ABONG -  - Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais

associe-se

conheça nossas associadas

Procure pelo nome em um dos campos abaixo:

selecione
selecione

Ou faça aqui uma busca detalhada:

selecione
selecione
selecione
selecione
  • APOIO

    • Misereor
  • REDES

    • MCCE
informes - ABONG

5077/2/2013 a 7/3/2013

Outro olhar sobre Primavera Árabe

Iniciada com as greves gerais na região mineira da Tunísia (Tunisiana) em 2008, a Revolução conhecida como Primavera Árabe se espalhou do Norte da África ao Oriente Médio, mas só veio a ganhar visibilidade internacional no final de 2010. Com a queda de diversos ditadores, como o egípcio Hosni Mubarak e o tunisiano Ben Ali, e reformas políticas que tomaram forma entre 2011 e 2012, os protestos que continuaram por toda a região perderam espaço na mídia brasileira. Vale resaltar que, ao contrário da dicotomia mostrada, o movimento não se baseou em um conflito entre as guerrilhas armadas e os exércitos nacionais, mas em um ambiente de demandas e necessidades da sociedade civil que, de forma organizada, e em parte auxiliada pelos novos meios de comunicação como redes sociais e blogs, exige até hoje liberdade, igualdade social e melhores condições de vida. 

Organizado pelo Grupo de Apoio e Reflexão ao Processo do Fórum Social Mundial (GRAP), o seminário realizado terça-feira (29/02) contou com a presença de ativistas que, junto com a sociedade civil, construíram a Primavera Árabe. Entre os seis integrantes da mesa, foi consenso a importância do Fórum Social Mundial ser realizado na região que ainda passa por um processo revolucionário. Já os temas relacionados aos Direitos Humanos foram debatidos tanto no contexto da Primavera como em casos regionais.

Redes Sociais

Os novos meios de comunicação, como a internet e redes sociais, não foram os principais responsáveis pela revolução, mesmo que tenham tido importante papel ao dar visibilidade internacional a partir de um ponto de vista alternativo aos grandes meios. Na Tunísia, por exemplo, a população com acesso a internet passou a acompanhar os movimentos sociais, e junto com eles passaram a ser perseguidos pelo governo. Para o ativista tunisiano Ben Amor Romdhane, “houve um movimento de quebra da censura pelos jovens, que passaram a permear os outros movimentos”.

 

Mesmo tendo influencia local, a internet ganhou maior importância no diálogo internacional. Se nos anos anteriores a 2000 só tínhamos como fonte de informação as grandes mídias ou agencias de noticias, muitas vezes subordinadas a pessoas com interesses individuais, as redes sócias trouxeram uma visão interna sobre o que estava acontecendo, sem a necessidade de “intermediação”.

 

Mulheres na Revolução

 

Alavancado principalmente por extremistas religiosos, o preconceito de gênero é algo comum nos países que vivenciaram a Primavera Árabe. A tunisiana Halima Juini  contou sobre sua experiência como ativista  da Association Tunisienne des Femmes Démocrates (ATFD), entidade de defesa dos direitos das mulheres: “Vivemos em um país que não respeita as mulheres, no qual mulheres perseguem mulheres. Repensar a democracia é também sua liberdade”.

 

Para Halima Juini, os problemas não são restritos ao governo ou política interna, mas estão atrelados a outros interesses: “Apesar dos direitos e da nossa participação na revolução, a situação com o atual governo é complicada. A força do dinheiro e as forças que ajudaram as forças reacionárias foram uma grande decepção”. A revolução trouxe novas perspectivas de mudança, com a construção de uma política que, mesmo que de forma gradual, represente a ampliação dos direitos das mulheres.

 

A Primavera continua

“Os Palestinos moravam lá. Muitos refugiados guardam até hoje as chaves de suas casas, com a esperança de um dia voltar e abrirem seus lares. Tomaram toda a terra arável e não vão parar.” Yousef K. Y. Habache é ativista, e por sua posição e ações políticas está exilado há cinco meses. A criação do Estado Israelense, em maio de 1948, oficializou também o inicio do conflito Israel-Palestina, que perdura até hoje. Entretanto, a disputa de forças é desigual sendo a grande maioria de exilados/as, assim como pessoas mortas e presas palestinos/as.

As aspirações populares por mudanças na relação entre o governo israelense e o povo palestino variam desde direitos humanos como a liberdade de expressão e mobilização, aos direitos pelo acesso a água, alimento, remédios e outros bens necessários para uma vida digna. Para  Yousef K. Y. Habache, a situação na Faixa de Gaza é ainda mais absurda: “estão atacando tudo, casas, escolas e hospitais. Estão controlando tudo que entra e sai da região”.

A Primavera Árabe não foi somente uma revolução contra as ditaduras que se perpetuavam no poder, mas contra o sistema de opressão que sustentava esse regime, e ainda hoje colocam em risco as iniciativas da sociedade civil. Para o ativista tunisiano Ben Amor Romdhane, “os movimentos nunca pararam na Tunísia e a revolução não vai acabar até que acabe esse sistema de desigualdade”.

Mesmo se estendendo do oeste africano à península arábica, os movimentos possuem o fio condutor comum da defesa dos direitos humanos e liberdade para a população. Para Sara Ajkyakin, ativista Síria, “é uma revolução de união, que veio de baixo. Começamos a nossa revolução com crianças, pais e professores.” Local de violentos conflitos entre governo, insurgentes armados e população civil, segundo Sara, a Síria ainda mantém o mesmo sistema ditatorial sob o comando de Bashar al-Assad. Manifestações ainda acontecem em todo o país, visando “derrubar o governo e todo seu aparato de inteligência”.

 

lerler
  • PROJETOS

    • Compartilhar Conhecimento: uma estratégia de fortalecimento das OSCs e de suas causas

Rua General Jardim, 660 - Cj. 71 - São Paulo - SP - CEP: 01223-010 - Tel.: 11 3237-2122

Horário de funcionamento do escritório: segunda-feira à sexta-feira, das 9h às 19h

design amatraca