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informes - ABONG

3216/09/2005 a 12/09/2005

Continua violência a ambientalistas e populações no AM

A violência a representações e movimentos que lutam em defesa do meio ambiente continua marcando o cenário nacional. Em 11 de agosto, durante um seminário sobre alternativas aos desmatamentos no sul do Amazonas (AM), ocorrido em Manaus, o secretário geral da Rede Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), Adilson Vieira, foi agredido fisicamente por produtores de soja e por Sérgio Calares, secretário de Produção e Abastecimento da Prefeitura de Humaitá, cidade do sul do Amazonas.

O motivo da agressão foi o conteúdo da exposição da Rede GTA, realizada por Vieira. Depois da intervenção no seminário - que contou com titulares do Ministério do Meio Ambiente e do Governo do Estado do Amazonas -, o secretário geral da Rede GTA foi cercado por mais de uma dezena de sojeiros, que o ofenderam com palavras de baixo calão. A seguir, Calares agrediu-o com um pontapé. A agressão foi registrada em delegacia policial, com queixa por agressão física e verbal.

Para saber mais sobre os problemas que a Rede GTA - que tem como chamada central Na Floresta Tem Direitos! Campanha Por Justiça Ambiental Na Amazônia - enfrenta no seu cotidiano, o Informes Abong conversou com Adilson Vieira. 

Informes: Qual é o cenário atual da relação entre os segmentos do agronegócios e os movimentos e Redes, como a GTA, na Amazônia? Somente o segmento dos produtores de soja tem usado de violência?

A.Vieira: O cenário atual é de aumento da violência contra as populações da floresta. Isto porque a soja tem avançado muito na Amazônia, inclusive fazendo a grilagem aumentar. São muitos os casos de pessoas que têm recebido ameaças de morte e que estão sendo expulsas de suas terras, sendo o sul do Amazonas a nova frente de expulsão. Os grileiros têm a sua ação na base da violência, pois eles chegam armados e colocam comunidades indefesas para fora das terras que nasceram. Os movimentos, sindicatos e o GTA têm feito uma série de denúncias ao poder público e à sociedade como um todo. O poder público, com todas as suas fragilidades, tem tentado agir, mas os órgãos públicos não têm estrutura, tornando o seu trabalho ineficiente, uma vez que os sojeiros têm toda a estrutura para agir, o que lhes dá uma enorme sensação de impunidade.

Informes: Que fatos fizeram com que os produtores de soja e o secretario de Humaitá agredissem você?


A.Vieira: Eu simplesmente disse que não poderíamos destruir o cerrado Amazônico e que o asfaltamento da BR 319 deveria ser mais discutido com a sociedade e possuir um plano de minimização de impactos para a população da região, assim como está se fazendo na BR 169. O argumento deles é que não estavam destruindo floresta e, sim, cerrado, que a soja estava desenvolvendo a Região e que nós queríamos o atraso da Região ao nos colocarmos contra. 

Informes: O que os governos locais e federal têm feito para mudar esta situação?


A.Vieira: A situação dos governos na região é extremamente frágil, pois eles não têm estrutura e nem pessoal para conter a grilagem e o desmatamento. Com isso, sofrem os pequenos, que estão vendo suas terras serem tomadas. O governo criou várias unidades de conservação na Região, mas ainda não implementou nenhuma e também não tem garantido a integridade às comunidades regionais e que estão fora dessas unidades de conservação. Puxo aqui a seguinte reflexão: Se estes sojeiros e um secretário municipal tiveram coragem de me agredir num seminário na capital do Estado, em um evento com muitas autoridades presentes, imaginem o que eles não fazem com os pequenos produtores lá no meio da floresta?

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