ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Instituto C&A
  • REDES

    • Action2015
informes - ABONG

31/07/2007 a 13/08/2007

Mìdia e criminalização dos movimentos na Roda Viva Popular

Uma Roda Viva Popular, para debater mídia e criminalização dos movimentos sociais. Esta foi a atividade proposta por SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia, Abong e Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) e realizada em 4 de agosto, no âmbito do Eixo 4 II FSNE. As organizações tiveram por premissa que a construção de uma sociedade democrática passa necessariamente pela democratização da comunicação – um dos eixos da Plataforma dos Movimentos Sociais por uma Reforma Política ampla, democrática e com participação popular.

No centro da roda, quatro diferentes representações contaram suas experiências e fizeram análises sobre a mídia e a comunicação no Brasil: José Guilherme Castro, coordenador da Abraço; Luiza Cavalcante, do assentamento Chico Mendes II – em Engenho Toco em Tracunhaém (Mata Norte/Pernambuco), assessorado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT); Luiz Lasserre – jornalista, com 22 anos de profissão, editor de Segurança do jornal A Tarde (Salvador), já tendo integrado a equipe da ONG Cipó - Comunicação Interativa e a Rede Andi Brasil; Tânia Cordeiro, professora da Universidade Estadual da Bahia (Ueba) e integrante do Fórum Comunitário contra a Violência.

Ao lado dessas representações, Carla Aragão, da ONG Cipó; Rita Freire, da Ciranda Internacional de Comunicação Independente; e Rosário de Pompeu, do Centro de Cultura Luiz Freire e do Intervozes foram as três jornalistas e comunicadoras populares convidadas a debater com as/os participantes da Roda. As mais de 50 pessoas presentes, de diferentes movimentos e Estados do Nordeste, participaram ativamente dos debates, com muitas perguntas e exposições de fatos. A Roda Viva Popular contou, ainda, com a mediação das comunicadoras do SOS Corpo e da Abong, bem como com a animação de Manina, do Centro das Mulheres do Cabo.


Ameaças

Como previsto, as discussões e questionamentos giraram em torno das diferentes formas de criminalização dos movimentos sociais, além das ameaças e até mortes de seus/suas integrantes; da repressão às rádios comunitárias; da falácia da imparcialidade jornalística na cobertura dos fatos; das tentativas recentes do Ministério das Comunicações de estigmatizar a comunicação popular, em franca defesa dos interesses das grandes corporações da mídia.

Luiza, do Assentamento Chico Mendes II – que já foi destruído em julho de 2003, quando até crianças e jovens foram presas/os –, está ameaçada de morte. “A destruição foi total, mas continuamos a buscar a recuperação de nossas vidas”. Localizada na região da Usina Santa Teresa – que não tem função social há mais de 30 anos –, o assentamento voltou a ser atacado pela polícia em novembro de 2007. Não é só: dois assentados já foram assassinados. “As pessoas de Araçoiaba, cidade próxima, também ficam assustadas. Não é fácil viver com este medo e a incerteza no futuro”, salientou. “Há centenas de crianças no Brasil que vivem em condições similares. E todos esses fatos não apareceram na mídia, apesar de a CPT ter enviado comunicados. Fica aqui a pergunta: Por quê?”


Segurança

Com sua vida profissional iniciada na grande imprensa, Lasserre relatou sobre sua experiência na área de Cultura no jornal A Tarde, de Salvador, até que, em 1998, foi chamado para fazer um trabalho conjunto com a ONG Cipó, onde ficou por sete anos. “Começamos a acreditar que uma outra mídia é possível. Buscamos mudar paradigmas, para os colegas nos jornais tentarem entender a importância de mudança do papel da mídia”, contou. Na ocasião, também integrou a Rede Andi.

Lasserre ressaltou que existem mitos de perseguição a jornalistas da grande imprensa, mas ele tem encontrado no jornal espaço para colocar as questões relevantes dos movimentos. Diante disso, ele foi fortemente questionado pelas três comunicadoras, que afirmaram, de diferentes formas, que esta é uma realidade vivida por ele, mas não pela maioria dos/as jornalistas.

A professora Tânia, que desde 1994 estuda as relações entre comunicação e violência, ressaltou que as maiores vítimas são pobres, afrodescendentes, entre 15 e 29 anos, com trabalho pouco qualificado e pouca formação. “E que importância tem isto para a mídia?”, criticou, avaliando que a imprensa tem um papel fundamental na sociedade, e que parte dele é ver os problemas relevantes. Ela chamou a atenção para a relação dos movimentos sociais com a mídia, tendo em conta que a pauta da mídia fica como realidade.


Reféns

Castro, da Abraço, comentou, informando números, como as rádios comunitárias têm sido atacadas: até hoje, já foram 15 mil fechamentos “legais”; foram presos R$ 150 milhões em equipamentos; 20 mil pessoas estão sendo processadas. “E, no atual governo, temos 5 mil pessoas condenadas”, frisou.

Ao mesmo tempo, salientou que os movimentos não podem ficar reféns da mídia, devendo estabelecer com esta uma outra relação. Nesse sentido, ele considerou que é importante garantir a sustentação da mídia dos movimentos sociais, priorizar suas informações, pois é o que fortalece a mobilização social.

Para alterar as relações dos movimentos e ONGs com a mídia, avaliou Castro, é também preciso colocar em debate a questão das concessões públicas – que será motivo de ações de movimentos em outubro, mês em que vence no dia 5 a concessão pública de radiodifusão da Rede Globo, da TV Bandeirantes e da Record. Diante disso, ele acentuou a estratégia traçada pela Mobilização por uma Reforma Política ampla, democrática e participativa, que tem a comunicação entre suas prioridades no debate da reforma do sistema político.


A Comunicação em pauta no II FSNE

Em 4 de agosto, um outro grande debate aconteceu em Salvador com o Seminário Rumo à Conferência Nacional de Comunicação, realizado pelo FNDC, Abraço, Intervozes e Conam. Como divulgado pela assessoria de comunicação do Fórum, todos/as concordaram que é preciso promover a garantia do direito à comunicação das classes populares. Mulheres e as novas Tecnologias da Comunicação e Informação, inclusão digital e inclusão social, a comunicação como direito humano, estão entre os outros temas abordados em atividades no II FSNE.
Saiba mais: www.direitoacomunicacao.org.br.

lerler
  • PROJETOS

    • Novos paradigmas de desenvolvimento: pensar, propor, difundir

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca