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informes - ABONG

4618/04/2010 a 21/04/2010

Opinião: Juventude e mapa da violência

A recente divulgação dos dados da pesquisa “Mapa da Violência 2010: anatomia de homicídios no Brasil” veio confirmar o que muitas organizações da sociedade civil e movimentos de luta por direitos humanos vêm denunciando: a cada ano, aumenta o número de jovens negros assassinados no país. O trabalho, realizado pelo cientista político Júlio Jacobo Waiselfisz para o Instituto Sangari, abarca um período de dez anos e traz estatísticas alarmantes e inaceitáveis para qualquer nação do mundo, comprovando que ainda estamos longe de qualquer perspectiva de sociedade igualitária.


Segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, edição de 31 de março de 2010, no ano de 2007, 47,7 mil pessoas foram assassinadas em nosso país, uma média de 131 homicídios por dia. Entre elas, o número de vítimas negras é 107% maior, ou seja, “para cada branco assassinado, morrem 2,2 negros no país”, diz o texto. O relatório afirma também que o risco de um jovem negro ser assassinado é 130% maior do que o que corre um jovem branco, o que demonstra a extrema vulnerabilidade desse segmento em especial, já que a mesma pesquisa aponta que a taxa de homicídio de mulheres, apesar de discrepâncias regionais, é bem mais baixa do que a de homens.


Isso se deve, segundo a matéria, a duas razões aparentemente óbvias: a diminuição do número de homicídios entre jovens brancos e o aumento entre jovens negros. E qual a causa dessa diminuição? Especula-se que a população branca tenha sido mais atingida por políticas públicas de segurança do que a negra, principalmente por habitar regiões mais privilegiadas de nossas cidades, onde ações como a intensificação do policiamento se mostraram mais eficazes.

Dados como estes evidenciam a configuração excludente das cidades brasileiras que, para proteger os(as) ricos(as), empurra uma massa empobrecida e sem perspectivas para suas beiradas, criando zonas extremamente vulneráveis. Nessas regiões, o crime organizado e outras modalidades de violência e opressão vicejam no vácuo deixado pela omissão do Estado, pela insuficiência ou total ausência de políticas públicas que garantam condições para que todos(as) tenham uma vida digna. É o que acontece também nos presídios, cuja ampliação é apresentada por políticas conservadoras como solução para o problema da violência, mas que acabam funcionando como verdadeiros quartéis generais de gangues criminosas. 

Pobres, negros(as) e jovens, retratados(as) pela mídia e pelo  senso comum como as  “classes perigosas”, são na verdade muito mais vítimas da violência do que causadores(as). Movimentos negros têm sistematicamente denunciado essa situação, caracterizando-a como um verdadeiro genocídio. Há entretanto, aqueles(as) que ainda defendem propostas como a redução da maioridade penal, e criticam o Estatuto da Criança e do Adolescente, que este ano completa 20 anos, pela suposta impunidade que propicia. Mas o fato é que a população encarcerada é quase em sua totalidade formada por pobres, jovens e negros (mulheres correspondem a 6% da população encarcerada no Brasil), e não é mais possível ficar indiferente ao destino desses milhares de brasileiros, tanto dos que são executados sumariamente quanto dos que se encontram privados de liberdade, em espaços de internação onde os seus direitos são sistematicamente violados.

Numa conjuntura em que a economia brasileira cresce e alguns pretendem que o país se posicione como potencia mundial, não se pode conviver com esse grau de barbárie e desrespeito aos direitos humanos.

 

A ABONG se coloca ao lado de todas as entidades e organizações que lutam cotidianamente para que direitos civis, econômicos, sociais, culturais e ambientais  no Brasil saiam do papel e se tornem realidade para todos e todas. Solidarizamo-nos com as milhares de famílias brasileiras que perdem seus(suas) filhos(as), vítimas da sociedade violenta que aí está, em uma realidade que encontra paralelo somente em países que vivenciam guerras e conflitos armados. É por isso que defendemos a manutenção integral do texto do Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH III), ao lado de outras medidas que contribuam para o fim das desigualdades e das injustiças, que joguem a favor da valorização da vida e da dignidade humana.

 

A pesquisa está disponível no endereço: http://www.institutosangari.org.br/mapadaviolencia/

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