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informes - ABONG

29012/10/2004 a 18/10/2004

OPINIÃO: Um balanço das eleições

Uma leitura inicial dos resultados do primeiro turno das últimas eleições leva à constatação de uma vitória no plano nacional dos partidos governistas e a conseqüente derrota da oposição. De fato, os números absolutos apontam para um crescimento do PT em mais 4,3 milhões de votos em relação às eleições de 2000 (+37%) e do PL em 2,5 milhões de votos (+98%), os dois principais partidos no governo federal. O PT foi o partido mais votado, com 16,3 milhões de votos, aumentando o número de prefeitos de 187 para 400 e crescendo no número de vereadores em 50%. Todos os partidos aliados do governo federal cresceram em número de prefeitos.

Por outro lado, dois dos principais partidos de oposição e dois, da base aliada, perderam em número de prefeitos: PSDB (-29), PP (-68); o PFL foi o maior derrotado, tanto em número de votos (-13%) quanto em número de prefeitos (-238) e também em número de vereadores (- 3.193). O PMDB perdeu 207 prefeitos.

A verdade, porém, é que várias leituras podem ser feitas desses resultados. A primeira, é a da conformação do PSDB como a principal força da oposição. Apesar de perder prefeitos, o partido foi o único da oposição a crescer em número de votos, tornando-se o segundo partido mais votado, com 15,7 milhões de votos. No segundo turno, PT e PSDB se enfrentarão em 25% das candidaturas a prefeito. Uma análise apressada pode apontar uma polarização destas duas forças políticas, PT e PSDB. No entanto, tanto o PMDB (14,2 milhões de votos) quanto o PFL (11,2 milhões) continuam bem votados, principalmente nas pequenas cidades, e contam com enormes estruturas partidárias. É impossível fazer um cálculo político de futuro sem incluí-los como forças políticas.

Uma segunda leitura enganosa destas eleições, puxada pelos setores conservadores, é aquela que vê o PT tornar-se nacionalmente um partido hegemônico, em função do seu crescimento, ameaçando a própria democracia. A verdade, no entanto, é outra: apesar do expressivo crescimento, o PMDB, o PSDB, o PFL, o PP e o PTB, nesta ordem, elegeram mais prefeitos que o PT. O número de votos do PT não passou de 15% dos votos válidos e ficou muito longe dos mais de 35 milhões de votos do primeiro turno, obtido nas últimas eleições por Lula.

Além do mais, o PT vem mostrando fragilidades na sua presença política, pois está ameaçado de perder os governos municipais em duas capitais importantes: São Paulo, por sua força política e econômica; e Porto Alegre, por sua força simbólica. E errou na condução política de duas cidades de elevada densidade demográfica: Fortaleza e Salvador. Finalmente, dá mostras que o seu berço esplêndido - São Paulo - já não é mais a sua única máquina propulsora, precisando contar com o esforço de outras regiões, o que significa contrapartida de recursos e poder, coisa que hoje não existe.

Mas talvez a questão mais importante dessas eleições tenha sido a continuidade da descaracterização ideológica dos partidos, o que acaba por refletir nas confusas alianças entre eles, na indiferenciação de propostas e nas diversas estratégias para o crescimento das suas bases e estruturas partidárias, com vistas à manutenção no poder e ao enfrentamento das eleições seguintes. Como conseqüência, continuamos a constatar a ausência do debate político, que é acompanhada pelas amarras das regras televisivas para campanhas e pela ação implacável dos marqueteiros.


Algumas pessoas dizem ser esta a tendência universal: grandes partidos políticos, com pequenas diferenças ideológicas e programáticas, que acabam por refletir em mudanças lentas e gradativas dos processos sociais, como ocorre na maioria dos países do primeiro mundo. Esta, no entanto, não é a nossa realidade. Aqui, milhões passam fome e têm pressa de mudanças.

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