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informes - ABONG

28027/07/2004 a 8/08/2004

OPINIÃO: Fórum Social das Américas - Uma outra América é possível

Aproximadamente 11 mil pessoas de 55 países se reuniram em Quito, entre os dias 25 e 30 de julho, para realizar o primeiro Fórum Social das Américas. Apesar da elevada altitude - 2.850 metros sobre o nível do mar -, os(as) participantes tiveram fôlego para discutir alternativas para o continente, como ocorrido no seminário Conseqüências socioambientais do projeto de Integração da Infra-Estrutura Regional da América do Sul (IIRSA), realizado pela Abong, Aliança Amazônica e pelo Grupo de Trabalho Amazônico (GTA). O debate reuniu cerca de 40 representações de oito países e teve entre seus encaminhamentos a criação de uma lista para aprofundar o debate sobre os projetos analisados em relação ao IIRSA, ação relevante para a América do Sul.

Entre a diversidade de temas abordados nas mais de 400 atividades do evento, predominou a preocupação com o recrudescimento do neoliberalismo no continente, por meio dos Tratados de Livre-Comércio (TLCs). Os acordos bilaterais entre os Estados Unidos e a América Central (Cafta) e a Comunidade Andina (TLCAN) foram os principais objetos de discussão, por causa dos avançados estágios de negociação e pela presença maciça de participantes de países da Comunidade Andina, envolvidos(as) nos tratados (Equador, Peru e Colômbia). A Alca e o acordo entre a União Européia (UE) e o Mercosul também foram discutidos.

O Fórum permitiu escutar os nefastos resultados do Nafta, o Tratado de Livre-Comércio da América do Norte, diretamente de campesinos mexicanos, sindicalistas americanos e de ativistas canadenses. Apesar das experiências distintas, os relatos eram unânimes em apontar que, apesar dos progressos apregoados por seus governos, a realidade está marcada pelo êxodo rural, desemprego e redução de benefícios sociais. À luz disso, outros(as) participantes também puderam discutir o que seus governos planejam em relação aos acordos comerciais. Ficou evidente que os TLCs não só possuem um alcance além do puramente comercial, mas também ignoram a sociedade civil, seus interesses e posições. Mais inquietante foi perceber que esses acordos funcionam como uma via de mão única, na qual predominam os interesses dos países ricos vis-a-vis os interesses dos países em desenvolvimento.

Outro aspecto da atual política neoliberal, profundamente discutido, foi o papel de Instituições Financeiras Multilaterais (IFMs), como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Essas instituições, nas quais os Estados Unidos possuem papel de destaque, não só vêm apoiando e se oferecendo para financiar os TLCs como também vêm construindo as bases para que esses tratados possam ser implementados e negociados. Por meio de seus quadros, prestígio, poder econômico e condicionalidades contratuais, as IFMs conseguem tornar tais tratados atrativos (ou ao menos palatáveis) para os governos. 

Um ponto alto do evento foi a marcha de protesto, realizada no dia 28. As montanhas que cercam a capital equatoriana testemunharam os dramas que afligem o continente: agricultores(as) familiares sendo esmagados(as) por elevados subsídios agrícolas americanos e europeus; mulheres e indígenas ignoradas(os) pelo esquema neoliberal e cada vez mais afetadas(os) por crises econômicas, desemprego; a imposição compulsória de uma determinada orientação sexual, juntamente com a tentativa de proibição hemisférica do aborto; a progressiva privatização dos serviços públicos afetando saúde, educação, saneamento, energia; a hegemonia das mídias norte-americanas; a inclusão nos TLCs de um capítulo de Propriedade Intelectual (Trips Plus), que resguarda ainda mais os interesses das transnacionais, defendendo o direito ao comércio sobre a vida, biodiversidade e conhecimento tradicional.

Enfim, esperamos que a realização desse 1º Fórum Social das Américas forneça incentivos para uma maior organização e luta dos movimentos e organizações para a construção de outra América. É preciso evitar uma repetição do ocorrido no próprio Equador, há quase 500 anos, quando a população nativa foi dominada por estrangeiros, por interesses político-comerciais. A luta hoje é para que esta historia não se repita e que possamos realmente construir o continente americano livre e soberano.

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