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informes - ABONG

4553/12/2009 a 16/12/2009

OPINIÃO – Discriminação Racial no Brasil

Para a edição n. 455 do Informes ABONG, fizemos uma entrevista com Cida Bento, Doutora em Psicologia Social e Coordenadora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert), sobre discriminação racial no Brasil.

 

Optamos por fazer da entrevista o editorial da edição 455, mudando um pouco o formato tradicional, que traz um posicionamento da ABONG sobre determinado assunto. Além de abrir espaço para que uma associada da ABONG discorra sobre sua área de atuação, acreditamos que o tema da discriminação racial demanda a manifestação de sujeitos sociais que lutam contra sua existência e o estudam em profundidade, caso de Cida Bento.

 

1. De que formas o racismo se manifesta na sociedade brasileira atualmente?


Algumas ações impulsionadas pelo movimento negro nas áreas de saúde, educação, trabalho, provocaram respostas de setores racistas que sempre estiveram nos bastidores e agora começam a se manifestar diante das ações afirmativas. Alguns intelectuais que escreviam sobre o tema começaram a se manifestar, principalmente alguns ligados à USP, que são contra as cotas para negros nas universidades públicas. Diante disso, acredito que o racismo tem ganhado espaço por conta das manifestações sociais a favor das cotas.

 

A USP é um exemplo. Lógico que a Universidade de São Paulo não é uma massa homogênea, mas lá não há discussão sobre a possibilidade da adoção das cotas, somente vozes contrárias às ações afirmativas, apesar de muitas universidades federais adotarem o sistema. O Ceert fez uma pesquisa, a ser lançada em breve, que acompanhou por oito anos a cobertura dos jornais Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e O Globo sobre as cotas, dando ênfase aos espaços institucionais dos jornais, aos editoriais. Não há debate, apenas manifestações contrárias às ações afirmativas. Mesmo assim, a maioria da população ainda é a favor. Ou seja, toda essa militância dos jornais não foi suficiente, pois está setorizada na elite.

 

2. Em quais aspectos a discriminação racial no Brasil é mais perversa?

 

A questão mais assustadora está relacionada aos jovens. Acredito que quando um segmento social que expropria não elimina o segmento expropriado, fica o temor. Para mim, o assassinato em massa de jovens negros está nessa seara. Em alguns lugares do país há o ingrediente de se saber expropriador e de se saber expropriado. É uma informação compartilhada que gera medo por parte de quem se sabe expropriador. De forma geral, acredito que o imaginário das pessoas deva ser trabalhado, pois o jovem negro é sempre o suspeito em potencial. Também penso que programas de segurança pública, como o Pronasci, devem ter iniciativas voltadas não somente aos soldados, mas às direções das polícias.

 

3. E em quais aspectos podemos dizer que houve avanços para os(as) negros(as) brasileiros?


Recentemente, uma pesquisa feita pela Febraban reconheceu que as mulheres negras são o segmento mais excluído da população, o que provocou um movimento de contratação de mulheres negras por bancos. O Ministério Público também tem assumido seu papel e encarado as desigualdades como questões que lhe dizem respeito. O MP tem inclusive provocado os comerciários no sentido de questionar a exclusão dos(as) negros(as) do trabalho no comércio. Tive acesso à uma pesquisa que acompanhou dez anos de jurisprudências sobre a questão racial no mundo do trabalho e há muita provocação de trabalhadores e respostas positivas por parte do judiciário. Os trabalhadores pautam e o judiciário responde. O número de universidades que adotam o sistema de cotas também cresceu. O setor de saúde ainda precisa avançar muito, mas hoje já existe o reconhecimento das necessidades em relação à saúde da população negra.

 

4. Em relação aos meios de comunicação, o que deve ser feito para colocar a questão racial na pauta?


A mídia é o pior. Não ajuda no debate, não dá visibilidade à questão. Temos algumas políticas voltadas para a população negra, mas elas nunca são notícia. Neste sentido, a realização da I Conferência Nacional de Comunicação é fundamental. Não é questão de não dar voz a quem é contra as cotas, mas dar voz a todos os setores. A discussão deve acontecer. O problema da violência contra jovens negros, por exemplo, poderia ser trabalhado na mídia, por meio da educação. Precisamos de outra mídia, pois a que está aí não serve.

 

5. Qual é a importância do dia 20 de novembro para a luta contra a discriminação racial?


A data ajuda as pessoas a debater o tema, é quando a mídia dá um mínimo de atenção à questão racial. É fundamental. Sou a favor de que 20 de novembro seja decretado feriado em todo o país.

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