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informes - ABONG

15130/08/2001 a 5/09/2001

Violência no Pará atinge lideranças de movimentos sociais

A crescente violência que atinge os movimentos sociais no Pará desde o início do ano sem que haja uma resposta efetiva das autoridades provocou mais uma vítima. Na madrugada de 25 agosto de 2001, Ademir Alfeu Federicci, o Dema, coordenador do Movimento Pelo Desenvolvimento da Transamazônica e Xingu (MDTX), foi assassinado em sua residência, em Altamira, no oeste do Pará, com um tiro na boca. O MDTX é um movimento integrado por diversos sindicatos rurais e urbanos, tanto de trabalhadores quanto patronais, associações (de bairros, de mulheres e de jovens), ONGs, pastorais da Igreja Católica e dezenas de rádios comunitárias.

No MDTX, Dema coordenava a resistência contra a Construção das Barragens no Xingu, buscando elaborar junto às organizações participantes um projeto de desenvolvimento sustentável para a região. Ele é um dos que assinou a carta "SOS Xingu: Um chamamento ao bom senso". O documento alerta sobre a implantação da hidrelétrica de Belo Monte em Altamira e outros projetos agendados para a Amazônia. No documento, o MDTX denuncia a atuação autoritária e precipitada da Eletronorte na região. O MDTX vinha fazendo denúncias também de desvios de verbas da extinta Sudam. Entre as incongruências da política governamental para a região, Dema também denunciava a liberação de R$ 77 milhões, pela Sudam, para apenas seis empresários da região da Transamazônica. De acordo com colegas, Dema estava muito angustiado com a construção da hidrelétrica de Belo Monte, pois entendia que ela seria apenas a ponte para o Complexo Hidrelétrico do Xingu, que irá causar a destruição de cerca de 1,2 mil km de terras cultiváveis. 

Por outro lado, as propostas do MDTX incomodavam empreiteiras, empresários e prefeitos locais, animados apenas por interesses econômicos pela obra. Veja no site da Abong (www.abong.org.br), carta-manifesto divulgada por entidades da região convocando o posicionamento dos setores democráticos em relação ao caso.


Foco da violência

Os governos estadual e federal têm respondido com indiferença à violência crescente contra os movimentos sociais no sudeste e sudoeste do Pará. Segundo o boletim Contraponto, informativo produzido por diversas organizações que atuam na região amazônica, nos últimos anos a execução de lideranças no Pará vem ganhando um caráter seletivo. Entre os casos que podem ser citados está o de José Pinheiro Lima (Dedé), da Fetagri de Marabá, assassinado em julho (ver quadro). Com o assassinato de Dema, sobe para cinco o número de mortos no Pará neste ano, dois deles lideranças de expressão.

 

Violência: trabalhadores rurais assassinados no Pará em 2001

Data: 04/07

Vítima: Manoel Messias Colono de Souza

Cidade: Marabá

Profissão/Categoria: Trabalhador Rural

 

Data: 09/07

Vítima: José Pinheiro Lima

Profissão/Categoria: Sindicalista

Cidade: Marabá

 

Data:09/07

Vítima: Cleonice Campos Lima

Profissão/Catergoria: Trabalhadora Rural (esposa do sindicalista)

Cidade: Marabá

 

Data: 09/07

Vítima: Samuel Lima, 15

Profissão/Categoria: Trabalhador Rural (filho do sindicalista)

Cidade:Marabá

 

Data: 25/08

Vítima: Ademir Alfeu Federicci

Profissão/Categoria: Sindicalista

Cidade: Altamira

 

A cultura da violência marca a região, que teve um processo de colonização caracterizado pelo desrespeito às leis, milícias particulares, corrupção e, principalmente, impunidade. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), que elabora anualmente o relatório Conflitos no Campo, em 2001 já foram mortos 15 trabalhadores/sindicalistas rurais em todo o país e, somente no primeiro semestre de 2001, mais de 120 trabalhadores rurais foram presos durante desocupações de latifúndios no Pará. Esse número corresponde a 20% de todos os detidos em 1999 no Brasil. A CPT destaca também que o Pará é o líder no ranking de assassinato de trabalhadores rurais no país, com 465 mortos desde 1985.


As organizações que atuam na região denunciam que há outras lideranças marcadas para morrer, como Airton Faleiro, diretor da Contag, o deputado estadual Zé Geraldo (PT), 5 líderes da Transamazônica e 19 no Sul do Pará.
MDTX - Rua Anchieta, 2092 - 68371-190 Altamira - Pará Tel/Fax: (91) 515-2406 E-mail: fvpp@amazoncoop.com.br

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