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informes - ABONG

3635/09/2006 a 11/09/2006

OPINIÃO: A Sociedade Civil e o aprofundamento do debate político eleitoral

Na eleição de 2002, a Abong e um conjunto de articulações, fóruns e redes publicaram uma carta aberta aos candidatos à presidência da República, expressando a sua indignação diante da ação articulada e continuada que visava a condicionar o processo político e o debate eleitoral à vontade do "mercado" e a cercear, desde logo, a atuação do futuro presidente.

 

Esta iniciativa, mesmo limitada, contrasta com o nosso silêncio atual, cujo pano de fundo é uma campanha eleitoral que, ao contrário da de 2002, não foi marcada até agora por nenhum acontecimento dramático, sobretudo no terreno econômico, e na qual a confiança aparentemente inabalável dos mercados na estabilidade econômica propicia um quadro político bastante diverso do ambiente tumultuado da eleição anterior.

 

É verdade que, já em 2002, até mesmo as organizações da sociedade civil e os movimentos sociais mais posicionados à esquerda empenharam-se menos do que podiam no questionamento dos candidatos e do compromisso que até mesmo os candidatos de oposição (Lula, Garotinho e Ciro Gomes) assumiram ante o acordo com o FMI. As entidades comprometidas com a transformação social estavam, então, mais preocupadas em não comprometer a eleição de Lula, depositário de suas melhores esperanças.


Em 2006, a temporada eleitoral tem sido marcada por um debate extremamente superficial, no qual a própria mídia tem-se empenhado muito pouco em provocar o debate em torno das propostas econômicas dos(a) candidatos(a), o que pode ser facilmente explicado pela satisfação da mídia com o fato de os dois candidatos principais não divergirem acerca da continuidade, em suas linhas gerais, da política econômica que atende aos interesses do capital financeiro e tranqüiliza "os mercados".

 

Já a senadora Heloísa Helena encontra bastante espaço para a sua pregação ética, mas não encontra espaço para o debate das suas propostas econômicas, aliás, apresentadas até agora de forma esquemática e pouco propícia ao debate. A exceção mais notável nesse cenário desalentador de cobertura da imprensa ao debate econômico cabe à revista Carta Capital, que acaba de ouvir os(a) candidatos(a) Lula, Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque acerca de suas idéias sobre câmbio, juros, política industrial e agrícola.

 

Segundo a Carta Capital, "com exceção de algumas posturas mais incisivas da candidatura Heloísa Helena, como a imposição de controles a capitais especulativos estrangeiros, o tom das propostas é ameno". Por outro lado, fora do debate eleitoral em sentido estrito, economistas críticos(as) das linhas mestras das políticas econômicas dos governos FHC e Lula, como Ricardo Carneiro e Paulo Nogueira Baptista Jr., continuam questionando a política de juros altos e câmbio sobrevalorizado e exigindo maior intervenção pública nos investimentos.

Não pretendemos fazer aqui o balanço das propostas dos(a) candidatos(a), já que a opinião que ora expressamos se dirige muito mais à sociedade civil e à sua postura diante do processo eleitoral. Como fazer ouvir a nossa voz em defesa de uma política econômica que nos permita sair deste "gradualismo a passo de cágado" (Paulo Nogueira), incompatível com o crescimento econômico e com a inclusão social? Onde está a sociedade civil de esquerda na defesa de políticas econômicas capazes de romper com a hegemonia da acumulação financeira e promover uma distribuição de renda de forma acelerada? Por que a sociedade civil não leva a sério o debate de propostas alternativas, como as da senadora Heloísa Helena, mesmo que estas não venham embasadas num debate consistente sobre a sua viabilidade econômica e política?

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