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informes - ABONG

35220/06/2006 a 26/06/2006

OPINIÃO: Em épocas de copa do mundo

Em épocas de copa do mundo, nos acostumamos a ver pelos meios de comunicação de massa uma hegemonia masculina de atores brancos, na sua grande maioria, que se dividem entre comentários e informações sobre os atores negros, na sua grande maioria, que se destacam como jogadores na nossa seleção. São os lugares sociais destinados a cada cidadão e cidadã, a depender da sua cor, do seu sexo e de tantas outras características que definem a história de cada um. São os Galvãos, Jucas, Arnaldos, Miltons, falando dos Ronaldinhos, Ronaldões, Robinhos, Zé Robertos, Cafus, Didas. Às mulheres restam os lugares de "dondocas" nos debates nos canais das televisões, sorteando prêmios, ou nas arquibancadas, com seus biquínis verde e amarelo, desfilando para o mundo a já consagrada beleza da mulher brasileira, ou nas propagandas de cervejas, em que o consumo da bebida se confunde com o consumo do corpo feminino.

Futebol é "coisa de homem", assim fomos aprendendo desde pequeninos. Assim ocorre entre os homens, que disputam os ingressos das partidas e os lugares do sofá do domingo, ou entre as mulheres, que aprendem a comentar sobre o absurdo de ficar ligado em uma partida de futebol durante horas seguidas. Estereótipos ou retratos de uma realidade?

A verdade é que poucos espaços há para os e as comentaristas e locutores(as) negros e negras. Também não há os mesmos espaços para o futebol feminino, que lutou bravamente nas últimas Olimpíadas para ter um lugar ao sol, contemplado com ínfimos recursos diante dos enormes interesses comerciais e financeiros do futebol masculino. São muitas também as dificuldades para que as juízas e bandeirinhas possam ter os mesmos direitos que os homens no mercado de trabalho do futebol, além de enfrentar o já tradicional vocabulário machista nos campos onde exercem a profissão.

São nestes momentos como as copas do mundo, nos quais as emoções acabam por superar as razões de ordem moral, que os processos educativos de reafirmação dos preconceitos e discriminação vão se impondo. Não só na mídia, mas nos bares, nos coletivos onde os jogos são assistidos, nas famílias e no cotidiano da vida de cada um e de cada uma.

Diante desses fatos, e de tantos outros exemplos do dia-a-dia que impõem valores discriminatórios e preconceitos, que a partir de 1990, por uma iniciativa das educadoras filiadas à Rede de Educação Popular entre Mulheres da América Latina e do Caribe (Repem), passou a ser celebrado na América Latina, em 21 de junho, um dia de luta por uma educação sem discriminação, uma educação inclusiva, visando à construção de uma sociedade mais justa e eqüitativa no que se refere ao gênero, à raça e etnia, à classe social ou à idade.
Vale a pena refletir sobre como nas diversas sociedades, por meio de processos educativos - que não são só os escolares -, os comportamentos, as normas e os valores são produzidos e reproduzidos, contribuindo para a conformação de um futuro mais (ou menos) justo e respeitoso entre os seus habitantes.


O dia 21 de junho, neste ano, cai em plena copa do mundo de futebol. E este pode ser um momento para um olhar crítico e diferente sobre tudo o que vem se passando.

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