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informes - ABONG

30/11/2004 a 6/12/2004

Quem se beneficia do turismo no Nordeste?

Apontado como setor de grande potencial e um dos mais promissores para o desenvolvimento do Nordeste, o turismo, ou melhor, a política nacional de turismo foi duramente criticada por ativistas de movimentos sociais presentes no seminário "Alca, OMC - os impactos do livre comércio na vida do povo", realizado no I FSN.

A cada ano, cerca de quatro milhões de turistas visitam o Brasil, e a meta do governo federal é chegar a nove milhões, até 2007, na perspectiva de gerar 1,2 milhões de novos empregos. Os dados estão no Plano Nacional de Turismo e foram questionados, então, pelo coordenador do Programa de Gestão Costeira do Instituto Terramar (CE), Jefferson Souza.

Atualmente, o turismo é uma indústria que movimenta milhões de dólares. Segundo a Organização Mundial do Turismo, circularam como turistas internacionais, em 2002, mais de 700 milhões de pessoas, cerca de 3,5% da população mundial. De acordo com Jefferson, o governo brasileiro está de olho neste mercado, tendo em vista o crescimento ocorrido nos últimos 30 anos. Entre as organizações que monitoram o setor, a Unesco informa que, na década de 1970, um em cada 13 visitantes saíam da Europa, ou da América, em direção aos países em desenvolvimento. Hoje, a proporção é de um para cada cinco turistas. 

"Mas o governo federal não informa que entre 70 a 80% dos gastos desses turistas ficam com as companhias aéreas e, mesmo assim, em poucas: em 1998, dez das maiores companhias aéreas ficaram com 2/3 dos lucros mundiais do setor, segundo a Unesco. Além disso, o turista de perfil internacional se hospeda em grandes cadeias de hotéis, sabendo-se que apenas cinco delas concentram 14% da hospedagem mundial. Para Jefferson, "proteger este capital que explora o turismo em várias partes do mundo é uma das pautas de negociação na Organização Mundial do Comércio, do Acordo Geral sobre Comércio em Serviços (Gats) e para a formação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca)".


Falta de apoio à economia local

"Ao contrário do que muita gente pensa, esta proteção apenas favorece a multiplicação deste capital transnacional, dando a ilusão de gerar milhares de empregos internos. Na origem, grande parte dos investimentos envolve capital internacional associado ao nacional", afirmou Jefferson. Para ele, este modelo de política para o turismo ainda gera conflitos entre o "empreendimento cinco estrelas" e a comunidade. Isso porque toda a atração de investimento está vinculada à flexibilização da legislação ambiental - ou de sua aplicação -, o que gera problemas às populações tradicionais, que vivem da pesca, por exemplo. Ou seja: este tipo de empreendimento depreda socioeconomicamente justamente as vilas que são utilizadas como postais desses grandes investimentos.


O debate sobre liberalização do comércio no setor de turismo é uma agenda que se fortaleceu no Fórum Social Mundial, na Índia, ano passado, onde foi produzido um comunicado do Grupo de Intervenções em Turismo intitulado "Quem se beneficia do turismo?". Após este IV FSM, o debate teve continuidade no Fórum Social Peruano, realizado este ano, e, a seguir, no Fórum Social Nordestino.

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