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informes - ABONG

14626/07/2001 a 1°/08/2001

Conselho volta a discutir Angra-3

No dia 1o de agosto, o Conselho Nacional de Política Energética reúne-se com o presidente da República para discutir a continuidade ou não da construção da usina nuclear de Angra-3, prevista desde 1974. O Informes Abong conversou com o geólogo Ruy de Góes, consultor do Greenpeace, que falou sobre os riscos existentes e a necessidade de se pressionar os ministérios, o governo, deputados e senadores contra essa decisão. 


Informes Abong - Em que contexto retorna a discussão sobre a Angra-3?
Ruy de Góes - A construção da Angra-3 está prevista desde 1974. As obras se iniciaram, mas por enquanto só existem buracos. Os equipamentos foram comprados e estão guardados, o que gera custos de armazenamento e seguro e a discussão hoje é o que fazer com isso. Já foram gastos 750 milhões de dólares e a previsão oficial do setor nuclear é de que seriam necessários mais 1,5 bilhão de dólares para terminar. Essa discussão estava enterrada e, de repente, reapareceu na pauta. Há algumas entidades mobilizando-se, mas ainda não de maneira articulada. 

Informes Abong - Qual é a importância dessa reunião?
Ruy - A idéia é que esse conselho faça uma recomendação para o FHC. A partir daí, o presidente enviaria mensagem ao Congresso a favor da continuidade da usina ou contrária, pelo abandono do projeto. Existe um lobby forte do setor nuclear e de empreiteiras, que propõem terminar a construção da usina. 

Informes Abong - E quais são os argumentos apresentados a favor da Angra-3 e contra?
Ruy - O que o lobby nuclear argumenta principalmente é que esse tipo de energia é uma tecnologia do futuro, da qual o Brasil não poderia abrir mão porque no futuro a gente pode vir a precisar. A contraposição a isso é que ninguém mais investe em tecnologia nuclear. A Alemanha, país que nos vendeu a Angra-3, já parou os investimentos nessa área e já determinou o fechamento de todas as usinas de energia nuclear até 2020. Isso aconteceu na Europa como um todo, com exceção da França. Os Estados Unidos mesmo não construíram nenhuma usina nuclear nos últimos 20 anos. Mas com o Bush isso pode mudar... Além disso, o que realmente é um investimento voltado para o futuro são as fontes de energia renováveis, principalmente biomassa, solar e eólica. 

Informes Abong - O apagão é um argumento legítimo em defesa da energia nuclear?
Ruy - A idéia de que apagão seria um argumento em favor é falsa. Mesmo que a alternativa fosse continuar as obras, terminar essa usina levaria 5 ou 6 anos no mínimo em um cenário extremamente otimista. Entretanto, esse dinheiro poderia estar sendo empregado em outros projetos de geração de energia mais baratos, efetivos e ambientalmente mais saudáveis. Existem várias possibilidades, desde as usinas termoelétricas - que não são boas mas são melhor que as nucleares -, cogeração, uso de bagaço de cana, biomassa. Além disso, existe um potencial enorme a ser explorado de energia eólica e solar.

Informes Abong - De que maneira a sociedade pode se mobilizar?
Ruy - Uma pequena ação é escrever aos ministros, das Minas e Energia principalmente (jose.jorge@mme.gov.br), que é presidente do conselho. A articulação precisa ser retomada e a sociedade tem que cobrar informações em relação ao setor. A questão é econômica também. É preciso haver uma ampla consulta à população. A previsão oficial de 1,5 bilhão não é confiável. O custo final de Angra 1 ficou em torno de 3,5 bilhões e o de Angra-2, em 10 bilhões de dólares. Claro que estas tiveram problemas como as paralisações constantes. Mesmo que o custo estimado seja real, o valor justifica uma discussão ampla sobre o uso do dinheiro público. Outra questão fundamental é a segurança. Vários países abandonaram a energia nuclear devido ao risco à população. É bom lembrar que um acidente com uma usina nuclear é sempre gravíssimo.

 

Ruy de Góes - e-mail: ruygoes@ig.com.br

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