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informes - ABONG

31923/08/2005 a 29/08/2005

OPINIÃO: O cotidiano roubado

A crise política nos coloca na condição de dependência. Nosso cotidiano é assaltado pela última notícia, pela revista de final de semana, pelas manchetes dos jornais diários, pelas informações que, minuto a minuto, brotam pelo rádio ou nas telas dos computadores. Somos assaltados e assaltadas por analistas políticos do dia-a-dia que, com ou sem notícia, têm, por força do ofício, de nos pautar sobre o que pensar e dizer.

Desde junho deste ano, quando surgiram as primeiras denúncias de corrupção nos Correios, dormimos, acordamos e vivemos sob o impacto de nomes em listas, depoimentos infindáveis em CPIs, contas em bancos nacionais e estrangeiros, malas e cuecas com dinheiro - muito dinheiro -, delações premiadas, parlamentares, cafetinas, doleiros, secretárias...

Diante do espetáculo, não é possível não se falar sobre a crise, mesmo que seja de forma rápida, por um instante: "que coisa!", "onde nos metemos!?", "você soube da última?" Temos de estar informados(as), ler uma, duas, três revistas, vários jornais diários, colunistas, sites, a posição dos movimentos, dos diversos setores sociais. Como agir, como ser politicamente correto(a), como não estar ao lado de um(a) e outro(a), como estar ao lado de um(a) ou outro(a).

Nós, que tanto defendemos a idéia de ação, somos atormentados(as) pela iniciativa de outras pessoas, por este assalto ao nosso cotidiano, que nos rouba a cena, nos pauta os temas, nos exige opinião, determina o que falar, como agir.

Mas há o espetáculo da imprensa, o cotidiano dos jornais e revistas, em que jornalistas se acotovelam para dar um furo, encontrar o próximo fato-bomba, ganhar a manchete de rosto, vender mais, mais, quem sabe entrar para a história. Investigar é preciso, mas se não der... vai assim mesmo, desde que não afete a economia.

Somos assaltados(as) pelo espetáculo dos(as) parlamentares nos telejornais diários, dos(as) políticos(as) correndo para as câmeras, a posição dos partidos, de olho nas pesquisas, o pensamento em 2006, afinal, ninguém é de ferro. O desgaste de um(a) pode ser a vez de outro(a). Em nome da ética, em nome do povo Sangrar, desgastar, acusar, julgar, uma ação entre amigos(as) ou inimigos(as) dos(as) de cima. 

Nosso cotidiano está sendo assaltado. Nós, das ONGs, que aprendemos a fazer política com base no cotidiano, pelo empoderamento dos atores sociais, pela crítica à realidade perversa do dia a dia, por meio das relações de gênero, das relações inter-raciais. Nós que nos dedicamos à educação popular, pela sobrevivência dos povos indígenas, pelos(as) que passam fome e têm sede de justiça. Nós que apostamos em participação com ética, com base na diversidade cultural, que falamos em proteção do meio ambiente... Pois é, nossos temas do cotidiano estão sendo roubados pelos homens engravatados do Congresso, do Ministério Público, pela ação da Polícia Federal, pelos interesses partidários. 

Temos sido sujeitos de um jogo que não conseguimos jogar. Divididos(as) nas estratégias, participamos sem o domínio das regras dos(as) de cima. A imprensa desvirtua em nome da verdade e de olho na vendagem; o Parlamento, em nome da ética, investiga com o olho nas eleições e nas câmeras; os(as) depoentes expõem suas mentiras em nome de um projeto político; os fins justificando os meios. Chega de espetáculo!

O momento exige que dispensemos, a cada lance da vida pública, apenas o tempo que lhe cabe. Que a imprensa cumpra o seu papel de informar; que quem tenha de investigar, investigue de forma correta; que o Ministério Público cumpra o seu papel com independência. Nós, organizações da sociedade civil, vamos seguir com o nosso trabalho, reafirmando a nossa autonomia diante dos poderes constituídos, ajudando a construir poder popular, pois é somente por meio da presença dele que o espetáculo dos(as) de cima pode ganhar relevância e significado.

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