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informes - ABONG

27111/05/2004 a 17/05/2004

OPINIÃO - Quem entende as juventudes?

Na semana passada, o tema da juventude apareceu na mídia nacional em dois momentos : na matéria de capa da revista Isto É (cuja chamada foi "Surpresa : a juventude brasileira é careta" ) e nas análises do governo sobre a necessidade de reformular o programa Primeiro Emprego, dada a inexpressividade dos resultados alcançados até agora. Esses dois momentos se encontram em um ponto: a centralidade que o trabalho, ou a ausência dele, tem na vida dos(as) jovens.

De acordo com a pesquisa do Instituto Cidadania, base da matéria da revista Isto É , 76% da população pesquisada, que tem entre 15 e 24 anos, está trabalhando, ao contrário de 64%, que informa ser a escola sua principal atividade. E ainda: 96% se diz preocupada com o desemprego. A questão que nos salta aos olhos é constatar que esses(as) jovens, muitos(as) dos(as) quais ainda são adolescentes, têm como uma dimensão importante da sua vida preocupações que, em tese, deveriam surgir apenas na vida adulta.

 

Daí decorre um outro problema: de quem estamos falando quando pensamos e propomos ações - seja no âmbito da sociedade civil ou no âmbito governamental -, programas e projetos para a juventude? Estamos falando dos 44% de jovens que vivem em domicílios cuja renda mensal é até 2 salários mínimos ou dos 2%, que vivem em famílias com ganhos mensais superiores a 20 salários mínimos? Essas distâncias numéricas nos informam uma distância real, que produz experiências de juventudes muito distintas e, principalmente, desiguais. E, mais: exclui do direito à juventude a maior parte da população brasileira.

 

Se acrescermos a este quadro o alarmante dado de que é exatamente nesta faixa etária que se encontra a maior proporção de homicídios no Brasil, não temos como deixar de nos perguntar se as nossas ações como organizações e movimentos da sociedade civil , bem como as políticas governamentais, não têm sido insuficientes para construir possibilidades para que os(as) jovens possam ser apenas jovens.

Muitas vezes, entendemos - ou desentendemos - a juventude sob a ótica restritiva da proteção, aqui colocada em dois sentidos: protegê-los(as) ou proteger a sociedade deles(as). Em ambas as situações, pouco tematizamos sobre o fato de que essa proteção se pauta também por relações de poder, sendo nós, os(as) adultos(as), o lado da relação que detém a autoridade e os privilégios. Reconhecer esta relação de poder implica ouvir os(as) jovens como sujeitos sociais e políticos, que podem falar - e falam - em seu próprio nome, e construir ações e políticas com eles(as) - e não apenas para eles(as).

Como decorrência, temos que assumir as questões da juventude como nossas questões e, portanto, entender seus problemas como sendo produzidos pelas mesmas estruturas e dinâmicas sociais que geram as demais desigualdades e exclusões. É assim que, por exemplo, devemos analisar a questão do emprego/desemprego. Os(as) jovens têm esses temas como preocupação não porque são jovens, mas, sim, porque são pobres. Assim sendo, uma política pública de pleno emprego provavelmente terá um impacto muito maior na possibilidade de viver a juventude para as pessoas 15-24 anos do que a ampliação das políticas de primeiro emprego.

Do mesmo modo, nomear, como faz a revista Isto É, a juventude de careta é injusto, porque os(as) jovens são socializados(as) numa sociedade conservadora , sendo a rebeldia uma possibilidade que historicamente tem se colocado para poucos(as). Não podemos esperar que os(as) jovens transformem os valores da sociedade apenas porque são jovens, isto é naturalizar e escamotear o peso das instituições sociais, como é o caso da escola, que não tem dado condições para a construção de um pensamento crítico sobre o mundo, passo fundante para a instauração da possibilidade do novo.

Por fim, para que possamos criar ações e políticas públicas voltadas para essa faixa etária, precisamos definir qual é o lugar que as juventudes ocupam nos nossos projetos políticos de uma sociedade democrática e justa. Podemos começar considerando que eles(as) não são apenas sujeitos futuros, mas, sim, sujeitos no e do presente.

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