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informes - ABONG

27/01/2004 a 2/02/2004

Mumbai 2004: um novo passo no FSM

No período de 16 a 21 de janeiro de 2004 aconteceu, na cidade de Mumbai (Índia), a quarta edição do Fórum Social Mundial (FSM) - marcando o primeiro encontro deste grande "movimento" fora do Brasil. A Abong, como membro do Conselho Internacional (CI) do FSM, bem como do seu secretariado, traz neste Informes, em edição especial, dois artigos do seu diretor de relações internacionais, Sérgio Haddad, e uma matéria com o seu diretor-geral, Jorge Eduardo Durão, ambos representantes da Associação neste grande encontro de 2004, juntamente com seu diretor de relações institucional, José Antonio Moroni.

 

FSM 2004

Um fórum popular, em que mais de 30 mil dos participantes eram dalits - os mais pobres de uma sociedade empobrecida, que não devem sequer ser tocados porque são excluídos até do rígido sistema de castas. Sinteticamente, assim poderia ser descrito o Fórum Social Mundial 2004, na Índia. Mumbai, o local que abrigou as atividades, a cidade mais desenvolvida da Índia, com 14 milhões de habitantes e, ainda assim, a pobreza está em toda a parte: nas ruas, nas pessoas, nas residências.

O deslocamento do FSM para Índia literalmente deu uma "nova cara" ao evento, ao concentrar a diversidade cultural asiática para Mumbai. Entre as 80 mil pessoas, de 132 países, que lá estiveram, cerca de 700 eram japonesas, 500 sul-coreanas, além de chinesas, tailandesas e filipinas. Se nas edições anteriores o Fórum falava português, inglês, espanhol e francês, este ano, 13 foram os idiomas oficiais - hindi, marathi, tamil, telugu, bengali, malayalam, espanhol, inglês, francês, coreano, bahasa, indonésio, tailandês e japonês.

As condições das instalações eram precárias, em função dos reduzidos recursos utilizados. Foi alugado um grande espaço cercado, onde havia uma antiga fábrica, que recebeu divisórias de madeira e algodão cru, com chão de terra, cadeiras de plástico. A tradução simultânea - feita por 180 intérpretes e tradutores da Argentina, Brasil, Índia, EUA, França, Espanha, Reino Unido, Bélgica, Suíça, Sri Lanka, Tailândia, Indonésia, Japão, Coréia e Palestina - ocorreu apenas em alguns grandes painéis, realizados nos espaços fechados com madeira, que tinham chão de cimento rústico. 

O Fórum aconteceu dentro, mas também muito fora dos espaços físicos organizados para tal fim. Mantendo uma tradição indiana, as pessoas marchavam o tempo todo, marchavam por todas as partes, numa forma de participação popular, com palavras de ordem, com faixas para serem exibidas e assinadas, carregando instrumentos de trabalho, com velas, com flores. E marchavam crianças, mulheres, camponeses, portadores de necessidades especiais... Foi um espetáculo à parte. 

Os principais debates estavam diretamente voltados ao tema da guerra e da paz, da violência dos EUA no Afeganistão e no Iraque. Mas a abordagem era totalmente diferente, o que nos fez perceber o quanto estamos isolados em nossa visão ocidental. Para os povos orientais, a guerra teve impacto muito maior, porque aconteceu ao seu lado .... é imaginar como teria sido, para nós, se a invasão norte-americana tivesse acontecido na Argentina. 

Em relação às suas três edições anteriores, este FSM foi muito mais popular, com intensa participação dos movimentos populares, dos movimentos de base. Também foi maior a diversidade: de pessoas, nacionalidades, cores, vestimentas, comportamento e formas de expressão - além das marchas, havia manifestações culturais nas ruas com grupos de dança, teatro, gente pintando, fazendo discurso, falando com o corpo... 

Tudo isso reflete a forma mais participativa com que o FSM foi construído na Índia. Primeiro, foi constituído um grande comitê asiático; depois, um comitê indiano amplo e, finalmente, um comitê organizador. Esta estrutura contemplou a diversidade de posições políticas e de organizações, mantendo o diálogo entre todas as forças sociais. Isto implicou participação equilibrada, presença pública revezada, múltiplos mecanismos para contemplar posições diversas. 

Sobre a precariedade da estrutura, é preciso dizer que ela foi contornada com muita simplicidade e criatividade, constituindo diversos ambientes, entre toras de madeira e tecidos coloridos onde foram desenvolvidas as atividades autogestionadas. A deficiência na tradução, que fez do inglês a língua quase predominante, ao lado do hindi, foi o principal problema, por contrariar um dos princípios do FSM, que considera a manifestação dos participantes no seu próprio idioma também como uma forma de respeito e expressão à diversidade.

O fato de todas as atividades terem sido concentradas num único local permitiu a convivência num verdadeiro "caldeirão de diferenças". Porém, o acampamento da juventude ficou há cerca de 10 quilômetros do local central do Fórum, dificultando a integração dos jovens às atividades. Perdeu também a cidade, que não pôde conviver com o FSM, como ocorre em Porto Alegre. 

O Fórum na Índia confirmou a sensação de Porto Alegre, de que o evento se faz muito mais pelos pequenos painéis, oficinas, debates nos corredores, sentados no chão; pela troca de experiências entre os participantes e pelas atividades autogestionadas. Em Mumbai, mais do que em Porto Alegre, as grandes conferências, protagonizadas por intelectuais e lideranças internacionalmente reconhecidas, foram pouco participativas, embora algumas tivessem estimulado debates interessantes.

Do ponto de vista da repercussão, o fato de não ter ocorrido simultaneamente a Davos, impossibilitou os contrapontos entre os dois eventos, tão intensamente explorados pela mídia mundial nas edições passadas, reduzindo, assim, seu impacto internacional. (Por Sérgio Haddad).

www.forumsocialmundial.org.br

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