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informes - ABONG

49106/10/2011 a 03/11/2011

Novo desenvolvimento deve ser pautado por outra economia

Os painéis "Rio+20 – que economia queremos?" e "Modelo de desenvolvimento, combate à miséria e superação das desigualdades" reuniram os debates em torno de um novo desenvolvimento, continuando exposição de Michael Löwy, realizada na manhã do dia 20 de setembro.

 

Economia solidária


Débora Rodrigues, da Vida Brasil e do Fórum Baiano de Economia Solidária, trouxe a perspectiva da economia solidária dentro de um novo modelo de desenvolvimento. “Fica claro pra mim que não dá para discutir desenvolvimento sem discutir modelo de desenvolvimento econômico”, afirma. De acordo com Débora, a economia solidária trouxe a experimentação de outro modelo de desenvolvimento, baseado em iniciativas econômicas coletivas, de caráter popular, e que fazem enfrentamento ao processo de exclusão social. Essas práticas econômicas são estratégias de organização comunitária de resistência e conquista de direitos, expressa nas lutas dos movimentos sociais, dos povos e comunidades tradicionais e das organizações sociais por uma sociedade mais justa.

 

O conceito apresenta dois grandes eixos: ação econômica - produção de bens, prestação de serviços, finanças solidárias, comércio justo, trocas, consumo solidário - e ação solidária - clubes de trocas, redes solidárias, cooperativas, empresas autogestoras, associações. Ela apresentou novos paradigmas de desenvolvimento e elementos chaves que podem contribuir nessa estratégia: a sustentabilidade, ou seja, o equilíbrio entre as dimensões ambiental, social, cultural, política e econômica; a solidariedade; e a territorialidade, projeto nacional a partir de estratégias territoriais de desenvolvimento, com soluções partilhadas entre Estado e sociedade.

 

A economia solidária pode contribuir com sistemas produtivos e de consumo sustentáveis e valorização social do trabalho humano. Como desafios, deve-se pensar na sustentabilidade econômica dos empreendimentos solidários, na garantia de políticas públicas para a economia solidária, na visibilidade do conceito e na economia solidária como prática econômica cotidiana das organizações e dos movimentos sociais.

 

Uma nova economia

 

Aron Belinky, coordenador de processos internacionais da Vitae Civilis, também fez parte da mesa e contextualizou que o assunto ganhou visibilidade e tornou-se pauta da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo Aron, o debate sobre economia verde gira em torno do rótulo, dos desafios presentes nas discussões e nos riscos, da caracterização da economia que queremos e em como alcançar esse conceito.

 

Ele alerta para o risco das falsas soluções, da mercantilização da vida e dos bens comuns. O modelo consumista é concentrador e possui uma injusta divisão do trabalho: “Até agora não identificamos um mecanismo de fazer com que a floresta de pé valha mais que a floresta deitada, e o governo não dá conta de proteger”.

 

Já Marcelo Durão, da Via Campesina, apoiou a ruptura completa com o modelo de economia atual, que possui como base a acumulação da riqueza e dos bens naturais. Para ele, essa economia transforma tudo em mercadoria e o debate em torno da economia verde ainda esconde o antigo capitalismo. Dessa forma, é necessário procurar experiências além do capital, baseadas no comércio solidário e justo. Os povos e movimentos sociais não podem ser criminalizados e diversas dicotomias têm que ser extintas, como a separação periferia-centro, moderno-atrasado e campo-cidade. Ele acrescenta: “Temos que medir nosso grau de desenvolvimento com felicidade, com saúde, com educação, e não por índices meramente econômicos, como o PIB”. Para isso, é fundamental repensar o padrão de produção e de consumo, propondo uma lógica popular e coletiva. “O carro chefe é a vida”, afirma.

 

Ivo Lesbaupin, do ISER Assessoria e membro da diretoria executiva da Abong, completou a mesa de debate sobre modelo de desenvolvimento e economia verde. Ele colocou que um novo desenvolvimento não é sinônimo de consumismo, e sim de desdobrar as potencialidades das pessoas e que para isso precisamos de experiências práticas: “Há práticas que são sustentáveis e que permitiriam que as pessoas vivessem melhor”. É necessário pensar em outras estruturas para o funcionamento da indústria – que tipo de material ela deve usar, de que maneira deve fabricar os bens para que eles sejam mais duráveis, como produzir bens de real necessidade. “Neste momento nós temos de provar que o capitalismo está levando a humanidade à destruição. Como disse Michael Löwy, o capitalismo é suicida”.

 

Após as exposições, a discussão em torno do dissenso na conceituação da economia verde aprofundou: se ela está enquadrada dentro ou fora do capitalismo. Outro aspecto levantado foi a questão da desigualdade, que está intimamente ligada a um novo modelo de desenvolvimento e que deve ser pautada. Para pensá-lo, a diversidade é importante. Identificar quais bandeiras podemos compartilhar é fundamental.

 

Leia aqui texto escrito por Lesbaupin, e que fundamentou suas colocações.

Para ter acesso a relatoria completa dos painéis, clique aqui.

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