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informes - ABONG

15/06/2004 a 21/06/2004

Passeata protesta contra o livre comércio

No mesmo dia da abertura da XI Unctad, 14 de junho, a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) e a Campanha Contra a Alca organizaram, em São Paulo, uma ampla manifestação contra a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) - e pela realização de um plebiscito oficial - e a OMC. Ao som da Internacional Socialista, as organizações lançaram a campanha o Brasil quer trabalhar, dizendo não ao livre comércio e à exploração das Transnacionais. A concentração da passeata ocorreu em bairro próximo ao Anhembi, e reuniu, conforme a organização do ato e a Polícia Militar, mais de mil pessoas, entre elas, membros de sindicatos, movimentos sociais mistos e de mulheres, pastorais, partidos políticos, tanto do Brasil quanto latino-americanos. Várias representações do Fórum da Sociedade Civil para a Unctad também participaram da marcha.

Simultaneamente, a CMS também exige: reformas agrária e urbana, com construção imediata de moradias populares; serviços públicos de qualidade; redução da jornada de trabalho sem redução de salários, com salário mínimo digno; o rompimento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o não-pagamento da dívida externa; a autodeterminação dos povos e a retirada das tropas invasoras do Iraque e do Haiti.

Com muitos instrumentos, as integrantes da Marcha Mundial de Mulheres (MMM) protestavam: "somos mulheres e não mercadorias". Conforme Sônia Maria Gomes, membro Marcha, a MMM é contra todas as instituições que promovem o atual modelo econômico, "que só aumenta o desemprego, a miséria e a exclusão social, principalmente entre as mulheres. Protestamos hoje para frisar, principalmente para o presidente Lula, que estamos contra o modelo econômico que ele está implementando no país". Sônia avaliou que a Unctad já teve um papel importante, mas que, agora, é apenas um órgão assessor, muito pressionado pela OMC, sem forças para impor regras que melhorem o desenvolvimento de países como o Brasil. 

Lourival Plácido de Paula, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de São Paulo, e o vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores, Emanuel Melato, também foram unânimes: o livre comércio impede a construção de "um país livre e soberano". "Para nós, o governo brasileiro está aprofundando a política econômica herdada do governo FHC. Por outro lado, se a ONU não conseguiu impedir nem a guerra do Iraque, como a Unctad poderá impedir o livre comércio?", questionou Melato. Já um dos coordenadores da Pastoral Operária, Waldemar Rossi, enfatizou: "a Alca torna todos os países fundo de quintal dos Estados Unidos". Para ele, o ato também salientou aos representantes da América Latina na Unctad a necessidade de garantir a soberania dos países. "Eles devem ter a coragem de iniciar um processo de ruptura com o FMI e de romper com a política do superávit primário, que leva todas as nossas reservas embora." 

Durante a passeata, o diretor de relações institucionais da Abong, José Antônio Moroni, ressaltou a importância de encontros que agendam na sociedade temas do interesse geral, mas que são decididos por poucos. "E esses poucos, que são sempre os mesmos, defendem os interesses do capital, do mercado financeiro. Assim, é importante a sociedade civil participar nesses espaços com a sua agenda, para disputar e também para mostrar como questões que são discutidas em encontros como o da Unctad impactam na vida dos cidadãos e cidadãs." 
Na opinião da coordenadora-geral da Rede Brasileira pela Integração dos Povos (Rebrip), Iara Pietricovsky, a manifestação foi muito positiva. "Precisamos estar em todas as frentes de batalha, seja na Unctad, pelo FSC, fazendo nossa voz chegar às delegações oficiais, ou aqui fora, sensibilizando a população de que chega de livre comércio, que está acabando com os nossos países, com as nossas vidas, produzindo desemprego e um mundo de muita desigualdade", ressaltou. "E nós vamos continuar a lutar por um outro mundo possível, para o qual todas as vozes são necessárias." 

Ao chegar no portão lateral do Anhembi, próximo ao local onde acontece a Unctad, os(as) manifestantes bradavam: "democracia já, o povo quer entrar". Contudo, a manifestação foi pacífica e não deu trabalho aos(às) muitos(as) policiais que, com cassetetes e escudos, acompanharam o ato e fizeram barreiras no local. Sobre o caminhão de som, as representações apresentaram suas posições e leram, inclusive, a mensagem de Fidel Castro à Conferëncia. 

E, sem terem permissão para se dirigirem à Unctad, os(as) manifestantes marcharam de volta ao local da concentração.

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