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47814/12/2010 a 31/12/2010

ABONG realiza seminário sobre Modelo de Desenvolvimento em Salvador, Bahia

O Centro Cultural da Câmara Municipal de Salvador, capital da Bahia, recebeu na segunda-feira, 6 de dezembro, o seminário Por uma Nova Concepção de Desenvolvimento. Organizada pela ABONG, em parceria com o regional Nordeste II, a atividade foi a primeira de uma série cujo objetivo é aprofundar aspectos de concepções e práticas de desenvolvimento que a Associação realizará.

 

O seminário foi composto por três mesas de debate, cujas discussões abordaram temas como ecologia, economia, desenvolvimento, desigualdades sociais e aspectos específicos da discussão sobre modelos de desenvolvimento para o Nordeste do Brasil.

 

Na fala de abertura do seminário, Aldalice Otterloo e Raimundo Oliveira, ambos integrantes da diretoria executiva colegiada da ABONG, ressaltaram a importância desta discussão no atual momento histórico. Segundo Aldalice, recém chegada do Fórum Social Pan Amazônico, o tema do desenvolvimento tem ocupado lugar de destaque nas diversas reflexões dos movimentos sociais, e a necessidade de pensar e formular um momento em outras bases tem aparecido em diversas análises de conjuntura. Além desta fala introdutória, a abertura do seminário contou com uma apresentação de dança do grupo Rodas no Salão, que conta com a participação de dançarinos (as) cadeirantes.

 

A primeira mesa do debate, chamada de “Uma nova concepção de desenvolvimento econômico-ecológico”, contou com a participação de Marcos Arruda, do PACS, e comentários de Ivo Lesbaupin, da direção executiva colegiada da ABONG. Arruda iniciou sua explanação de um modo diferente, pedindo às (aos) presentes que formassem duplas para discutir as questões: “o que é felicidade para você hoje, em 2010, e o que será a felicidade para você em 2050?” e “o que é desenvolvimento para você?”. Após cinco minutos, algumas duplas apresentaram suas reflexões para animar o debate.

 

Em seguida, Arruda apresentou os pilares em que sustentam o modelo de desenvolvimento que permeia as sociedades ocidentais, baseado no produtivismo e consumismo, na exploração exaustiva de recursos naturais e do trabalho humano, dependente da queima de combustíveis fósseis para geração de energia. Segundo dados trazidos por ele, os Estados Unidos consomem atualmente em torno de cinco planetas Terra, enquanto o Brasil já consome um. “O modelo de desenvolvimento atual nos ilude, afirmando que os recursos naturais são ilimitados. Diante do capitalismo, os países tropicais perderam cerca de 60% de seu território em 40 anos”, disse.

 

Para Arruda, este modelo entende o desenvolvimento como crescimento econômico e coloca para os movimentos e organizações o desafio de formular alternativas, em que a lógica não seja a obtenção de lucro máximo, mas em que a economia tenha como objetivo máximo o bem viver e a felicidade. “Defendo o aumento contínuo e crescente de liberdades substantivas das (os) individuas (os), famílias, comunidades, países e do planeta. Desenvolvimento com liberdade. Liberdade em relação às condições para garantir a vida”, afirmou. Segundo ele, as transformações devem passar pelas dimensões objetivas e subjetivas. As primeiras seriam mudanças no modo de vida, de consumo, das relações sociais, sendo que as segundas representam as transformações em nós mesmas (os).

 

No intervalo entre as mesas, o seminário contou com a participação da poetisa Ametista, artista de rua em Salvador e resistente à massificação imposta à arte popular pela indústria cultural.

 

Já a segunda mesa, chamada de “Concepção de desenvolvimento e as desigualdades sociais contou com a presença de Cristiane Faustino, do Instituto Terramar, de Fortaleza (CE) e Cândido Grzybowski, do IBASE, ambas as organizações associadas à ABONG. Cristiane dedicou sua fala às concepções culturais que devem permear o debate sobre novos modelos de desenvolvimento, ressaltando que as transformações defendidas pelo campo da ABONG não se darão apenas com a mudança de paradigma econômico, mas também no campo das relações. Segundo ela, o debate sobre as diversas formas de opressão e preconceito destinadas às mulheres, homossexuais, negras e negros, indígenas, devem ser discutidas junto às alternativas ao atual modelo de produção e consumo.

Já Cândido Grzybowski colocou a necessidade de subverter a ordem dominante, partindo do questionamento aos fundamentos da economia, que são muito raros.

 

"Ninguém questiona a economia. É uma ciência de poder imperial", afirmou. Para ele, o modelo capitalista atual tem implícitas a destruição ambiental e a geração de desigualdade e exclusão. "Precisamos inclusive fazer a crítica ao termo desenvolvimento, que está associado à ideia de destruição para o crescimento baseado no patriarcado e no racismo", problematizou. Em sua opinião, a principal tarefa das organizações do campo da ABONG na luta por outros modelos de desenvolvimento é fazer o "mapeamento das lutas que fazem parte da ordem contra a mercantilização da vida, que são localizadas, fragmentadas por definição, mas que concretas e representam o novo. Devemos valorizar o potencial universalista das lutas locais".

 

Na parte da tarde, a mesa Nova concepção de desenvolvimento: perspectiva para o Nordeste, contou com a participação de Carlos Eduardo de Souza Leite, integrante do SASOP e também da Articulação do Semi-árido (ASA) e de João Suassuna, pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco. Suassuna apresentou diversos estudos que demonstram que a opção pela transposição do rio São Francisco, obra de grande impacto que tem sido alvo de diversas polêmicas desde que foi anunciada pelo governo Lula, não é a melhor alternativa para gerar desenvolvimento econômico na região Nordeste. Suassuna desfez mitos sobre a falta de água e principalmente sobre as soluções que costumam ficar muito aquém do que é prometido, e defendeu medidas de convivência com o semi-árido. Já Carlos Eduardo, conhecido como Caê, reforçou as perspectivas da ASA para o desenvolvimento da região semi-árida, calcadas em alternativas que passam longe das grandes obras de infra-estrutura, que deslocam populações e têm altos custos ambientais e financeiros, e apostam em soluções individualizadas, como a construção de cisternas.

 

O encerramento do seminário ficou por conta de Aldalice Otterloo, que fez um esforço de sistematização dos principais pontos levantados ao longo dos debates, e comprometeu a ABONG com a continuidade das discussões sobre alternativas ao modelo atual. A Associação elegeu o tema como uma de suas prioridades de trabalho, e deve abordá-lo ao longo do próximo ano em diversas atividades regionais e nacionais. As (os) participantes do seminário, que reuniu cerca de oitenta pessoas, foram convidadas (os) a avaliar a atividade ao final dela. Os resultados da avaliação serão considerados pela ABONG na preparação de seus próximos eventos.

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