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informes - ABONG

50908/04/2013 a 02/05/2013

Um outro FSM já começou?

Não são poucas as pessoas que questionavam a necessidade de continuidade do Fórum Social Mundial, e denunciavam seu esgotamento, doze anos após a sua primeira edição, ocorrida em Porto Alegre. Problemas de isolamento, de governança interna, dificuldade de renovação política, afastamento das lutas atuais pelo mundo... Não são poucas as críticas, muitas vezes fundamentadas em questionamentos pertinentes e necessários. Mesmo assim, sem ter respondido a todas essas questões, a edição tunisiana encerrada no último dia 30 de março deu novos elementos para análise e mudou a opinião de muita gente. As vozes da população tunisiana, as vozes ouvidas na reunião do Conselho Internacional, ocorrida logo depois do evento, ou ainda as vozes da maior parte das pessoas presentes em Túnis, fizeram um balanço muito positivo deste Fórum. E hoje apontam para importância da continuidade desta articulação, que simboliza o maior e provavelmente o mais necessário encontro da sociedade civil planetária.

 

O evento se desenrolou num clima de comemoração da revolução tunisiana, a “revolução da dignidade”, do desejo de democracia. Foi o primeiro Fórum realizado nesta região do mundo, local escolhido pelo que representava em termos de lutas sociais, por ter sido o lugar em que o povo deu início à “Primavera Árabe”. A impressão que pudemos colher é que as/os militantes tunisianos/as, jovens, as/os estudantes, sentiam-se gratificadas/os pela vinda de tantas/os militantes de outros países, por ter havido tanto interesse pelo seu país e por sua experiência. De fato, foram cerca de 60.000 pessoas presentes e atuantes, oriundas de 4.500 organizações e movimentos vindos de todos os continentes, que realizaram mais de 1.000 atividades autogestionadas e 31 assembleias de convergência.

 

Tanto as pessoas que vinham pela primeira vez como veteranos/as de vários fóruns mundiais, estavam satisfeitos com o Fórum, com sua organização, com as discussões, os resultados. Certamente, como todo FSM, houve várias falhas, comuns aos demais, como a dificuldade de encontrar o local dos debates. Também houve atritos, a exemplo de participantes que tentaram impedir o povo sarhaoui de se expressar. Mas todas essas falhas foram insuficientes para tirar a impressão fundamentalmente positiva do Fórum, com sua energia renovada e com a presença e expressão de múltiplos novos atores lutando pelo mundo contra as políticas excludentes e contra os regimes impostos pela ordem da globalização capitalista. Por isso, devemos em primeiro lugar agradecer às tunisianas e aos tunisianos, e aos movimentos sociais da região que viabilizaram esse momento grandioso.

 

A edição norte-africana provou que o FSM é uma riqueza, na medida em que permite trocas de experiências entre pessoas, entre militantes de inúmeros e diversificados movimentos de variadas regiões do mundo, na medida em que permite trocas de ideias sobre os projetos de transformação social, sobre os diferentes temas considerados prioritários por cada grupo. O FSM coloca em contato gente, movimentos e lutas que antes não se conheciam e podem se interconectar, e mesmo se articular. É um exercício de respeito à diferença e de tolerância para com aqueles/aquelas que não pensam como nós. Busca eliminar as discriminações de raça, de crença, de religião, de gênero. Sendo assim, é muito importante que o FSM continue a se realizar. Certamente, não é uma organização de luta, no sentido de que estabelece objetivos e decide ações para atingi-los: enquanto um espaço aberto, não deve haver hierarquia de direção e as relações devem ser marcadas pela horizontalidade. A sua riqueza é justamente esta, de poder interrelacionar pessoas, lutas e movimentos que têm em comum o enfrentamento ao neoliberalismo. As lutas são feitas pelos movimentos, grupos e conjuntos de pessoas, em suas localidades, suas regiões, seus países, em cada continente e, finalmente, no mundo. O FSM permite que diferentes lutas se articulem e mesmo combinem ações comuns no plano regional e/ou internacional.

 

A Abong esteve envolvida em todo processo de construção desta edição mundial do FSM e também estimulou o intercâmbio da sociedade civil brasileira com movimentos e organizações da Tunísia e do mundo. Esse intercâmbio começou já no ano passado, e fortaleceu-se durante o evento, em problemáticas ligadas, entre outras, à luta contra o racismo, à promoção da acessibilidade, aos direitos das mulheres, à defesa dos bens comuns ou ainda à busca de políticas participativas e democráticas.

 

Qual será o impacto do FSM na situação política da Tunísia e da região?” questionou um jovem tunisiano durante a reunião do Conselho Internacional. A título de resposta, ainda prematura, talvez seja útil lembrar o ilustre pensador brasileiro Milton Santos: “A gestação do novo na história dá-se, freqüentemente, de modo quase imperceptível para os contemporâneos, já que suas sementes começam a se impor ainda quando o velho é quantitativamente dominante. É exatamente por isso que a qualidade do novo pode passar despercebida. Mas, a história se caracteriza por uma sucessão ininterrupta de épocas. Essa idéia de movimento e mudança é inerente à evolução da humanidade.”

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