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informes - ABONG

8/02/2005 a 28/02/2005

Lutas feministas e anti-racistas latino-americanas em pauta

Em 27 de janeiro, a Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), a Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) e Actionaid Brasil e Internacional Américas reuniram, no V FSM, quatro ativistas de diferentes países e conjunturas, para discutir velhos e persistentes problemas e avançar na reflexão sobre estratégias comuns para superá-los. E a perspectiva feminista anti-racista deu a base para o Seminário Estratégias feministas anti-racistas contra as políticas neoliberais, a produção da pobreza e as desigualdades, realizado para contribuir com a discussão sobre Lutas sociais e alternativas democráticas - Contra a dominação neoliberal (Espaço 8/F), dando visibilidade aos debates já promovidos anteriormente no Fórum Social Brasileiro (FSB/Belo Horizonte, novembro de 2003) e no Fórum Social das Américas (FSA/Quito, julho de 2004).

Com vários casos e dados estáticos, as quatro palestrantes mostraram as variadas formas pelas quais a globalização e as políticas neoliberais agudizam a pobreza em seus países, afetando diferentemente a vida das mulheres negras, índias e brancas. A falta generalizada de políticas sociais, em especial para as mulheres indígenas e lésbicas; sistemas públicos de saúde e educação precários; a grande maioria de mulheres em sub-empregos e na informalidade, e as opções de trabalho via economia solidária; as relações mulheres-Estado e com o sistema ONU, com seu esvaziamento e perdas políticas; as linhas de financiamento para as ONGs de mulheres e feministas foram alguns dos problemas e realidades apontados pelas componentes da mesa. 

No Haiti, as palavras negro-negra querem dizer homem-mulher, e branco-branca, estrangeiros. "Estas são as diferentes classes que compõem as relações sociais no país, onde 80% da população vive em extrema pobreza, e mais da metade é composta de mulheres", contou a médica Lise-Marie Dejean, da ONG Solidarite Fanm Ayisyen. Tudo falta no país onde homens negros casam-se com mulheres claras - brancas ou mulatas - por prestígio: recursos para manter suas famílias, além da falta de serviços sanitários básicos, água e moradia. "Somos pobres porque somos negras? É uma pergunta que ainda estamos investigando", contou.


Globalização dos males

Do México, Ochy Curiel, de Lesbianas Feministas en Colectiva, foi enfática: "Se impõe a necessidade de repensarmos uma utopia para superar o sistema neoliberal racista, sexista, homófobo e com outras formas de discriminação. Temos de construir um outro projeto político de sociedade". Para ela, é preciso que haja uma "solidariedade horizontal", possibilitando realmente a construção de um outro mundo possível. "E devemos superar nossos próprios racismos e sexismos", alertou. 

A índia quéchua Ruth Penafiel, da Federação de Organizações Quéchuas do Equador, avaliou que a globalização quer exterminar com os processos de avanço que as mulheres alcançaram: "é e será uma arma mortal para as mulheres". No seu país, um entre tantos fatos comprova o que diz: as químicas utilizadas para exterminar com as plantações de coca na divisa com a Colômbia, impostas pelos Estados Unidos, estão provocando má-formação em fetos e doenças em crianças. "E não há quem as ampare, é uma total violação dos direitos humanos", frisou.


Desburocratizar

Diante das exposições, a secretária executiva da AMB, Sílvia Camurça, resgatou e analisou aspectos das apresentações, como o aprofundamento de questões para o combate às causas estruturais da pobreza, bem como de vários fatores da ação e estratégias feministas anti-racistas. Sílvia lembrou que as representantes mostraram que, anterior ao contexto atual da globalização, as diferentes formas de reprodução da pobreza também foram frutos dos processos de colonização, ocorridos em seus países. "Às vezes, esquecemos de processos históricos como a colonização, que agudiza nossas más condições de vida".


A secretaria executiva da AMB também destacou as questões postas ao movimento: "o feminismo precisa considerar as diferentes relações sociais, como a dimensão de classe, pois a vida das mulheres se explica por classe, raça, opção sexual e não só pelas relações de gênero". Ao final, deixou um enorme desafio para o movimento feminista: "avançar em ações coletivas e desburocratizar." 
Com este Seminário, as entidades pretendem concluir um ciclo de aprofundamento sobre gênero e raça nos processos de exclusão da América Latina e Caribe, com a respectiva sistematização dos conteúdos.


Publicações

As Articulações e ActionAid Brasil e International Américas lançaram no encontro duas publicações, frutos de seminários realizados durantes o FSB e o FSA, com artigos de especialistas de diferentes áreas sociais: Políticas de ajuste x políticas de inclusão - Gênero e raça nas políticas públicas, em português; e Gênero, raza y etnia en las dinâmicas de la pobreza en América Latina y el Caribe, em edição bilíngüe espanhol/inglês. 
AMNB: www.mulheresnegras.org.br
AMB: www.articulacaomulheres.org.br.


Barco da diversidade

Desde o FSM 2002, a Articulação Feminista Marcosur (AFM) tem dado visibilidade à campanha contra os fundamentalismos Sua Boca, fundamental contra os fundamentalismos. E no V FSM não fez por menos: alugou um dos barcos que fazem passeios pelo rio Guaíba e nele instaurou o Barco da Diversidade, onde aconteceram muitas atividades de diferentes grupos e organizações de mulheres e feministas.

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