ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Instituto C&A
  • REDES

    • Plataforma MROSC
informes - ABONG

2585/12/2003 a 8/12/2003

Jorge Durão comenta declarações de Francisco de Oliveira

Entrevistamos, para o Informes Abong, o diretor-geral da Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais, Jorge Eduardo S. Durão, que comenta as polêmicas declarações do sociólogo Francisco de Oliveira, feitas ao jornal Folha de S.Paulo em 7 de dezembro (reportagem de Rafael Cariello - ONGs auxiliam neopopulismo, diz sociólogo, Caderno Brasil, p. A15), cujo pensamento tem constituído, há anos, uma importante referência intelectual para as nossas associadas. 

Informes Abong - Muitas pessoas ligadas a ONGs expressaram o seu mal-estar diante das declarações do professor Francisco de Oliveira, segundo as quais as ONGs auxiliam o neopopulismo. Como você interpreta essas declarações?

Jorge Durão - O professor Francisco de Oliveira tem sido um interlocutor importantíssimo para as ONGs que ele denominou de "ONGs da democratização"* - ou de "ONGs cívicas" -, cujo perfil político corresponde ao do campo das associadas da Abong. O grande valor dessa interlocução reside no fato de que Chico de Oliveira não abre mão, em nenhum instante, do pensamento crítico e, conseqüentemente, sempre valorizou o papel das nossas ONGs de forma não ideológica ou apologética, mas sim através da recuperação da trajetória histórica dessas organizações e da exigência de que essas não perdessem a sua radicalidade. Para ele, "a condição principal para as ONGs da democratização manterem-se como inteiramente demiúrgicas, vozes do novo, é a radicalidade da denúncia, menos que a modernidade da competência". 

Informes Abong - Neste caso, você acha que tem fundamento a crítica que Chico de Oliveira fez às ONGs em suas recentes declarações?

Jorge Durão - Acho que a referência que o professor Francisco de Oliveira fez às ONGs foi um argumento secundário no combate que ele trava contra uma política governamental que subordina as políticas sociais às restrições decorrentes de uma política econômica equivocada e sem futuro, o que, segundo ele, levaria a esse neopopulismo do qual as políticas sociais focalizadas (isto é, não universalistas) seriam um aspecto importante. Ao atribuir um suposto papel às ONGs pelo fato de elas "terem essa capacidade de focalização que os partidos ou o Estado não têm", Chico de Oliveira não teve o cuidado de estabelecer, de forma precisa, as distinções que sempre estiveram presentes nas suas análises concretas das ONGs da democratização. Ele não levou em conta as posições claramente expostas pela Abong e suas associadas, abertamente críticas das implicações das políticas macroeconômicas - e do famoso superávit primário - sobre as políticas sociais, tanto no governo FHC quanto no atual. 

Informes Abong - Francisco de Oliveira disse também que as ONGs agora são um sintoma de algo que não pode ser processado pela política. Como você entende essa declaração? 

Jorge Durão - Há dois elementos a meu ver nessa proposição. O primeiro, diz respeito à relação entre política e trabalho e as implicações do predomínio da informalidade. O segundo elemento parece dizer respeito a uma idéia claramente exposta no Jornal do Brasil de 14 de dezembro, pelo cientista político, e teórico marxista, Carlos Nelson Coutinho. Conforme Coutinho, "as transformações radicais pelas quais lutamos não podem ser efetivadas apenas pelos movimentos sociais e ONGs. (...) Ainda não se inventou nada que possa substituir o partido político na função de universalizar as lutas setoriais pela transformação radical da sociedade". Na minha opinião, esses grandes intelectuais, que estão entre os mais críticos, radicais e éticos que existem neste país, debatem-se com o drama histórico inerente ao fato de que hoje não há nenhum partido político de esquerda capaz de avançar, na prática, rumo a um novo projeto para a sociedade brasileira, que enterre o neoliberalismo. As ONGs estão entre as poucas vozes que criticam tanto o modelo neoliberal em sua fase terminal quanto as tentativas de re-editar um desenvolvimentismo ultrapassado, que não incorpora nem o primado da luta pela redução das desigualdades, nem a questão da sustentabilidade socioambiental.

* Ver artigo de Oliveira Entre a complexidade e o reducionismo: para onde vão as ONGs da democratização? In: ONGs e Universidades. Haddad, Sérgio (org.). São Paulo, Abong, 2002.

lerler
  • PROJETOS

    • Compartilhar Conhecimento: uma estratégia de fortalecimento das OSCs e de suas causas

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - Osasco- CEP: 01223-010 - São Paulo - SP - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda à sábado, das 9h às 19h

design amatraca