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informes - ABONG

4574/02/2010 a 17/02/2010

OPINIÃO: O que esperar do FSM

Após uma década de ação mobilizatória, percebe-se cada vez mais a tentativa dos partidos políticos e de algumas organizações/movimentos de intervirem no Fórum Social Mundial, para que o mesmo se direcione pela construção de uma plataforma de luta e de temas nos moldes da esquerda tradicional.

 

Ora, se observarmos as experiências organizativas que resultaram na realização do Fórum Social Mundial, perceberemos que a articulação da sociedade civil difere daquela dos partidos políticos e dos governos, pois vem se construindo em redes não hierarquizadas, sem líderes nem pirâmides (embora ainda haja experiências e tentativas nesse sentido), de distribuição de responsabilidades – ultrapassando, pois, os limites da democracia representativa e suas “delegações” de poder, bem como suas lutas internas. É por isso que na sua Carta de Princípios está inserido que o FSM “não se constitui numa instância de poder que pode ser disputada por aqueles que participam dos seus encontros”.


O processo FSM se constitui, de fato, em uma ação política que se desdobra, como nas redes, em uma grande variedade de tipos, de ritmos, de temas, culturas, formatos organizativos e níveis de ação, realizados de modo autônomo por uma grande variedade de organizações, como uma tecedura horizontal de espaços em níveis internacional, regional, nacional e local. É dessa forma que poderemos construir um movimento anticapitalista, anti-imperialista, antissexista, antirracista e anti-homofóbico, para enfrentar um sistema capitalista extremamente injusto e produtor das desigualdades, que leva o planeta ao limite da insustentabilidade.

 

Nesse sentido, a decisão da ABONG de continuar investindo nesse processo é no sentido de que o FSM possa ser um tipo de fermento que quebre a rigidez da estrutura partidária, para a criticidade e dinamização de análises que busquem a intensificação do controle social sobre o poder estabelecido, fortalecendo a democracia direta, possibilitando a emergência de novos sujeitos e de novos caminhos que orientem para um novo modelo de sociedade.

 

Na atual conjuntura, há possibilidades de uma revitalização do processo FSM pelos sinais aparentes (porque ele sempre encontra formas de retroalimentação) de esgotamento do sistema capitalista, consequência da crise econômica internacional e pelo esgotamento dos recursos naturais, sinalizado pelas mudanças climáticas. Isto é constatado pela força do movimento da sociedade civil em Copenhagen e a convocação de uma Conferência mundial em Cochabamba, de 29 a 31 de outubro de 2010, onde se pretende aprofundar as discussões sobre a Crise Civilizatória e a construção de paradigmas que fortaleçam o Bem Viver, o que exige um novo modo de produzir e consumir, a partir das teses indígenas andinas e latino-americanas, focadas na defesa da Mãe Terra.

 

Em 10 anos de articulações que se ampliaram em diferentes partes do mundo e mobilizaram diferentes sujeitos políticos das sociedades civis, o FSM com a riqueza de sua diversidade, do diálogo inter-geracional, inter-racial, inter-religioso, inter-movimentos e organizações, construiu avanços em termos de convergência de pensamentos, análises e lutas como na Pan Amazônia e no Fórum Social Américas. O FSM também possibilitou debates sobre multiculturalismo e estimulou iniciativas que já envolvem o Iraque, a Palestina, os movimentos sociais nos EUA, México, a Catalunha, com a luta dos Povos sem Estado, dos Estados Plurinacionais, dentre outros. Isso pode significar um passo para a radicalização da democracia, da descolonização, da superação de preconceitos raciais, religiosos e sexistas além da nossa cultura política centralizadora e autoritária.

 

Fortalecer esse processo é possibilitar a criação de condições para fazer/viver a experiência de novos valores totalmente contrários àqueles que motivam a ação no capitalismo e que, justamente, devemos abandonar para ultrapassar esse sistema: cooperação ao invés de competição, prioridade às necessidades humanas e não ao lucro, respeito à natureza e não sua superexploração, perspectivas a longo prazo ao invés de interesses a curto prazo, aceitação das diferenças ao invés de homogeneização, liberdade com responsabilidade partilhada ao invés de individualismo, “ser” ao invés de “ter”, no sentido de um aprendizado político de solidariedade, de relação dialógica de troca de saberes, criação de oportunidades para o reconhecimento mútuo uns dos outros, para a superação de preconceitos das organizações umas em relação às outras e para a identificação de convergências em níveis mais amplos.

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