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informes - ABONG

37131/10/2006 a 6/11/2006

OPINIÃO: O Brasil e as suas contradições

Dia 29 de outubro mais uma vez o Brasil foi às urnas. Um Brasil que só podemos entender pelas suas contradições. Ainda somos uma nação em construção, e talvez este processo nunca acabe e seja a nossa maior riqueza.

 

Somos o país mais desigual do mundo, mas ao mesmo tempo somos capazes de promover "espetáculos" de democracia, em que 120 milhões votam e sabemos os resultados das eleições no mesmo dia. Somos um dos poucos países que tem, há 61 anos, eleições, de forma ininterrupta, para o Legislativo, mas que recuperamos há apenas 17 anos o direito de votar para presidente.

 

Somos um país onde a democracia política, na maioria das vezes, é usada, para se perpetuar a ditadura da economia, portanto, dos interesses das elites. Aqui, a democracia política passa a léguas da democracia econômica. A nossa democracia política não representa necessariamente a democratização das relações, tanto as públicas como as privadas. Somos um país contraditório.

No domingo, homens e mulheres, mais uma vez, fomos chamados a decidir sobre "os destinos da nação". Mas será que realmente é nos processos eleitorais que se decide o destino da nação? Ou os processos eleitorais nada mais são que um rearranjo dos diversos interesses, legítimos ou não, presentes na sociedade? Será que nos processos eleitorais apenas é explicitada a nossa total falta de um, ou de vários, projetos de nação? Será que nos rendemos à fragmentação da sociedade chamada pós-moderna? 

Não pretendemos aprofundar a análise da estrondosa vitória do presidente Lula para um segundo mandato. Mas com certeza a vitória política e eleitoral do PT (ao contrário das previsões de alguns "formadores/as de opinião" de que este partido seria exterminado do cenário político brasileiro) e do presidente Lula reflete uma profunda mudança na sociedade brasileira. O caráter e o sentido desta mudança, ainda levaremos anos para analisar e compreender. 

Mal encerrada a apuração do segundo turno das eleições, evidenciam-se as disputas em torno dos rumos do segundo mandato presidencial de Lula, entre os(as) defensores(as) de um projeto "desenvolvimentista", cuja natureza precisa ser devidamente explicitada, e os(as) defensores(as) da hegemonia do setor financeiro, encarnada no poder autônomo do Banco Central. 

Para nós, organizações e movimentos, que nos construímos na luta pela radicalização dos processos democráticos e no combate a todas as formas de desigualdades, fica a tarefa, nada fácil, de ao mesmo tempo de analisar essas mudanças profundas da sociedade brasileira e de atuar como sujeitos políticos, autônomos e independentes, neste processo. Fica para nós a difícil tarefa de nos reconstruímos como um campo político que resgate e atualize os ideais revolucionários e de esquerda que os movimentos construíram ao longo da história.

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