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informes - ABONG

3417/03/2006 a 13/03/2006

OPINIÃO - É sempre bom lembrar...

8 de março. Todos os anos, um dia para todas as mulheres do mundo. Um dia para falar dos direitos e da história de lutas das mulheres. Das lutas de todos os dias, sem passeatas, sem discursos, sem bandeiras. Das lutas que não se homenageia nem se comemora. Da realidade que se esquece por trás das frases feitas, que anunciam que as mulheres já conquistaram tudo, que o mundo lhes abriu todas as portas e possibilidades, bastando-lhes apenas ter competência para entrar na concorrência por um espaço na vida de todo dia.

Sim, as mulheres em suas ações do dia-a-dia, nas suas organizações e movimentações, conquistaram muito, mas não o suficiente para transformar o mundo, para torná-lo verdadeiramente justo e democrático. Não o bastante para que a noções de competência e concorrência sejam substituídas pelo direito como um valor. Ainda estamos muito distantes desse dia, pois: Como esquecer que o percentual de mulheres desempregadas no Brasil, segundo pesquisa recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), aumentou de 4,9%, em 1990, para 14,8%, em 2004, enquanto que no caso dos homens este percentual cresceu de 4,8% para 9,5%, no mesmo período, fazendo com que a diferença nas taxas de desemprego entre homens e mulheres tenha subido assustadoramente de 2%, em 1990, para 55%, em 2004?

Como aceitar que a renda mensal média das mulheres negras, em 2003, tenha sido de R$ 292,00 e a dos homens brancos tenha sido R$ 931,10 no mesmo período? (Ipea/2003).

Como acreditar que vivemos em uma sociedade democrática quando a taxa de analfabetismo das mulheres negras era, em 2000, de 28,19%, enquanto que os homens brancos nesta situação tiveram uma taxa de 8,23%?(Unifem /2006).

Onde está a igualdade quando 38,6% das mulheres ocupadas em atividades agrícolas, em 2002, estavam na categoria não remuneradas, enquanto se encontravam na mesma situação 17,75% dos homens? (Unifem /2006).

O que nos diz o fato de que, em 2004, apenas 29,83% dos créditos imobiliários distribuídos pela Caixa Econômica Federal tenham sido destinados às mulheres ?(Unifem /2006).

Como fica a universalidade dos direitos quando sabemos que, também em 2004, apenas 28% das aposentadorias concedidas às pessoas residentes em áreas urbanas foram destinadas às mulheres? (Lavinas, 2005).

Há dignidade quando sabemos que, em 2003, foram registrados 14.800 estupros no Brasil? Quando sabemos que, em 2001, um terço das mulheres admitiu já ter sido vítima de alguma forma de violência física durante a sua vida, e que a cada 15 segundos uma mulher é espancada por um homem? (Unifem/2006).

E tudo isso fica mais complicado na medida em que as estatísticas não dizem tudo, algumas parecem estar sempre atrasadas e são exatamente aquelas que contam da vida do dia-a-dia, já que os índices de crescimento econômico são sempre muito atuais. Assim, essa diferença nos tempos pode ser um argumento para se dizer que tudo já mudou, enquanto tudo continua no mesmo lugar, no desenrolar de um cotidiano que parece repetir-se sem ter fim, tal qual as tarefas domésticas que às mulheres foi imposto o fazer.

Mas há muito que realizar, há que lembrar todos os dias – e não apenas em um dia – que a utopia de uma sociedade justa, igualitária, democrática só será real quando as estatísticas que nos demonstram que não há direitos, mas sim privilégios, sejam memórias de um tempo já passado; quando as mulheres estiverem em todos os lugares e quando todos os lugares sejam também das mulheres, durante todos os dias da vida.

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