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informes - ABONG

49906/06/2012 a 05/07/2012

Participantes do Seminário Internacional da Abong trazem as contradições do termo e das políticas que a “economia verde” abrange

O segundo dia do Seminário Internacional realizado pela Abong teve início com a mesa “O que é a economia verde? Críticas e propostas”, composta por Camila Moreno, da Fundação Heinrich Böll, Ladilsau Dowbor, economista e Professor da PUC-SP, e Juta Kill, do Grupo de Durban pela Justiça Climática.

 

Camila Moreno iniciou o debate contextualizando a proposta de economia verde nas atuais discussões sobre clima e energia, ressaltando as questões que envolvem o petróleo e o custo de sua extração. “A economia verde é intrinsecamente dependente da economia marrom, a economia petroleira. O que está em jogo no horizonte é como o capitalismo vai viver para além dos combustíveis fósseis”. Ela explica, a partir do plano de desenvolvimento de baixo carbono, que “é através da política nacional de clima dos países e seus planos de ação que vão se introduzir a ideia de criar o mercado de artigos ambientais que começa com carbono. O carbono é a métrica fundamental da economia verde”.

 

Camila lembrou ainda que, apesar de os defensores da proposta de economia verde insistirem no mantra de diminuição da pobreza, a própria definição de pobreza que está sendo aplicada é a do Banco Mundial, que inclui quem gasta entre 1 e 2 dólares por dia em alimentação. Ou seja, quem é camponês e vive de subsistência, por definição do Banco Mundial, é pobre. Para ela, a solução das questões sociais e ambientais passa pela redistribuição radical da riqueza e a diminuição da jornada de trabalho, por exemplo. Do contrário, a economia verde tem por objetivo esvaziar os territórios e implantar no campo a economia de biomassa.

 

Já Ladislau Dowbor, ao ressaltar a necessidade de transformação do atual modelo de desenvolvimento, enfatizou a necessidade de se caminhar em direção a uma “democracia econômica”, em que a transformação advém da mudança nos aspectos políticos, socais, da cultura de matriz energética e da cultura de consumo que hoje existem, e com a implementação de sistemas mais participativos e transparentes.

 

Dowbor aponta que hoje é muito fácil liquidar uma cobertura florestal, pelo avanço tecnológico que já temos e pelos baixos preços deste tipo de atividade. Além disso, com a diminuição da oferta, a natureza passa a valer mais em termos financeiros. Por isso, o professor defendeu a denúncia da apropriação do termo economia verde por um modelo que mantém o que já era feito, de maneira inclusive mais destrutiva, dando destaque a algum aspecto “verdejante” dessas atividades. Dowbor ressalta ainda a existência de inúmeros exemplos de falso verde, como na Europa, que “está esverdeando sua matriz energética porque financia a derrubada de florestas na Indonésia para plantar palmas, introduzir azeite de dendê, biocombustível e assim ela (Europa) fica mais limpa”.

 

Assim como Camila Moreno, Juta Kill apontou a relação entre o mercado de carbono e a economia verde, caracterizando o primeiro como vertente inicial para a mercantilização de novas partes da natureza, que é a proposta deste tipo de economia. Ela disse ainda que o conceito de economia verde é aberto para interpretações diferentes. “Eu na verdade não sei o que é a economia verde, e o que sei claramente é que é uma coisa muito diferente para mim do que é para as empresas transnacionais”.

 

Juta ainda caracterizou a economia verde como uma resposta do capital à crise da acumulação, que gera a necessidade de criação de novas commodities, novos elementos para o mercado, logo, uma mercantilizarão de novos elementos da natureza.  Disse também que a economia verde é uma iniciativa para transformar a obrigação de cumprir com a legislação ambiental, de forma que hoje há a possibilidade de redimir-se pelo descumprimento da lei através do pagamento de compensação.

 

No decorrer da próxima semana, a Abong disponibilizará em sua página o conteúdo das demais mesas em texto e áudio.

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