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informes - ABONG

30710/05/2005 a 16/05/2005

Quanto vale uma pessoa?

Toda pessoa tem seu valor, mas não pode ter preço. Aparentemente contraditório, o jogo de palavras pode ilustrar - mesmo que de maneira simplória - a luta contra o tráfico de pessoas, um dos crimes mais cruéis e perversos da globalização. Este é um dos motes que deve reger a Operação Dia de Trabalho (OD), mobilização que acontece em outubro na Noruega e que começou a ser desenhada este mês por jovens e estudantes do país, em parceria com organizações brasileiras. A campanha é realizada desde 1964, e este ano tem como tema o tráfico de seres humanos (TSH), com foco em mulheres e crianças brasileiras "exportadas" para fins de exploração sexual e comercial. Ação Educativa, Instituto Socioambiental, Diaconia, Serviço à Mulher Marginalizada e Viva Rio são as organizações brasileiras que, em parceria com a Noruegian Church Aid, desenvolveram um projeto que apoiará no Brasil o combate ao TSH.

"A idéia é trabalhar com públicos vulneráveis ao tráfico, oferecendo condições para que crianças, adolescentes e mulheres se retirem das situações de imobilidade social e falta de perspectivas de futuro, que as condenam a uma nova escravidão. Escravidão que só existe, porque, além da oferta, há demanda e impunidade", afirma a jornalista Michelle Prazeres, coordenadora de comunicação do Observatório da Educação da Ação Educativa, que viajou para Oslo a convite da organização do OD. 

Anualmente, o tráfico de pessoas movimenta cerca de US$ 2 bilhões no mundo. É a terceira mais lucrativa atividade ilegal, perdendo apenas para tráfico de armamentos e drogas. A legislação é frágil e não há diálogo entre as leis de países (neste caso, compradores/as e vendedores/as) na punição a criminosos(as). Um outro fator complicador é a invisibilidade do negócio, difícil de ser triado, difícil de ser castigado. A demanda de países como Espanha, Itália, Suíça Israel, Estados Unidos e Japão se soma à impunidade e se "encaixa" perfeitamente no perfil da "oferta" (ou da "mercadoria" preferida por quem compra): crianças, adolescentes e mulheres afrodescendentes, de baixa renda, geralmente também de baixa escolaridade e provenientes das regiões pobres do Brasil, principalmente do Nordeste. "O tripé demanda-oferta-impunidade é o foco do projeto das organizações brasileiras, que visa a trabalhar com ênfase na juventude e abordagens transversais de educação e cultura, diversidade, violência e direitos humanos e será apoiado pela iniciativa dos estudantes noruegueses", explica Michelle. 

A idéia, além de apoiar o combate ao tráfico no Brasil, é de sensibilizar os(as) jovens noruegueses(as) para que não dêem prosseguimento a esta demanda, num futuro próximo. E para chegar a cerca de 110 mil estudantes entre 14 e 19 anos, de 900 escolas do país, estudantes e voluntários(as) - com apoio da organização nacional de estudantes e em cooperação com organizações nacionais - realizam anualmente a semana internacional. Neste período, jovens fecham seus livros didáticos e abrem os olhos para problemas globais. O material do dia-a-dia é substituído por revistas, folders, textos e vídeos em seminários por todo país. Ao final do processo, o material dá lugar a outros instrumentos no Operação Dia de Trabalho, quando os(as) estudantes trabalham em atividades da escola, como limpeza, carpintaria, cozinha entre outras, para arrecadar recursos a serem destinados para a campanha.

Este ano é o primeiro em que representantes de organizações do país-alvo da campanha participam da concepção do material para a mobilização. Duas brasileiras estiveram no começo do mês em Oslo e, em junho, três integrantes do comitê nacional viajam ao Brasil. Em outubro, 20 jovens brasileiros viajam para a Noruega para os trabalhos da semana internacional e do OD.

 

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