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informes - ABONG

49502/02/2012 a 01/03/2012

Em atividade da Abong, participantes repudiam termo “economia verde” e propõem a realização de uma campanha mundial pela mudança do sistema econômico vigente

Na manhã desta quarta-feira (25/01), segundo dia de Fórum Social Temático (leia aqui sobre o tema), a Abong, em parceria com a IBON International e a Coalizão Popular pela Soberania Alimentar (Peoples Coalition on Food Sovereignty), realizou a oficina “Direitos para a sustentabilidade: fortalecendo o pilar social do desenvolvimento sustentável”. Nela, militantes de organizações da sociedade civil e de movimentos sociais de diferentes países e áreas temáticas classificaram os debates em torno da “economia verde” como mais uma forma de mercantilização da natureza, considerando urgente a realização de uma campanha mundial por mudanças sistêmicas na economia global.

 

O primeiro painel do dia, intitulado “De Durban ao Rio: críticas ao Capitalismo Verde e à Agenda da Economia Verde”, teve início pela exposição de Pablo Solón Romero, militante de diferentes movimentos sociais bolivianos. Ele ressaltou que “economia verde é algo fictício, absolutamente imaginário, muito especulativo”, valendo-se do exemplo das negociações que envolvem o mercado dos créditos de carbono, ou seja, a comercialização da capacidade de absorção de gás carbônico pelas florestas. “Para existir esse mercado, é preciso estabelecer parâmetros que transformem a floresta em uma commodity. É isso que está em discussão na Rio + 20: uma nova forma de mercantilização da natureza como nunca antes havíamos visto”. O ativista considera que os debates oficiais na conferência promovida pela ONU terão por finalidade definir novos mecanismos de apropriação privada da natureza.

 

Outro exemplo do avanço do capitalismo na temática está expresso na intenção da Organização Mundial do Comércio (OMC) de abrir uma nova rodada de negociação, sobre serviços relacionados ao meio ambiente. Também os relatórios do PNUMA, órgão da ONU relativo a questões ambientais, “deixam bem explícito a concepção de que deve caber à iniciativa privada a gestão dos bens naturais, e para isso tem-se que garantir segurança jurídica. Uma segurança que é medida pelo retorno em lucro à iniciativa privada, obviamente. É disso que se trata”. A questão central no debate em torno da economia verde é, portanto, estabelecer garantias de retorno financeiro ao investimento privado.

 

Em resposta, Solón ressalta que os diferentes povos e movimentos sociais apontam para o oposto, pois devemos “reconhecer que a natureza tem suas próprias leis intrínsecas. Temos que respeitar os direitos da natureza”. Na Cúpula dos Povos, durante a Rio+20, haverá a oportunidade de expressar nossas respostas e reivindicá-las como caminho a ser seguido pelas nações. E para isso, “devemos atuar como fizemos contra a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), com uma grande campanha global contra a economia verde, construída pelas nossas articulações”.

 

Tanto a avaliação dos conceitos relacionados à economia verde quanto a proposta de ação foram compartilhadas por Tony Clarke, do Polaris Institute, do Canadá. Em sua explanação, Clarke ressaltou que o problema central a ser enfrentado é como a economia se organiza como um todo, criando problemas ambientais. “Nosso foco na campanha deve ser pela mudança sistêmica”, destacou, colocando como fundamental apontar para alternativas, correlacionando os direitos humanos com os da natureza. “Devemos lutar contra a transformação de recursos naturais em commodity. Temos agora um período em que todos devem pensar no que o capitalismo está fazendo, repensar nos modos de produção e consumo, para construir uma economia sustentável”.

 

Também Isaac Rojas, da organização Amigos de La Tierra, considera a economia verde uma pintura de algo que já existe e é ruim, ou seja, “é um aprofundamento do capitalismo. Temos que denunciar este conceito, por meio de uma campanha”. Para ele, um dos aprendizados na Campanha contra a ALCA é a necessidade de se construir ações globais, “em uma linguagem em que todas as pessoas possam entender”. E para isso, é preciso exemplificar com os atuais processos vividos de privatização da natureza e seus decorrentes impactos sociais, e também com as diferentes formas de resistência existentes.

 

Estas foram justamente as temáticas debatidas nos demais painéis da atividade, que trataram de desenvolvimento e mudança sistêmica; campanhas locais e experiências setoriais. Michel Lambert, da organização Alternatives, do Canadá, exemplificou o avanço do capitalismo pelas políticas econômicas adotadas pelo governo de seu País, que aprofundam o modelo dominante de desenvolvimento. “Lá só se fala em petróleo e mineração. E está crescendo a produção de barris, ainda que tentemos resistir”.

 

Para Ivo Lesbaupin, integrante da diretoria executiva da Abong, a humanidade caminha na direção de sua própria destruição. Além do desmatamento que persiste, as fontes de energia utilizadas são as que produzem aquecimento global. “O que está sendo produzido em termos de destruição ambiental é gerado pelo modelo de desenvolvimento dominante, que se baseia na geração de lucro através do aumento da produção”.

 

Desenvolvimento, no entanto, não é sinônimo de crescimento econômico, de produtivismo, mas “significa desdobrar potencialidades existentes em cada pessoa, em nós, para que possamos bem viver”, explica Lesbaupin. “Precisamos produzir bens para atender necessidades humanas. Não basta coleta seletiva de lixo, é preciso interromper a civilização centrada no automóvel”. Ele exemplifica as possibilidades de mudança do modelo econômico pelas experiências de transformação na agricultura, nas práticas de agroecologia. “Há também as práticas de economia solidária, que fornecem base para outra concepção de desenvolvimento. Precisamos mudar a matriz energética para uso de fontes renováveis. Temos de mudar as formas de produção, valendo-se somente de reciclagem, sem extrair mais bens da natureza”, exemplifica, elencando ainda a necessidade de investir em transporte coletivo e combater as propagandas que nos tornam consumidores de produtos que não são necessários.

 

Por fim, Iara Pietricovsky, do INESC, destacou que é fundamental construir agendas coletivas. “Fizemos isso na redemocratização, mas vivemos agora outro momento, de fragmentação”. E para reverter os processos de fortalecimento do atual modo de produção é necessário reconstruir o campo de ação comum, recompondo a agenda e criando consensos. Nesse sentido, Damien Hazard, da Vida Brasil e integrante da diretoria executiva da Abong, elencou experiências históricas da sociedade civil brasileira de resistência política, econômica e social, tais como as práticas de educação popular, o teatro do oprimido, o Banco Palmas e as experiências de participação.São tais mobilizações e ações articuladas, os espaços e processos coletivos de transformação da realidade, que permitirão à sociedade civil organizada enfrentar a hegemonia do atual modelo de desenvolvimento econômico.

 

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