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informes - ABONG

12715/03/2001 a 21/03/2001

Mulheres iniciam debate sobre letras do funk

Debater o que representam as letras dos funks popularizados hoje é a proposta da campanha radiofônica feita pelo Cemina, ONG que há 11 anos defende os direitos das mulheres através do rádio, durante o Dia Internacional da Mulher. Para Denise Viola, do Núcleo de Produções Radiofônicas do Cemina, essas letras "tratam as mulheres como produtos para serem consumidas aos pedaços".

Em carta enviada ao jornal O Globo, Denise explica que existe uma reação das mulheres que têm mais acesso à mídia, mas que o debate precisa ser ampliado. "A questão merece muito cuidado, para não ser confundida com conservadorismo, censura, preconceito contra uma cultura que vem de comunidades carentes ou coisa parecida". A mesma posição é compartilhada por Itamar Silva, da Fundação Bento Rubião (RJ). "O debate que tem que ser colocado é sobre toda essa onda de achatamento da música popular - que está presente não só no funk, como também no axé e no forró, que têm letras e coreografias apelativas".

Denise ressalta que hoje tá tudo dominado, como diz o conhecido funk. "Se eu não quiser ouvir as agressões de um axé ou de um forró eu mudo de estação ou apago a TV. Mas com o funk não dá prá fazer isso porque até no elevador toca; a gente não consegue ficar imune. Esse funk é o máximo da desvalorização. As letras não têm duplo sentido: elas são uma agressão explícita à mulher".

O Cemina está propondo um debate aberto para discutir a questão de maneira ampla. "Tenho muito medo do que já está acontecendo: em São João do Meriti os bailes funks foram proibidos. Mas não adianta nada. Os jovens vão para outras cidades". Segundo Denise, o desafio é propor um estilo musical diferente ou outro conteúdo. "Não é possível que num país com a tradição musical do Brasil não exista nada alternativo". A questão é dar espaço para outras manifestações e inserir a juventude numa discussão mais ampla. "Outro dia eu ouvi um funk muito criativo, o da Vaca Louca, que brincava com toda essa polêmica. Nossa proposta não é proibir e nem acabar com o funk".

Denise destaca que as reações, em geral, têm seguido duas tendências: a do conservadorismo ou a do "estamos sendo perseguidos". "No nosso entender, os funkeiros estão sendo usados para que outros ganhem muito dinheiro. Eles mesmos ganham só com shows. É preciso fazer a contramão da história, o funk consciente, e mostrar quem está ganhando dinheiro com isso (produtores de bailes, gravadoras)", afirma Denise.

O Cemina também já iniciou um trabalho de conscientização junto às Associações de Rádios Comunitárias. "Os meios de comunicação que têm um compromisso com a coerência, a democratização da sociedade e a manutenção dos direitos humanos têm que abrir espaço para essa discussão".

É nesse contexto também que a Sempreviva Organização Feminista (SOF), de São Paulo, estará organizando no dia 28 de março o debate "O cenário musical atual pop conservador e os reflexos para a imagem corporal e autonomia das mulheres". O encontro será realizado na rua Ministro Costa e Silva, 36, às 19h.


Cemina - www.cemina.org.br Tel. (21) 262-1704 e 9132-6694
Fundação Bento Rubião - Tel. (21) 262-3406
SOF - www.sof.org.br Tel. (11) 3819-3876

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