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4618/04/2010 a 21/04/2010

Blog em defesa da reforma agrária é lançado em São Paulo

Na noite de quinta-feira, 11 de março, cerca de cem pessoas se reuniram no auditório Vladimir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, para o lançamento do blog da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária, colocado no ar em 18/3. Iniciativa de um grupo de jornalistas independentes, preocupados(as) com a ofensiva da grande imprensa comercial contra a luta de trabalhadores e trabalhadoras sem terra por reforma agrária, o blog deve se tornar um espaço para a divulgação de artigos e reportagens que façam o contraponto ao conteúdo dos meios comerciais.


A página conta com seis editorias, coordenadas por jornalistas-editores(as): Raio-x do campo e impactos do agronegócio, Reforma agrária e desenvolvimento, Monitor da CPMI e criminalização, Latifúndio no banco dos réus, Eu apoio a reforma agrária e Clipping (compilação de matérias e artigos publicados sobre o tema).


O debate de lançamento contou com a participação do jornalista Paulo Henrique Amorim, do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stedile, e de Verena Glass e Altamiro Borges, integrantes da rede de comunicadores responsável pelo blog. Amorim falou sobre a forma como a grande mídia pauta a questão da terra e os interesses que estão por trás dessas abordagens. Stedile, que frisou que a Rede não é uma iniciativa do MST, analisou a cobertura da imprensa  no recente caso da ocupação de uma área grilada pela empresa Cutrale, no interior de São Paulo. As reportagens simplesmente omitiram o fato de que as terras cultivadas pela maior produtora de suco de laranja do país são públicas e não podem ser exploradas para fins privados. Para ele, a imprensa comercial foi a grande incentivadora da instalação da CPMI da Reforma Agrária, iniciada em 17 de março deste ano.


Além de Verena e Altamiro, são fundadores da Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária: Hamilton Octávio de Souza, José Arbex Júnior, Rodrigo Vianna, Jorge Pereira Filho, Igor Fuser e João Brant. Um dos objetivos da rede é agregar comunicadoras e comunicadores em torno do projeto do blog, para que contribuam com pautas e análises. Atualmente, há um grupo de trabalho formado em Brasília e três em formação no Ceará, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.


Após o lançamento, muitas pessoas já se incorporaram à Rede. No blog, na sessão “faça parte”, é possível preencher um cadastro. Há duas formas de contribuir com a Rede, a adesão simbólica, que referenda o manifesto (leia abaixo), e a disponibilidade para ajudar a manter o blog e participar demais atividades. As formas de colaboração concretas são definidas individualmente, a partir de contato da Rede com cada cadastrado(a) por email. Para mais informações, o endereço eletrônico é redereformaagraria@gmail.com

 

Manifesto de lançamento da Rede de Comunicadores em Defesa da Reforma Agrária

Está em curso uma ofensiva conservadora no Brasil contra a reforma agrária, e contra qualquer movimento que combata a desigualdade e a concentração de terra e renda. E você não precisa concordar com tudo que o MST faz para compreender o que está em jogo.

 

Uma campanha orquestrada foi iniciada por setores da chamada “grande imprensa brasileira” – associados a interesses de latifundiários, grileiros – e parcelas do Poder Judiciário. E chegou rapidamente ao Congresso Nacional, onde uma CPMI foi aberta com o objetivo de constranger aqueles que lutam pela reforma agrária.


A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa ofensiva organizada. Agricultores miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os responsáveis pelo “grave atentado”. A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é “bandido”, é “marginal”. Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.


Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.


Trata-se de grave distorção

Comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.


No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido…


A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.


Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar – nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.


A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.


Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.


Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo.

Venha refletir com a gente:

 

- por que tanto ódio contra quem pede, simplesmente, que a terra seja dividida?

- como reagir a essa campanha infame no Congresso e na mídia?

- como travar a batalha da comunicação, para defender a reforma agrária no Brasil?

 

É o convite que fazemos a você.

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