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48429/04/2011 a 13/05/2011

Seminário do INESC questiona: é possível desenvolvimento sem equidade racial?

A ABONG tem entre suas prioridades para a atual gestão o fortalecimento das lutas políticas e causas das associadas, mais especificamente o reforço das alianças com movimentos e redes temáticas ligadas à questão de gênero, raça, diversidade sexual e outras com menos visibilidade na nossa sociedade. Nesse sentido, ganha importância nossa participação no  Seminário Racismo, Igualdade e Políticas Públicas, promovido pelo INESC, nos dias 30 e 31 de março.

 

Neste artigo, procuramos destacar algumas das questões tratadas no evento que são de interesse do conjunto das organizações que lutam por mudanças de fato na sociedade, que levem a superar desigualdades e corrigir injustiças históricas de forma sistemática e permanente. No site do evento estão a íntegra de todas as apresentações, outros artigos e notícias sobre o tema

 

Um primeiro destaque foi a oportunidade de compreender e debater as características da atual conjuntura social e política no Brasil em relação à questão do racismo. Entre elas, enfatizamos:

 

- Momento de forte ameaça aos avanços conseguidos nesta área nos últimos anos, pois está em curso uma bem estrurturada reorganização do campo conservador. Como exemplos foram citados: a ação do DEM contra as cotas; e a reação falaciosa da mídia ao parecer do Conselho Nacional de Educação sobre o livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, de forma a construir uma visão negativa das ações afirmativas.

 

- Mudança psicológica e cultural da sociedade, pois há hoje um despudor ao manifestar o racismo, como aconteceu na fala pública do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ). O racismo, associado ao repúdio à marginalidade, geralmente pobre e negra, é bem recebido e socialmente aceito.

 

- Resistência silenciosa da maioria, que dessa forma se abstém de lidar com a questão e continua desfrutando seu conforto unilateral. O tema do racismo fica sendo coisa política e do movimento social organizado.

 

- Desarticulação e disputa entre os vários movimentos sociais, dificultando o enfrentamento da avalanche de ataques e ameaças.

 

Entre as formas de lidar com a conjuntura, destacou-se a necessidade de diálogo entre as organizações e movimentos sociais, para uma análise crítica, e a definição de uma reação estratégica e bem articulada. Por exemplo, mais de uma vez foi citada a necessidade de se retomar os “Diálogos contra o Racismo” que, entre outras iniciativas, desenvolveu a campanha “Onde você guarda o seu racismo?”. É importante conseguir se comunicar com a sociedade em geral, superando o binômio vitimização e inexistência. Nesse sentido, o seminário foi muito importante ao trazer e discutir novos dados e aprofundar as análises.

 

Um segundo aspecto que gostaríamos de destacar refere-se a uma pergunta que também foi levantada várias vezes durante o evento: é possível desenvolvimento sem equidade racial? Uma das análises indicou que sim, pois estamos vendo acontecer no Brasil hoje. Mas ressaltou também que a pergunta certa a fazer seria: um desenvolvimento como este é eticamente aceitável? É imprescindível ter uma reserva moral e querer pagar o preço para lutar por outro desenvolvimento, com inclusão social de fato, ou seja, que promova desbloqueio da rígida hierarquização social e consiga de fato retirar vantagens enraizadas há séculos e, por isso, “naturalizadas”.

 

Em relação a esse ponto foram destacadas durante o evento várias agendas. Entre elas, ressaltamos duas. Primeiro, a importância de olhar a participação social em seu aspecto mais institucional, ou seja, como a questão racial é pautada no parlamento (interesse dos partidos, possibilidades reais de intervir nas estruturas de poder, etc) e, nesse sentido, o lugar central de articulações como a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma Política. Em segundo, é essencial analisar com cuidado o novo ciclo de participação e poder que tem potencial de emergir, especialmente se olharmos para os/as jovens em sua condição de propor o novo, tanto em termos de conteúdo, quanto do “fazer política” – exemplo são os vários movimentos apresentados durante o seminário, como o Nosso Coletivo Negro.

 

Concluímos, destacando a importância do Seminário no sentido de trazer para a ABONG muitos elementos importantes para pensar seu trabalho nos próximos anos. Em especial, foi uma oportunidade de acesso à informação qualificada, troca de experiência e articulação com outros movimentos que lutam por políticas públicas que ajudem na construção de um Brasil não racista.

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