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49106/10/2011 a 03/11/2011

Michael Löwy debate ecossocialismo e defende mudança radical no padrão de civilização

A conferência de Michael Löwy, intitulada “Uma nova concepção de desenvolvimento - Para superar o modelo produtivista-consumista”, deu início ao segundo dia de atividades do seminário Abong 20 anos. Nela, o pensador brasileiro radicado na França refletiu sobre a relação entre ecologia e socialismo, a partir da concepção gramsciana de que a reflexão e atuação sobre a realidade devem combinar o pessimismo da razão com o otimismo da vontade.

 

O pessimismo da razão, aponta Löwy, nos leva a constatar que o atual modelo de desenvolvimento do capitalismo industrial moderno, em sua variante particular neoliberal, é baseado no binômio produtivismo-consumismo, que “conduz a humanidade a uma catástrofe sem precedentes na nossa história. O sistema atual conduz, inexoravelmente, à degradação do meio ambiente e à destruição da natureza”.

 

Essa tendência é evidenciada pelo desaparecimento progressivo de diferentes espécies de animais e plantas, o envenenamento pela poluição do ar, do solo e da água e a degradação do equilíbrio ecológico. “A mais grave ameaça é a mudança climática decorrente do aquecimento global”. Com o aumento de 6° na média da temperatura da terra, explicou Löwy, haveria desertificação, desaparecimento da água potável, subida no nível do mar e derretimento das geleiras, que está em aceleração. “Um climatólogo dos EUA afirma que o processo está se acelerando e é questão de décadas”.

 

Essas são, para Löwy, questão não apenas científicas, mas políticas, pois têm relação direta com o futuro da humanidade. “O fenômeno é resultado da ação humana. Já está se falando, inclusive, que vivemos uma nova era geológica: Antropoceno, em que tudo depende da ação humana. “A humanidade vive há milhares de anos no planeta e o problema vem da revolução industrial, intensificando-se com a globalização capitalista neoliberal”. Löwy explica que se trata de uma forma específica de desenvolvimento responsável por esta crise ecológica e pela ameaça que pesa sobre a sociedade.

 

O pensador lembra que há pouco investimento em fontes renováveis de energia, por serem menos rentáveis que o petróleo e o carvão. Além disso, afirma ainda que há um documento secreto do Pentágono sobre o aquecimento global que trata sobre quais saídas são possíveis em caso de o problema se tornar irreversível e a vida humana no Planeta não ser mais possível. “Fala-se em enviar um foguete para Marte...”.

 

Apesar da necessidade de mudança em grande escala, “nenhum governo está agindo nesse sentido”, afirma Löwy. Não saíram do papel os acordos de Kyoto relacionados ao controle de emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa, ainda que a meta estabelecida fosse pequena. Na conferência de Copenhagen, o resultado praticamente nulo é ilustrativo do poder da oligarquia fóssil. “É um poder político-econômico que depende da energia fóssil”. Mesmo com a substituição por energias provenientes, por exemplo, de hidroelétricas, acrescenta Löwy, a mudança é meramente técnica, de matriz energética. “Temos que reduzir o consumo de energia, a começar pelos países capitalistas avançados”.

 

No entanto, o mesmo exemplo de Copenhagen aponta para caminhos. O otimismo da vontade nos possibilita uma outra leitura: ainda que não tenha havido nenhuma decisão, houve protesto de mais de 100 mil pessoas nas ruas contra a inércia das potências capitalistas. “O apelo era: mudemos o sistema, não o clima”, conta.

 

Löwy afirma que a esperança está na luta pela transformação sistêmica, por uma alternativa radical ao modelo que está posto. “Se a raiz do problema é o sistema, tempos que atuar na raiz do problema, buscar alternativas”.

 

A proposta de ecossocialismo é, nesse sentido, “uma crítica ao socialismo não ecológico, uma experiência fracassada que não apresentou alternativas. E uma crítica da ecologia não socialista, que entende que é possível encontrar mudanças dentro do capitalismo”. Assim, Löwy trouxe uma crítica à ecologia de mercado e a “certas concepções tradicionais na esquerda sobre o que é a transformação socialista, centrada na mudança das relações de produção que são obstáculo ao livre desenvolvimento das forças produtivas”.

 

É preciso questionar, defende Löwy, o próprio aparelho produtivo, que “é incompatível com a preservação do meio ambiente. É preciso pensar em uma profunda transformação do próprio aparelho produtivo e no padrão de consumo, que deve ser radicalmente diferente”. Um exemplo de mudança necessária está na obsolescência planificada do objeto de consumo, já previamente programado para pouco durar e obrigar a compra indefinida de aparelhos.

 

Löwy defende, portanto, que se deve partir da ideia de que o ecossocialismo começa aqui e agora, por “movimentações, lutas, debates em função da busca por alternativas que se constroem em movimentos e lutas”, tais como a de Chico Mendes, dos povos indígenas na América Latina e manifestações em Copenhagen. “Precisamos de mudanças na forma de propriedade, no padrão de consumo, nas formas de transporte. Tudo isso configura mudança radical no padrão de civilização”.

 

Ouça aqui a gravação em áudio da conferência.

 



 

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