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informes - ABONG

2988/03/2005 a 14/03/2005

OPINIÃO - Mulheres: as lutas continuam

Já faz alguns anos que o 8 de março deixou de ser uma data comemorada apenas pelos movimentos de mulheres e feminista. Atualmente, vemos referências ao Dia Internacional da Mulher em quase todos os espaços e lugares, que vão desde homenagens sinceras até a utilização puramente comercial. São tantas as manifestações e expressões que, por vezes, fica difícil resgatar o sentido político desta data, ouvir as vozes das mulheres em movimentos e entender que, mais do que homenagens, o 8 de março é um momento simbólico de reafirmação das nossas lutas, de denúncia das constantes violências a que somos submetidas, de afirmar que nenhuma sociedade pode pensar-se democrática e justa enquanto as mulheres não forem tratadas, de fato e de direito, como pessoas inteiras, sujeitos da suas próprias vidas e da sociedade.

Ainda que ao longo dos anos nós, mulheres, em nossas vidas e em nossos movimentos, tenhamos mudado profundamente o "destino" que nos queriam impor, resistindo e insistindo em sermos pessoas e não objetos, nosso projeto político ainda está muito longe de se realizar, pois não há direito e liberdade reais em sociedades que se organizam com base na exploração, na dominação, na violência, no racismo, no preconceito, na humilhação, na desigualdade. Sociedades em que a vontade de poucos - que se expressa tanto na leis do mercado quanto nas leis das igrejas - se torna compulsoriamente a obrigação de muitas são sociedades incapazes de produzir direitos efetivos, apenas reproduzem indefinidamente privilégios.

Assim, as lutas dos movimentos de mulheres e feminista são travadas cotidianamente em todas as dimensões da vida: não aceitamos que os nossos corpos sejam equivalentes a um copo de cerveja; não aceitamos uma reforma agrária que produz mortes e exclusões ao invés de justiça; não aceitamos que os avanços que conquistamos há dez anos, na Conferência de Beijing, sejam reduzidos às inócuas Metas do Milênio; não aceitamos que as políticas sociais sejam resíduos da política econômica; não aceitamos o racismo, a homofobia, a xenofobia; não aceitamos mercados livres que aprisionam pessoas na miséria; não aceitamos que as mulheres continuem a ser espancadas e mortas; não aceitamos as guerras; não aceitamos reformas trabalhistas que destruam direitos conquistados; não aceitamos privatizações dos serviços públicos; não aceitamos a Alca; não aceitamos que as mulheres trabalhem tanto ou mais que os homens e continuem a ganhar menos; não aceitamos que as mulheres não tenham liberdade de ir e vir, porque os espaços públicos lhes são vedados por falta de segurança; não aceitamos que um Estado laico se curve aos ditames das doutrinas religiosas; enfim, não aceitamos que esse modelo de sociedade injusta e perversa continue a ser justificado como o único possível.

Os movimentos de mulheres sabem que há alternativas, que a história sempre está por se construir, que para além de visões e versões dominantes há inúmeras ações de resistência e criação de novas possibilidades . É por isso que no dia 8 de março nós, mulheres, marchamos em todo o mundo, vamos à ONU garantir nossos direitos, ocupamos as ruas, as praças, as TVs, rádios, jornais, assembléias legislativas, câmaras municipais , estradas e todos os lugares por nós conquistados, para dizer com gestos, palavras e presenças que somos cidadãs do mundo e que, por sê-lo, nossa luta não é específica de um grupo, mas, sim, um projeto de sociedade, que tem na radicalização da justiça, da democracia, da igualdade e da liberdade os seus princípios fundamentais.

Este editorial foi escrito na primeira pessoa do plural como uma forma de a Abong expressar publicamente seu compromisso com os princípios feministas e com os movimentos de mulheres. Em outras palavras, dizer que estas lutas também são nossas.

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