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informes - ABONG

49906/06/2012 a 05/07/2012

Rumo à Cúpula dos Povos, seminário internacional da Abong expõe o que está em jogo na Rio+20 e os desafios para organizações da sociedade civil

A Abong realizou nos dias 9 e 10 de maio, no Rio de Janeiro, o Seminário Internacional “Outra economia, outro desenvolvimento, outra cooperação: a sociedade civil rumo à Rio + 20/Cúpula dos Povos”, que teve por objetivo ampliar o diálogo com a sociedade sobre as propostas das organizações para esses dois eventos que acontecerão em junho no Rio de Janeiro, além de estimular a mobilização das sociedades brasileira e internacional em torno dos temas abordados.

 

O Seminário foi mais um momento para organizações da sociedade civil e movimentos sociais debaterem justiça ambiental, social e cooperação internacional, para fortalecer suas ações em resistência ao modelo atual de desenvolvimento, reforçando a luta contra o capitalismo e a mercantilização da vida. O evento trouxe também o debate sobre a “economia verde” e que economia queremos, com a perspectiva de criar consensos e fortalecer nossos processos de organização e atuação em torno de novas concepções de desenvolvimento.

 

A mesa de abertura contou com a presença de Iara Pietricovsky, do Comitê Facilitador da Sociedade Civil Brasileira para a Rio + 20, que dividiu sua explanação em duas partes: debate sobre o território da Cúpula dos Povos; e questões próprias do território oficial, das Nações Unidas e do governo brasileiro via Comissão Nacional para a Rio + 20.

 

Cúpula Dos Povos

 

Iara explicou que há cerca de dois anos iniciou o processo de construção da Cúpula dos Povos. Com a aproximação da Rio+20, algumas organizações começaram a pensar em “como vamos agir”, e na necessidade de “nos reunificar e construir uma agenda política para atuar”. Desta reflexão se consolidou a proposta da Cúpula dos Povos, assim como da necessidade de sair “dos nossos territórios”.

 

Segundo Iara, a partir do Fórum Social Mundial, os movimentos sociais perceberam que, ao dialogarem apenas entre si, e não com o restante da sociedade, enfrentam dificuldades para avançar no diálogo “com o mundo que está aí fora produzindo rapidamente alternativas e processos”. Assim, o grande desafio que surgiu com a Cúpula foi o de como construir uma agenda de consenso entre os movimentos, a partir de elementos que os unificam, como o combate à mercantilização da vida e a luta pelos bens comuns.

 

Por outro lado, as diferenças postas, além de gerarem debates, colocam a necessidade de reunificação e construção de uma agenda comum. “Tínhamos também a consciência de que construir uma ação visando um contraponto ao processo oficial da Rio + 20 não era se contrapor simplesmente a um evento que vai acontecer, mas construir uma agenda política de um movimento global, que é o grande desafio da Cúpula. Ela não é simplesmente a nossa volta ao passado por causa da Rio92, que foi num contexto de expansão neoliberal, em que contraditoriamente se expandia também todo um campo de direitos.”

 

Iara ressaltou a importância de se manter a memória do que foi a Rio92, e lembrou ainda que enfrentamos o risco de um retrocesso imenso de tudo que foi construído desde então. “A Cúpula dos Povos não pretende ser uma Rio92, e sim a reunificação do movimento global para construções de alternativas e contraponto ao modelo vigente. Ou seja, não é pouca coisa que a gente pretende, é muita coisa. É algo que nos unifica na nossa diversidade. Ou seja, nós reconhecemos que existem formas alternativas, que existem já evidências no campo científico, no campo da prática, da práxis, de alternativas ao modelo”.

 

Rio + 20

 

Para tratar do território oficial, da Rio + 20, Iara partiu do Rascunho Zero, que foi lançado em dezembro do ano passado e, segundo ela, se baseia em três aspectos importantes: o capítulo sobre a economia verde, o da governança global e um terceiro, tão ou mais importante que os dois primeiros, que pretende constituir as medidas para um desenvolvimento sustentável a serem assumidas pelos países após 2015, através das chamadas metas de desenvolvimento sustentável.

 

Iara chamou a atenção para a importância de entender o que de fato pretende a proposta para a economia verde e que para isso é necessário fazer uma articulação com as metas de desenvolvimento sustentável. Como exemplo, ela apontou a proposta de meta de “dobrar até 2030 a energia limpa”, que soa como algo grandioso, porém ”a energia limpa hoje não chega a 4%, ou seja, dobrar significa chegar a 8% de uso de energia alternativa no mundo”.

 

Sobre a governança global, apesar de haver uma disputa entre os Estados em torno de concepções distintas, Iara acredita que a proposta de reforçar o PNUMA deve ganhar espaço. Isto significa “injetar mais dinheiro, o que não altera em hipótese alguma o sistema de governança, quer dizer, não dá a devida importância a esse repensar de um modelo de governança global para enfrentar os temas e as questões que envolvem a questão social, a questão ambiental e a questão econômica”.

 

Iara afirmou ainda que, em contexto de crise financeira da ONU, há fortes suspeitas de privatização da organização e dos mecanismos de governança, o que se expressa por um redesenho da cultura interna das Nações Unidas, em que interesses privados, por fundações empresariais e ligadas a grandes corporações, infiltram-se diretamente na maneira de agir, atuar e pensar a governança global. “O que acontece agora é uma mudança de cultura interna na burocracia das Nações Unidas, uma mudança na cultura e na visão política dessa instituição global, então o buraco é muito mais embaixo e perigoso do ponto de vista do que defendemos e estávamos imaginando”, finaliza.

 

No decorrer da próxima semana, a Abong disponibilizará em sua página o conteúdo das demais mesas em texto e áudio.

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