ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • CIVICUS
  • REDES

    • Action2015
informes - ABONG

33730/01/2006 a 6/02/2006

OPINIÃO - O Fórum Social Mundial em 2006

Como tem ocorrido nos últimos seis anos, com o mês de janeiro chega o Fórum Social Mundial. Neste ano de 2006, uma nova experiência de organização está sendo experimentada: a realização de três fóruns policêntricos em três continentes diferentes – Bamako (Mali), de 19 a 23 de janeiro; Caracas (Venezuela), de 24 a 29 de janeiro; e Karachi (Paquistão), que acontecerá no final do mês de março.

A realização dos dois primeiros, até o momento, mostrou a força do FSM, com a presença de 20 mil pessoas no Mali e de mais de 70 mil em Caracas. O reconhecimento do seu sucesso reacendeu o debate sobre dois temas que são freqüentes desde a primeira versão do FSM, ocorrida em Porto Alegre 2001: o sentido do FSM e o lugar dos governos e partidos.

O sentido do FSM sempre polarizou posições. De um lado, estão aqueles(as) que defendem o FSM como um espaço aberto e plural, de encontro das diversas organizações, movimentos e redes para debate de idéias, análise da realidade e apresentação e organização de propostas e atividades, visando à luta e à superação do modelo de globalização e das políticas neoliberais. Defendem a horizontalidade do processo e a não diretividade por grupos de pessoas e organizações. Do outro lado, estão aqueles(as) que entendem que este modo de constituir o FSM é insuficiente para superar os desafios colocados pela conjuntura e que insistem na necessidade da transformação do FSM em um “ator coletivo”, orientado por rumos comuns e definidos por um conjunto de lideranças sociais e/ou intelectuais.

A Abong, nesse debate, tem sempre defendido a posição de manter o Fórum Social Mundial como um espaço aberto e plural, onde as diversas orientações e documentos produzidos pelas atividades auto-organizadas têm valor em si e são reflexos das diversas orientações produzidas nos diversos processos de luta social.

 

O grande desafio colocado é como construir unidades, com base nestas diversas orientações, respeitada a sua carta de princípios. Como construir estas convergências, “por dentro do FSM”, como processo coletivo, por meio daqueles(as) que estão diretamente envolvidos com as lutas sociais. No nosso ponto de vista, isto se faz radicalizando o método FSM: (a) definindo os seus temas com antecedência, por meio de ampla consulta entre os(as) participantes dos fóruns anteriores; (b) abrindo inscrições de atividades com antecedência suficiente para que todos(as) possam identificar as demais e buscar convergências antecipadas; (c) fazer do FSM cada vez mais um processo que se inicia antes do evento, por meio destas convergências, e que tem continuidade depois, nas diversas lutas comuns; (d) dando visibilidade e comunicação ao que vai sendo produzido e acordado, transformando processos locais e regionais em problemas e lutas coletivas.

O segundo grande debate que permanece ao longo dos anos é sobre o lugar social dos governos e dos partidos no processo do Fórum Social Mundial. Isto não quer dizer que haja oposição entre as entidades e movimentos da sociedade civil, que protagonizam e participam do FSM, e governos e partidos tradicionalmente seus convidados; nem que pessoas e organizações deixem de apoiar e participar deste ou daquele partido ou governo. O que se quer é reafirmar o protagonismo e a autonomia das organizações da sociedade civil no processo do FSM.

O significado dessa orientação é reflexo de como estas entidades e movimentos vêem o seu papel nas sociedades onde vivem. Há, sim, um protagonismo crescente destes setores organizados na América Latina e em outras partes do mundo. Há neste protagonismo disputa de significados, não há dúvida, como não poderia deixar de ocorrer em sociedades tão divididas socialmente como são as nossas.

No processo do FSM, há seis anos, encontram-se diversas organizações e movimentos, que procuram atuar de forma organizada e autônoma defendendo direitos e participando de processos que resultem em sociedades democráticas, com justiça social para as populações alijadas do mínimo necessário para viver. São contra o modelo de globalização atual e suas políticas neoliberais; são a favor de um Estado forte, não privatizado, voltado aos interesses coletivos.

Trata-se de afirmar que sem sociedade ativa não há governo capaz de realizar transformações profundas, como aquelas necessárias e urgentes de se construir em nossos países. Mas querem fazer isto de maneira autônoma, não subordinada, o que significa modificar tradicionais práticas políticas; porque um outro mundo é possível.

lerler
  • PROJETOS

    • Compartilhar Conhecimento: uma estratégia de fortalecimento das OSCs e de suas causas

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca