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informes - ABONG

50908/04/2013 a 02/05/2013

FSM 2013: “A revolução das mulheres continua”

Em Assembleia, mulheres ressaltam a importância da solidariedade global na luta contra o machismo


Na manhã de 26/3, em Túnis, mulheres de todas as partes do mundo realizaram a Assembleia das Mulheres e reafirmaram a importância da solidariedade entre os povos no enfrentamento ao machismo e patriarcado, que se expressam em diferentes contextos sociais e políticos por elas vivenciados. Com a presença de muitas mulheres tunisianas, palestinas, marroquinas, senegalenses, francesas e brasileiras, dentre muitos outros países da África, Oriente Médio, Europa, América e Ásia, a Assembleia enfatizou a luta por Estados laicos, contra as desigualdades legais, institucionais, econômicas, políticas, sociais e culturais, pela autonomia e emancipação das mulheres no mundo. “A revolução das mulheres continua, das mulheres do Marrocos, Egito, Palestina, Tunísia, de todo o mundo. É a solidariedade que nos fará construir, ao nosso modo, um outro mundo possível”, afirmaram.

 

Um dos destaques foi o protesto contra o governo argeliano, que impediu mulheres do País de vir ao Fórum. Para enfrentar questões como essa, houve uma reafirmação da importância da solidariedade. “Esta deve ser nossa palavra de ordem. A luta das mulheres subsaarianas é também a luta por uma consciência feminista, que nos mostra a necessidade de investir em formação e de sair para as ruas para reivindicar nossos direitos. Não podemos permanecer paradas nas lembranças que nos machucam, precisamos superá-las e lutar”, afirmou uma representante do movimento de mulheres do Senegal. Para ela, é fundamental garantir mais acesso à educação, ao trabalho e ao conhecimento. “Devemos nos colocar juntas, ter sinergia, fazer um coletivo para conquistar a liberdade, contra o patriarcalismo. Somos estupradas, submetidas à violência e aos organismos internacionais controlados pelos países do Norte, e devemos nos unir para lutar também contra a grilagem de terras”, afirmou.

 

O tema do acesso à terra foi amplamente abordado pela representante brasileira, que é do MST e compartilhou um pouco da luta das mulheres da América e especificamente das mulheres camponesas do Brasil. “Somos nós mulheres que garantimos a produção que alimenta a população brasileira. As mulheres do campo no Brasil têm se organizado para fazer o enfrentamento ao agronegócio, que quando chega ao campo destrói o território e a produção de alimentos. É um modelo que traz todo tipo de violência contra as mulheres, e é nesta luta que temos nos organizado”.  Por isso, é fundamental “unir todas as camponesas do mundo pela libertação das mulheres”.

 

Tunísia

 

A presidenta da Associação Tunisiana das Mulheres Democráticas, Ahlem Belhardi, contextualizou a luta das mulheres neste momento pós-revolucionário, destacando que a situação é complexa e é preciso frear a contra-revolução. “Estamos mobilizadas para incluir o direito das mulheres na revolução, não podemos ser apenas um instrumento da luta”. Ela também afirmou a importância da solidariedade internacional contra o sistema econômico financeiro, que “se impõe sobre nosso território. É ótimo que estejamos juntas neste Fórum”.

Outra militante tunisiana ressaltou que é preciso aprofundar as conquistas da revolução em relação aos direitos das mulheres. “A Bacia Mineira foi a fagulha que espalhou a revolução na Tunísia, e as mulheres estavam na linha de frente nessa batalha. Mas os homens instrumentalizam as mulheres. Participei da primeira manifestação de mulheres da nossa história. Ficamos sentadas protestando de maneira pacífica e fomos presas por quatro meses, enquanto alguns homens foram presos pelos mesmos motivos por três meses”. No final da Assembleia, as mulheres propuseram a criação de uma rede de apoio às tunisianas, para estabelecer instrumentos que garantam uma solidariedade efetiva.

 

Participação brasileira


Mulheres e organizações feministas brasileiras também estiveram presentes na Assembleia e ressaltaram sua importância. Para Analba Brazão, do coletivo Leila Diniz e da Articulação de Mulheres Brasileiras, apesar de certo enfoque nas questões locais dos países do Norte da África, “podemos perceber que o patriarcado está presente de forma geral e as mulheres estão na luta. Foi muito significativa a assembleia, que estava lotada, inclusive com um número grande de homens em solidariedade”. Ela lembra que, apesar da importância das mulheres nas revoluções no mundo árabe, “quando se pensa as Constituições, vem firme a questão da religião, que tem oprimido muito os direitos das mulheres”.

 

Já Verônica Ferreira, do SOS Corpo, da Articulação de Mulheres Brasileira e da Articulação Feminista do Mercosul, destacou a importância da Assembleia por reconhecer a pluralidade de movimentos e países. “Chama atenção a forte expressão feminista de muitos países, movimentos e entidades se colocando como feministas. Foi muito importante ouvir as mulheres da Tunísia e do Egito, sobre suas lutas para manter os direitos conquistados na constituição após a importância que tiveram nas mobilizações. Mas realmente o que mais marcou foi a expressão desses movimentos aqui, mostrando sua solidariedade e que seguem na luta”.

 

Texto e Fotos - Hugo Fanton, pela Abong

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