ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Fundação Ford
  • REDES

    • MCCE
informes - ABONG

30710/05/2005 a 16/05/2005

CESEC avalia a mídia na cobertura da violência

Os principais jornais do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais precisam evoluir na cobertura da violência. Os veículos diminuíram o tom sensacionalista ao retratar o tema, mas preferem publicar mais notícias sobre casos individualizados e menos textos focados em políticas de segurança pública. Essa é uma das conclusões do estudo Mídia e Violência - Como os jornais retratam a violência e a segurança pública no país. A pesquisa foi lançada no Rio de Janeiro pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), da Universidade Cândido Mendes, em 2 de maio.

O objetivo é identificar tendências da cobertura por meio da análise quantitativa da produção jornalística sobre a temática. A pesquisa foi coordenada por Silvia Ramos, cientista social e coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes (CEsEC) e pela jornalista Anabela Paiva, e recebeu a consultoria de Guilherme Canela, coordenador de Relações Acadêmicas da Agência de Noticiais dos Direitos da Infância (Andi), cuja metodologia inspirou o estudo.

O trabalho analisou 2.514 textos jornalísticos (notas, colunas, artigos, reportagens e editoriais), de três jornais de cada cidade, publicados em 35 dias e distribuídos por 5 meses do ano de 2004 (maio a setembro). Os assuntos escolhidos para análise foram: criminalidade; políticas de segurança; forças de segurança; sistema penitenciário; justiça; reações da sociedade civil; pesquisas e legislação.

A pesquisa do CesEC mostra, entre os seus diversos resultados, que: os jornais cariocas publicam 45% dos textos sobre violência; a maioria dos textos sobre o tema (77%) tem como foco crimes isolados; há pouco debate, pois editoriais sobre violência representam 1,4% e artigos compõem somente 1,2% do material analisado; contudo, 19% das matérias avaliadas contribuem para a discussão de políticas de combate ao problema.

Para Silvia, entre os dados que se sobressaíram está o volume de notícias sobre violência, segurança pública, sistema penitenciário e justiça nos jornais brasileiros. Ou seja: no período do levantamento, os jornais pesquisados produziram mais de dez mil notícias sobre estes assuntos. "Essa quantidade de notícias é positiva, pois revela que os jornais finalmente despertaram para a gravidade da violência no Brasil, o que só aconteceu nos anos 90", avalia. A segunda surpresa apontada por Silvia foi o fato de que as notícias sobre as polícias passaram à frente das notícias sobre os crimes, o que indica uma tendência nova dos jornais focalizarem segurança pública e não só exclusivamente os atos criminais.


Pouca visibilidade

A coordenadora da pesquisa salienta que o tratamento dado às organizações da sociedade civil ficou, contudo, entre as surpresas mais negativas da cobertura. As ONGs, os grupos de pesquisa, os especialistas, as universidades, os conselhos, os organismos internacionais, todos somados, não chegam a ser a fonte principal das notícias nem em 9% dos casos. "A polícia é fonte principal em mais de 30% das vezes e os governos são fonte principal em 8,5%. E só em 32% das notícias havia mais de uma fonte, o que é considerado muito pouco para um jornalismo investigativo", ressalta.

E as matérias que incluem estatísticas e dados sobre violência também são quase inexistentes (5,3%), revelando uma cobertura ainda muito factual, baseada em casos individuais, sem contextualização e tratamento jornalístico., como o dispensado, por exemplo, às notícias sobre economia. "Quando observamos o assunto principal da notícia, verificamos que, mesmo quando juntamos todos os textos sobre sociedade civil, direitos humanos, campanhas, protestos e movimentos, eles não passam de 2,4%. Matérias sobre fenômenos da violência, que são importantes para contextualizar leitores e leitoras no meio dessa avalanche de notícias de crimes, não passam de 3,3%", informa Silvia.

Por outro lado, a coordenadora do CESeC julga digno de nota que em apenas 0,4% das matérias tenham encontrado o sensacionalismo que apela para a restrição de direitos das pessoas criminosas ou que faz uma apologia do "endurecimento". Da mesma forma, somente 5,6% das matérias contêm expressões que remetem ao sentimento de pânico, horror ou terror. "Isso é muito positivo, mas não podemos esquecer que, nesta pesquisa, analisamos os melhores jornais do Brasil."
Acesse a íntegra da pesquisa Mídia e Violência, disponível no site do CESeC: www.ucamcesec.com.br.

ONGs e movimentos x a violência no Rio de Janeiro

Sediado no Rio de Janeiro, o Regional Sudeste da Abong tem-se manifestado constantemente sobre atos de violência e chacinas, ocorridos na região. Em seu recente artigo (Morte da Cidadania, publicado no Jornal do Brasil e disponível no site da Abong), mostra que há uma dezena de ONGs e movimentos sociais atuando na Baixada Fluminense. "Isto, com baixa ou nenhuma visibilidade na mídia, em esforços de fortalecer a população para que se exija do poder público o que lhes é de direito", salienta o diretor do Regional, Ricardo Mello. "O medo nos apavora a todos, entretanto, não nos interessa uma via midiática traduzida em atos simbólicos de baixa ou nenhuma eficácia para a mobilização do poder público", critica.


Para Mello, trata-se, portanto, de discutir o Estado em sentido profundo, principalmente em seu papel reprodutor de desigualdades, no que se refere às questões étnicas, raciais, de gênero, de renda. "Isto, as ONGs e os movimentos estão ávidos por discutir. Se este fosse o enfoque, certamente não estaríamos tão sub-representados, como já destaca Sílvia Ramos. Ela ressalta, aliás, uma tendência, embora incipiente, de redução no tratamento de casos isolados em função de uma discussão mais qualificada sobre segurança pública. Deste modo, compreendemos como absolutamente necessário o fortalecimento e o estreitamento das relações entre a mídia e a sociedade civil, garantindo porém nessa pauta a construção de um novo desenho de sociedade, que se faz urgente."

lerler
  • PROJETOS

    • Programa de Desenvolvimento Institucional (PDI)

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - Osasco- CEP: 01223-010 - São Paulo - SP - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda à sábado, das 9h às 19h

design amatraca