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50908/04/2013 a 02/05/2013

Empresas brasileiras exploram recursos de países africanos e são questionadas pelas sociedades civis locais

Angola e Moçambique têm muito em comum. De colonização portuguesa, ambos os países conquistaram sua independência em 1975 e atravessaram longos períodos de guerra civil, resultando, além de incalculáveis mortes, uma destruição da já precária infraestrutura e êxodo rural. Após respectivos acordos de paz, houve um alinhamento com outros países socialistas, como China e Cuba. Entretanto, os governos não conseguiram realizar as reformas necessárias para uma menor desigualdade social, tendo uma posterior abertura econômica para o mercado internacional.

 

Realizado pelo Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul (PACS), o estudo “A história contada pela caça ou pelo caçador? Perspectivas sobre o Brasil em Angola e Moçambique” aborda como são feitas e as consequências da influência brasileira nesses países. Sobre o discurso de ajudar a reerguer as estruturas abaladas pelas guerras civis, empresas exportam não apenas produtos e ou matérias primas, mas uma política econômica neoliberal, visando principalmente o lucro sem fronteiras. O estudo foi, inicialmente, direcionado aos investimentos do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES), mas no decorrer das pesquisas, optou-se pela ampliação da temática, explorando outros agentes que interferem na economia desses países.

 

As empresas de maior incidência são a Vale S.A., em Moçambique, e a Odebrecht, em Angola, contando com grande apoio dos governos locais. “A cooperação do Brasil com esses países é realizado principalmente na área da saúde e agronomia. Encontramos políticas importantes, que são vistas como benéficas na saúde. Já a área agrícola está sendo espelhada na Embrapa. Por isso, pesquisas feitas por profissionais de lá estão sendo completamente descartadas”. Para Karina Kato, economista, assessora técnica e pesquisadora do PACS, “o Brasil vem se fortalecendo como exportador de políticas, entretanto, sem uma adaptação com os agentes locais”.

 

Em Moçambique, o projeto Pró-Savana¹ visa à criação de um corredor agrícola para a plantação extensiva; uma política semelhante à implementada no cerrado brasileiro (que apresenta características institucionais e geográficas semelhante) com a soja durante os anos 80. Em documento escrito pela União Nacional de Camponeses de Moçambique, duras críticas são dirigidas ao programa, entre elas “a vinda em massa de fazendeiros do agronegócio brasileiro, transformando camponesas e camponeses moçambicanos em seus empregados e em trabalhadores rurais”, e a “poluição dos recursos hídricos como resultado do uso excessivo de pesticidas e fertilizantes químicos, bem como o empobrecimento dos solos”.

 

A tendência a médio e longo prazos é de conflitos por terras, mesmo com o sistema de propriedade vigente em Moçambique, onde o governo é o proprietário e promove concessões para utilização. Os interesses em entrar no mercado desses países também se estendem na percepção dos empresários brasileiros da África como uma ponte para investir na Ásia futuramente.

 

Já a Odebrecht começou a trabalhar durante a década de 80 em Angola, com a construção de uma hidrelétrica. Através de projetos na construção civil, redes de supermercados, agroindústria e recursos minerais, a empresa vem expandindo sua influencia na economia e política do país. Karina afirma que “durante a reconstrução da infraestrutura  em Angola, quem está ganhando é ela (Odebrecht). Mesmo investindo na formação de seus funcionários nativos, o que não acontece com a Vale em Moçambique, as consequências nas esferas de poder são preocupantes”.

 

Mesmo com experiências importantes, como as voltadas para a área da saúde, capacitação e agricultura familiar, a influência brasileira é vista de forma negativa por uma parte da população em Angola e Moçambique. As empresas privadas, amparadas em parte pelo BNDES, realizam um trabalho colonialista através da exploração dos recursos naturais do país, sem preocupações com as especificidades e condições de vida locais. A Sociedade Civil dos países africanos, junto com outras entidades brasileiras, está fazendo frente à implementação dos sistemas agroexportadores em detrimento à saúde, meio ambiente e cultura locais, e propõe meios alternativos para que o desenvolvimento não se desprenda dos interesses populacionais.

 

 

¹ O Pró-Savana é um programa triangular entre Moçambique, Brasil e o Japão, para o desenvolvimento da agricultura em grande escala no corredor de Nacala, numa área sensível de 14 milhões de hectares.

 

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