrões femininos imutáveis e definidores de papéis, promovendo o respeito as suas individualidades. Tais reivindicações trazem questões importantes para pensar a construção do feminino (desempoderado) heterossexual (reprodutor) na sociedade. (Por Maria Célia Orlato Selem).

1 Refiro-me a interpretações da concepção marxista de revolução, que se daria pela tomada do poder pelos/as trabalhadores/as, visando à transformação do sistema capitalista pelo socialismo.

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