ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Misereor
  • REDES

    • Fórum Social Mundial
informes - ABONG

15313/09/2001 a 19/09/2001

ONGs no Timor Leste: construindo a democracia pela educação popular

O reconhecimento do papel fundamental da educação no processo de democratização do Timor Leste é o que levou à formação da Rede dos Educadores Populares Timor Lorosa´e, inspirada na concepção metodológica de Paulo Freire e impulsionada por um intercâmbio entre Brasil e Timor Leste. De 17 de junho a 17 de julho deste ano, 11 timorenses participaram no Brasil do Intercâmbio de Educação Popular Brasil-Timor Leste, que começou há pouco mais de um ano, quando as educadoras brasileiras Maria Valéria Rezende, do Equip (Escola de Formação Quilombo dos Palmares), e Carmelita Conceição, do MOPS (Movimento Popular de Saúde), estiveram no Timor Leste durante um mês. 

A Rede, formada pelo Grupo Alfabetização Naroman, Grupo Fokupers, Haburas Foundation, Institutu Sekular Maun Alin iha Kristu (ISMAIK), La´o Hamutuk, Prontu Atu Servi, Organização Popular da Mulher Timorense (OPMT), Sahe Institute for Liberation e Yayasan HAK, foi constituída no início de agosto e representa um compromisso com um processo coletivo de fortalecimento de métodos de educação popular como um instrumento de transformação social no país. 

A iniciativa do intercâmbio começou quando a Grassroots International, organização dedicada às articulações entre organizações do sul, foi para o Timor Leste para ver como eles poderiam ajudar o país na reconstrução. Os próprios timorenses, então, solicitaram que fossem levados educadores populares brasileiros ao Timor. Eles queriam resgatar a experiência de educação popular desenvolvida nos anos 70 através dos projetos de alfabetização, cooperativas e organização desenvolvidos pelo educador timorense Vicenti Sahe, que entrou em contato com as propostas de Paulo Freire quando estudava em Portugual. Sahe foi assassinado logo após a ocupação pela Indonésia, em 1975. 

"Os timorenses possuíam uma tremenda capacidade e experiência de resistência e de organização popular, mas não de construção. Eles sabiam que o trabalho desenvolvido por Sahe tinha sido fantástico e que o Brasil poderia ajudar a recuperar essa experiência", explica Maria Valéria, que acredita que o mais urgente hoje no Timor é construir o futuro. 

"O que fizemos foi um intercâmbio de experiências porque as próprias organizações timorenses nunca tinham se encontrado", diz Maria Valéria. "A idéia inicial era fazer uma discussão mais profunda, em pequenos grupos, mas outras organizações foram se incorporando aos seminários planejados e, no final, havia cerca de 120 pessoas participando das atividades". 

A partir da experiência no Timor Leste, as educadoras brasileiras propuseram que um grupo de timorenses viesse ao Brasil para conhecer experiências de organização popular no Nordeste. "Eles tinham que perceber que era possível fazer muito apenas com articulação popular e pouquíssimos recursos". Maria Valéria conta que uma das coisas que mais chamou sua atenção no Timor Leste foi a alta tecnologia disponível e a quantidade de recursos que estão sendo injetados no país para a reconstrução, mas que muitas vezes não levam em consideração as necessidades práticas mais imediatas da população. "Uma das técnicas que ensinamos foi a de como fazer sabão, artigo em falta na ilha, com ingredientes nativos".


Nordeste e Timor: realidades semelhantes

Para a educadora, há muito em comum entre o Nordeste do Brasil e o Timor Leste, como por exemplo, o clima e a pequena produção agrícola e até mesmo as características físicas da população. O transporte dos 11 representantes timorenses foi possível graças ao apoio da Oxfam. "Já tínhamos engatilhado tudo com várias organizações populares do Ceará, Paraíba e Piauí, que se comprometeram com a estadia deles aqui". 

Durante um mês, os representantes timorenses conheceram e participaram das atividades desenvolvidas pelas comunidades. As etapas eram de 10 dias, intercaladas por dois dias de avaliação em João Pessoa (PB). A atividade inicial foi um seminário sobre Introdução à Realidade do Nordeste. "Logo em seguida, eles foram para o sertão do Piauí, uma das regiões mais pobres do Nordeste mas com um excelente nível de articulação", explica Maria Valéria. No intercâmbio, aprenderam técnicas como serigrafia, alimentar abelhas para produzir mel, desenvolver remédios naturais e conservar a água. Também conheceram a experiência de orçamento participativo desenvolvida na cidade de Icapuí (CE). 

Entre as principais lições aprendidas pelo grupo no Brasil, Maria Valéria destaca a importância em articular e criar redes autônomas timorenses e a descoberta de que o fundamental é organizar a população com o que se tem e que é próprio. 
Informações - laohamutuk@easttimor.minihub.org Site: http://www.etan.org/lh ou valeria@iname.com
(Na próxima edição, conheça o trabalho desenvolvido pelo Ibase no Timor Leste)

lerler
  • PROJETOS

    • Programa de Desenvolvimento Institucional (PDI)

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca