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informes - ABONG

49106/10/2011 a 03/11/2011

Profissionalismo e militância não devem formar dicotomia

O painel "Recursos Humanos: profissionalismo x militância?" contou com a presença de Fátima Nascimento, da O ELO – Ligação e Organização, Elza Kraychete, da Universidade Federal da Bahia e Waldir Mafra, da Care Brasil. Raimundo Oliveira, da diretoria executiva da Abong, foi o mediador da mesa, colocando a sua importância em “reconhecer a nossa militância, mas sem perder a legalidade e o nosso profissionalismo”.

 

Durante o painel, Fátima e Elza apresentaram alguns resultados da pesquisa sobre condições de trabalho e políticas salariais, feita em parceria com a Abong e com as agências evangélicas de cooperação alemã EED e Pão para o Mundo. Ela possui três fontes: um questionário enviado às associadas da Abong, aos parceiros de agências e a movimentos sociais e pastorais; uma pesquisa documental feita a partir dos dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) sobre o mercado de trabalho; e entrevistas com associadas selecionadas no Nordeste, Sudeste e Norte, com o intuito de aprofundar as conclusões do estudo. Atualmente, ela está em fase de tabulação de dados e realização final das entrevistas. Elza explica que os pesquisadores receberam respostas de 32 associadas, distribuídas entre Norte, Nordeste, Sudeste e Sul.

 

Dentre os dados apresentados, estavam o tipo de contratação realizado pelas ONGs, em conjunto com o nível de formação (em porcentagem):

 

 

Elza explica que essa distribuição tem relação com as mudanças das fontes de captação de recursos, que não são mais a cooperação internacional historicamente consolidada. Já quando ONGs estão captando recursos nacionais ou respondendo a editais de governos e empresas públicas, normalmente há contratos temporários. “As ONG tem contratado pessoas para trabalharem por tempo determinado, por projeto”. Segundo a pesquisadora, surpreendentemente, o dado sobre voluntariado traz uma perspectiva diferente quando se pensa em profissionalização, já que o esperado é que esse dado fosse mais baixo. “O funcionário por tempo determinado também foi surpresa. Fala-se tanto desse contrato hoje em dia e da pressão das fontes internacionais nas organizações, e aqui eles representam apenas 4,1%”.

 

Os auxílios ao trabalho também foram apresentados, de acordo com a tabela abaixo:

 

 

Elza lembrou que não se pode trabalhar com a dicotomia profissionalismo e militância, pois eles não são elementos excludentes entre si. Historicamente, os dois conceitos muitas vezes caminharam juntos: “As pessoas tinham perfis profissionais e realizavam tarefas muito profissionalmente. Não é a toa que esses profissionais estão hoje em governos e outras instituições. Elas tinham experiência profissional, não era só militância”. Essa relação foi falada consideravelmente nas entrevistas realizadas. “Acho que ao fazer a dicotomia, cria-se uma oposição negativa para a política e para a militância, como se a militância fosse contrária ao profissionalismo”.

 

Fátima concorda que se as organizações trabalham na transformação social, precisa-se de pessoas comprometidas. E continua explicando que os pesquisadores têm encontrado respostas de profissionais comprometidos nas entrevistas: “A instituição é uma forma dele [o profissional] se relacionar com a causa. Esse compromisso é muito presente nesse universo entrevistado”.

 

Mafra trouxe a importância da formação do profissional, além do militante. “Acho que essa profissionalização é muito bem-vinda e necessária”. Porém, ele alerta para os riscos do tecnicismo, ao pensar que a profissionalização pode resolver todos os problemas, e ressalta a importância da paixão, ao acreditar na capacidade de mudança social.

 

Por fim, para profissionalizar cada vez mais o militante, ele sugere algumas formas, como a insistência no marco regulatório, no acesso a fundos públicos, na diversificação de fontes de financiamento e no fortalecimento de campos políticos, como o da Abong.

 

O debate após as apresentações levantou diversas questões, principalmente ligadas aos termos profissionalismo e militância e como se dava a relação entre os dois conceitos. Os participantes expuseram seus pontos de vista sobre um profissionalismo técnico que cria a burocratização dos processos e despolitiza, mas também sobre a segurança e os benefícios que a formação traz.

 

Para ter acesso a relatoria completa dos painéis, clique aqui.

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