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44129/04/2009 a 7/05/2009

OPINIÃO: Os trabalhadores, as trabalhadoras e a crise

A crise econômica mundial que eclodiu publicamente em setembro de 2008 terá duras consequências para quem não é responsável por ela: os trabalhadores e as trabalhadoras. Essas consequências não se fizeram esperar – já no mês seguinte, começaram as demissões em todo o mundo.

 

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) prevê 50 milhões de novas pessoas desempregadas em 2009. No Brasil, os efeitos demoraram mais a aparecer mas, já no final do ano, havia centenas de milhares de demitidos/as. Empresas que tiveram lucros enormes durante os últimos anos e que nunca os repassaram aos seus funcionários e funcionárias, agora, para fazer face ao novo momento econômico, demitem mil, quatro mil, oito mil. A mídia reporta estes fatos como se fossem plenamente justificados, não discute.

 

Como se sabe, a crise mundial foi produzida pela liberalização das finanças e do comércio, pela desregulação da economia. Entregue a si mesmo, o mercado, as empresas privadas, comandado pelo sistema financeiro, extrapolaram todos os limites razoáveis em busca de lucros cada vez maiores. Tiveram a colaboração direta da maioria dos governos, que mudando a legislação para permitir esta falta de controle,  flexibilizaram os contratos de trabalho para favorecer os interesses das empresas.

 

As políticas econômicas neoliberais, dominantes nos últimos vinte anos (no caso brasileiro), possibilitaram ao capital financeiro ganhos extraordinários. Mas, exatamente em razão desta opção primeira, geraram baixo crescimento econômico. Este efeito, combinado à flexibilização do trabalho, à redução dos direitos trabalhistas, produziu um desemprego estrutural, massivo – que aumentou especialmente a partir do governo FHC. Entre 1990 e 2003, a taxa de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo passou de 10% a 20%, segundo o DIEESE-SEADE, só descendo a menos de 15% nos dois últimos anos.

 

Pois bem, esta crise, cujo estopim foi a crise do mercado imobiliário estadunidense, mas cujas raízes estão nas decisões da Conferência Financeira e Monetária de Bretton Woods, que enriqueceu enormemente as nossas elites, inclusive os (as) médios (as) e grandes empresários (as) , está recaindo sobre quem não participou desta festa.

 

Ao contrário, os trabalhadores e as trabalhadoras foram vítimas deste processo, pela precarização do emprego – maiores jornadas de trabalho, alta rotatividade, menores salários. Para evitar demissões, alguns (mas) empresários (as) até admitem negociar, admitem ceder alguma coisa, por exemplo, reduzir a jornada de trabalho. Mas cobram uma contrapartida, reduzir também o salário. Não contentes de terem produzido um desemprego massivo, agora, para enfrentar a crise, vão aumentá-lo. O resultado será uma maior precarização do emprego e um aumento do trabalho informal, que é a saída que restará para muitos.

 

O que fazer?

Em primeiro lugar, temos de proclamar as verdadeiras causas da crise e os seus (suas) verdadeiros (as) responsáveis. Cobrar do governo medidas que reduzam as consequências negativas para os trabalhadores e as trabalhadoras e que penalizem os culpados. Exigir a mudança da política econômica neoliberal, raiz última da crise mundial: romper com a prioridade dada pelo governo ao pagamento dos juros da dívida externa e interna; suspender o superávit primário; cumprir o que está na Constituição de 1988, iniciando um processo de auditoria da dívida externa e interna.

 

Exigir drástica redução dos juros e  o controle dos fluxos de capital, para que o governo tenha autonomia para dirigir sua política econômica e não fique mais refém dos mercados (bancos e demais agentes financeiros); exigir forte investimento em energia solar e eólica e o abandono dos investimentos em projetos prejudiciais ao meio-ambiente e à população local (grandes hidrelétricas e transposição do Rio São Francisco).

 

A crise não teve só efeitos negativos, ela permitiu revelar a falsidade das teses neoliberais. Entre elas, a de que o Estado não tem recursos: em todo o mundo, os governos descobriram recursos imensos para enfrentar a crise (que, infelizmente, na maioria dos casos, estão sendo direcionados para o sistema financeiro). Aqui também, descobrimos que o governo tem recursos (em outubro, o governo falou publicamente que poderia utilizar R$ 200 bilhões para enfrentar a crise).

 

Nós, trabalhadores e trabalhadoras e o conjunto dos movimentos sociais, devemos nos mobilizar para exigir que estes recursos não sejam usados para salvar bancos ou empresas privadas e, sim para investir em políticas geradoras de emprego. Devemos exigir forte investimento na política educacional, de saúde e habitacional, que não seja dirigido para ajudar os (as) empresários (as) e, sim voltado para quem de fato, precisa.

 

Nesse momento, faz-se necessário também, novas formas de organização que enfrentem as dificuldades impostas pela fragmentação do mercado de trabalho e pelo desemprego, para que sejam mantidas nossas conquistas históricas, rechaçando-se qualquer tentativa de redução de direitos e possibilitando que trabalhadores e trabalhadoras não sejam responsabilizados (as)  e penalizados (as) por uma crise que não produziram.

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