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informes - ABONG

33222/11/2005 a 28/11/2005

Outro líder sindical é assassinado no Sudeste do Pará

A Amazônia Oriental foi o local de mais um ato de violência contra lideranças ambientalistas: na noite de 17 de novembro, Pedro Laurindo da Silva, 46 anos, a esposa grávida e três filhos, foi assassinado com dois tiros na cabeça em uma das principais ruas de Marabá, Sudeste do Estado do Pará. Laurindo coordenava o acampamento Zumbi dos Palmares, com cerca de 150 famílias - que reivindicam a desapropriação da Fazenda Cabo de Aço, a 50 quilômetros de Marabá -, e estava na cidade para participar do seminário sobre Violência e Direitos Humanos, promovido pela Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos. 

O pistoleiro foi preso a cerca de mil metros do local do crime, alegando que matou o sindicalista porque teria repassado a ele R$ 500 por um lote e ele não teria recebido a terra. A história é considerada fantasiosa por entidades, que emitiram nota pública sobre o fato. Assinam o documento: Fase - Programa Amazônia, Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, MST, Cepasp, Fetagri/Regional Sudeste, CPT de Marabá e STR de Marabá. 

Diante disso, o Informes Abong conversou com Luiz Regason Bressan, técnico e educador popular da Fase/Programa Amazônia, que há 14 anos vivencia o dia-a-dia de violência da Região e estava em Marabá para participar do Seminário.

Informes: Em agosto, Adilson Vieira, da Rede GTA, foi agredido em um Seminário ocorrido em Manaus. Agora, Pedro Laurindo é assassinado em Marabá. Qual é a sua análise sobre esta situação de aumento da violência na Região? 

Bressan: A violência no campo ganhou contornos amazônicos e está ligada a: expansão do agronegócio; valorização das terras diante de perspectivas de infra-estrutura como estradas e barragens; incentivos de governos estaduais, para a implantação de grandes empresas pecuaristas, de produção de grãos; deslocamento de madeireiras e formação de fazendas na região da terra do meio, avançando para o Estado do Amazonas. A rapidez e a fúria do capital estão gerando novos conflitos, em geral expulsando e ameaçando comunidades tradicionais como ribeirinhas, quilombolas, indígenas, agricultores/as familiares. E uma liderança local ou de entidade de apoio que se contraponha corre risco de vida.

Informes: Como está a situação no Sul e Sudeste do Pará?

Bressan: O quadro do Sul e Sudeste do Pará é de guerra há cerca de 30 anos. De um lado, grupos/consórcios de fazendeiros, madeireiros, grileiros, sistematicamente mandam assassinar lideranças religiosas, políticas, sindicais, posseiros, como forma de intimidação. De outro, a resposta foi o aumento da organização, da resistência, gerando centenas de novas ocupações. Só assim a Reforma Agrária avançou, e o próprio Estado foi obrigado a reconhecer e a efetivar mais de 400 projetos de assentamento, hoje existentes na região. Mesmo assim, as mortes de lideranças continuam. A responsabilidade é do Estado pela morosidade e, principalmente, da ineficiência da justiça. O mais grave é que há um sentimento de IMPUNIDADE, pois se nem pistoleiros presos são julgados, como acontece, imagine os mandantes. Além disso, a região Sudeste/Eixo Carajás (PA e MA) vive um novo ciclo de investimentos em grandes empresas no setor metalúrgico, resultando, entre outros, no incentivo do desmatamento e conseqüente caminho para a monocultura de eucalipto. A modernização da pecuária com a instalação de grandes frigoríficos, assim como as visitas do Banco Mundial indicam o financiamento para um grande grupo internacional na linha de carnes. Essa situação já está gerando novos conflitos no campo e o aumento da violência e de condições desumanas de vida nas cidades.

Informes: Que medidas as organizações autoras da nota sobre o assassinato pretendem tomar? 

Bressan: Discutir medidas de proteção e segurança das lideranças ameaçadas com organizações de direitos humanos e o Estado; pressionar e acompanhar a justiça com o monitoramento contínuo dos processos contra fazendeiros e pistoleiros, por meio dos advogados da CPT e da SDDH; continuar as denúncias em caráter regional, nacional e internacional, via Redes, Fóruns, Abong, Justiça Global e para a relatora da ONU, que estará a partir de 6 de dezembro em Marabá, Belém e Altamira; celebrar as conquistas da reforma agrária, mostrando publicamente os resultados dos 400 projetos de assentamento. 
Além disso, a Comissão Pastoral da Terra lançará, em 28 de novembro, o Relatório Violação dos Direitos Humanos na Amazônia - Conflito e violência na fronteira paraense, elaborada em conjunto com Justiça Global e Terra de Direitos. 
Veja a Nota Pública no seguinte link do site da Fase: www.fase.org.br/regionais.asp?categoria=regional_amazonia&conteudo_id=3629&pag=2

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