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informes - ABONG

29119/10/2004 a 25/10/2004

OPINIÃO: O desenvolvimento que não interessa

Para a surpresa e desagrado de muitos e muitas de nós, nunca foram tão alarmantes os efeitos negativos do "desenvolvimento" sobre o meio ambiente e as populações tradicionais e rurais de nosso país. 

Um dos grandes pilares do modelo de desenvolvimento em curso é a agricultura produtora de grãos para a exportação, com destaque para a soja. Há outros segmentos produtivos que antecedem ou seguem a soja na fronteira, como a pecuária, e que também implicam sérios impactos socioambientais. Contudo, a soja é emblemática tanto pelas dimensões como pelos seus efeitos agregados. Grandes projetos, como hidrovias, rodovias, etc., estão associados à produção de soja. 

O avanço da fronteira agrícola, especialmente sobre a Região Centro-Oeste, é assustador na velocidade e no estrago produzido. A Região tem sido alvo privilegiado da expansão da fronteira agrícola devido à sua extensão e localização central, que favorecem a integração das demais Regiões do país, sobretudo em direção ao Norte. Trata-se também de uma Região de predomínio do Cerrado, um bioma que oferece condições bastante favoráveis às monoculturas de grãos, devido à sua topografia plana, à relativa facilidade para a derrubada de sua vegetação e ao recente desenvolvimento de técnicas de manejo do seu solo. Contudo, o Cerrado é um bioma que, comprovadamente, abriga alta diversidade biológica - uma riqueza, em grande parte, ainda desconhecida. É também considerado a "caixa d´água" do país, porque nele nascem rios de algumas das principais bacias hidrográficas brasileiras e do continente sul-americano. Por ironia, as maiores áreas de recarga dos lençóis freáticos por águas da chuva, as chapadas, são também as melhores para a monocultura.

Ao lado das perdas ambientais, geradas pela expansão da fronteira agrícola, encontram-se perdas de ordem social e cultural, com o "encurralamento", quando não a expulsão, das populações que historicamente habitam essas paisagens, entre trabalhadores e trabalhadoras rurais, comunidades remanescentes de quilombo, indígenas, pescadores. A Região tem uma grande densidade de terras indígenas, em grande parte estrangulada pelo avanço da soja sobre os seus entornos, especialmente no Estado do Mato Grosso. A proximidade com as monoculturas de soja acarreta a contaminação por agrotóxicos dos rios que correm pelas terras indígenas, já que suas cabeceiras freqüentemente se encontram fora das áreas. Somem-se a isso perdas no estoque de peixes e demais animais silvestres, além do acirramento nos conflitos entre índios e fazendeiros.

O misto de surpresa e desalento, que tomou conta da sociedade civil diante desse quadro, deve-se ao fato de que tudo isso ocorre sob a gestão Lula. Como bem destacou o Instituto Socioambiental (ISA), em nota recente, muito longe das promessas de sustentabilidade anunciadas em seu programa de governo, durante as eleições de 2002, o presidente Lula tem optado por uma política desenvolvimentista, com comprovados efeitos de degradação ambiental e exclusão social. O setor agroexportador que devasta a Região Centro-Oeste conta, portanto, com expressivo apoio deste governo - interessado em manter o equilíbrio da balança comercial, como estratégia para garantir estabilidade econômica, além de apoio e credibilidade face à sua base aliada. Infelizmente, nada de novo em relação ao governo anterior; talvez, um pouco pior. 

Resta à sociedade civil seguir acreditando nos espaços de resistência. Em março, o Regional Centro-Oeste da Abong pretende aprofundar este debate e traçar estratégias de resistência conjunta, em um seminário que será realizado em Cuiabá, Mato Grosso. Todas as interessados(as), desde já, são bem-vindos(as).

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