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informes - ABONG

49106/10/2011 a 03/11/2011

Educação tem papel essencial no desenvolvimento sustentável

No painel "Educação e sustentabilidade: rumo a Rio+20", as expositoras Maria Alice Setubal, presidente do conselho de administração do Cenpec, e Vera Masagão, coordenadora da Ação Educativa, relacionaram as perspectivas da educação de jovens e adultos e das escolas com o desenvolvimento sustentável. Damien Hazard, mediador do painel e membro da diretoria executiva da Abong, lembrou que as organizações filiadas surgiram em outro contexto, com fortes práticas de educação popular, fortalecimento dos direitos e da democracia, e que, vinte anos depois, os desafios são novos, como a sustentabilidade do planeta, da humanidade e das organizações. E o papel da educação continua fundamental nessa questão.

 

Maria Alice propôs pensar o significado da educação na sustentabilidade em quatro direções: econômica, social, cultural e ambiental. Ela ressalta que o ato de educar deve ter um olhar planetário, desdobrando-se em valores de diálogo, inovação e cooperação. A educação planetária tem que responder ao mundo contemporâneo e garantir às futuras gerações ensino de qualidade com equidade.

 

Ela também trouxe a perspectiva da educação relacionada à desigualdade social, apresentando taxas de acesso ao ensino e frequência escolar. O ensino fundamental é universalizado no Brasil, porém com problemas de qualidade. Já o ensino médio e superior possuem taxas mais baixas de acesso. “Nossa taxa de frequência ao ensino superior é 12% ou 13%, uma das mais baixas da América Latina”, disse. Essas desigualdades também são regionais. No Norte e Nordeste, a frequência escolar é mais baixa; no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, as taxas são melhores. Em termos de renda, quanto menor o rendimento, menor a frequência ao ensino médio. E, sobre as desigualdades raciais, quanto maior a idade, mais aumentam as diferenças raciais.

 

Já Vera Masagão abordou o tema através da dicotomia entre educação formal e não formal. “A educação não formal, que também abarca o campo da educação popular, não se dá na escola, se dá em espaços de ação política em sentido amplo, quando as pessoas se unem implicadas no destino comum da comunidade ou no plano mais global”.

 

Desafios

 

Salientando que os desafios da educação são inúmeros, a coordenadora do Cenpec reforça que a educação tem que ser pensada em um conjunto de dimensões articuladas. No âmbito da sustentabilidade, destaca-se a articulação entre educação, políticas sociais e equipamentos nos territórios, pensando na suas influências na qualidade da educação. “As políticas de saúde, social e de cultura têm que estar articuladas com a educação. Essa falta de articulação é muito concreta, resultando em impactos negativos na educação, cidadania e qualidade de vida para em torno de 20% da população do país. Se isso não for resolvido, não vamos resolver os problemas de educação.”

 

Ela chamou atenção para a questão dos currículos, que devem ser adaptados ao mundo contemporâneo e à realidade escolar. Por outro lado, existe também o desafio dos conteúdos, que dialoga com que aluno queremos formar. E, finalmente, o professor. Nenhum dos problemas anteriores se resolve sem a valorização do professor, que significa investimento em carreira, salário e formação – inicial e continuada. “Nós temos hoje uma lei com o piso salarial totalmente inadequado, e a maioria dos Estados não cumpre nem esse piso”.

 

Outro desafio que trouxe foram as novas tecnologias digitais, a Internet, as redes sociais. Com seu surgimento, houve uma apropriação de diferentes tempos e espaços. E essas novas tecnologias permitem a participação mias intensa dos jovens: “Acho que, como educadores, temos que ouvir os jovens. Eles estão mostrando caminhos, temos que ouvi-los de forma mais séria e apontar caminhos pensando nessa transformação social”.

 

Vera apontou os desafios ligados às organizações da sociedade civil, afirmando que vivemos um momento de reflexão política das ONGs como ator. Reconectar a dimensão política com a dimensão pedagógica é fundamental. No âmbito da Rio+20, temos a questão de como colocar mais pessoas no destino da coletividade.

 

O direito à educação formal e os valores comuns, juntamente com a cultura dos direitos humanos, devem ser reafirmados. E o educador não pode ficar indiferente às desigualdades presentes na sociedade. “Se você não vê o aluno como um igual, uma pessoa de direitos, não tem como ensinar”, disse. Por fim, Vera lembra de um grande desafio da Rio 92, atualizado na Rio+20: como articular a cultura universal com a valorização e o diálogo com o local. “A Rio+20 não é uma conferência de meio ambiente, e sim de desenvolvimento sustentável, e a educação tem um papel crucial nesse tema”.

 

Para ter acesso a relatoria completa dos painéis, clique aqui.

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